Dois cinemas
José Geraldo Couto
06.05.16
Não faz sentido cobrar de um filme aquilo a que ele não se propõe, nem tampouco eleger um tipo único de cinema e avaliar todos os filmes em cotejo com esse parâmetro. Ralé, de Helena Ignez, e Prova de coragem, de Roberto Gervitz, são obras diametralmente opostas, frutos de concepções cinematográficas radicalmente distintas – mas não excludentes. São ambos dignos e legítimos, merecem e devem ser vistos.
O corpo e a paisagem
José Geraldo Couto
29.04.16
Exilados do vulcão, de Paula Gaitán, é um “filme de cinema”, para usar a expressão enganosamente tautológica de Rogério Sganzerla, o que significa que não é teatro nem literatura (embora se nutra dessas linguagens), é algo que só existe na tela e para a tela, em que a luz não apenas ilumina a cena, mas a constitui.
Amada morta, cinema vivo
José Geraldo Couto
01.04.16
O thriller do diretor baiano Aly Muritiba (que já foi cobrador de ônibus, bombeiro e carcereiro enquanto estudava história em São Paulo e depois cinema em Curitiba) é um dos grandes filmes brasileiros do ano e a prova viva, muito viva, de que é possível subverter os códigos e fórmulas dos gêneros estabelecidos e construir uma obra original.
As cabeças cortadas de Sergio Bianchi
José Geraldo Couto
20.06.14
Sergio Bianchi usa em novo filme cenas de seu primeiro longa-metragem e reforça a ideia expressa em título de outro: o Brasil é "cronicamente inviável". Entre os temas de Jogo das decapitações estão o oportunismo político de militantes encastelados em ONGs ou na política institucional; e a barbárie que caracteriza desde sempre nossa formação social.
Sob a condição feminina e sob a condição de fazedora de filmes
Ana Carolina
26.05.14
Ana Carolina comenta seus filmes que serão exibidos em mostra no IMS-RJ de 27 de maio a 11 de junho. Cineasta ressalta como é difícil estabelecer uma relação de entendimento entre criador e público. Para ela, o cinema brasileiro é como um besouro, que tecnicamente nem poderia voar, mas que voa assim mesmo.
A terra e o transe em Boa sorte,meu amor
José Geraldo Couto
13.09.13
José Geraldo Couto apresenta o surpreendente Boa sorte, meu amor, de Daniel Aragão, mais um longa-metragem pernambucano que "encara - e escancara - a sobreposição, no Brasil, de um presente de aparência moderna e uma herança histórica de mandonismo e opressão social".
O documentário como possibilidade de conhecimento
Equipe IMS
10.04.13
Vladimir Carvalho, diretor de Conterrâneos velhos de guerra (lançamento em DVD pelo IMS), revela a Amir Labaki a origem e a evolução de sua paixão pelo cinema, especialmente pelo documentário e suas possibilidades estéticas e metafísicas.
Copacabana me engana
José Geraldo Couto
11.10.11
Quem resiste a ver um filme chamado Copacabana e estrelado por Isabelle Huppert? Em todo caso, eu não resisti. O filme de Marc Fitoussi pode ser definido como uma agradável crônica de costumes sobre Babou (Huppert), uma francesa de meia-idade em permanente desajuste com a sociedade capitalista globalizada. A história se passa no norte da França e no balneário de Ostende, na Bélgica. E onde entra a Copacabana do título?
O palhaço, o país e a busca de identidade
José Geraldo Couto
04.10.11
Dois filmes novos vistos na bela mostra Cine BH parecem não ter nada a ver um com o outro, mas dialogam entre si de modo enviesado e sutil. Estou falando de O palhaço, de Selton Mello, que abriu o evento mineiro na última quinta-feira, e de Meu país, de André Ristum, que entra em cartaz dia 7 de outubro. O filme de Selton Mello, o segundo dirigido pelo ator, é, na superfície, um road movie encantador, acompanhando um circo mambembe em sua errância pelo interior de Minas Gerais. Selton é Benjamin, o palhaço Pangaré, filho e parceiro do dono do circo, o veterano palhaço Puro-Sangue (Paulo José).
