José Geraldo Couto

Apologia do esquisito

José Geraldo Couto

30.09.16

Não li a trilogia O lar da senhorita Peregrine para crianças peculiares, de Ransom Riggs (publicada no Brasil pela editora Intrínseca), mas não é difícil perceber por que Tim Burton se interessou pela história e a transformou em seu novo filme. Crianças peculiares habitam desde sempre a filmografia do cineasta e o tipo de fantasia presente no livro é o mesmo do seu universo, em que se entrelaçam o sinistro, o cômico e o maravilhoso.

Brasília, terra em transe

José Geraldo Couto

23.09.16

O festival de Brasília sempre foi o mais quente do cinema brasileiro, e nesta 49ª edição chega fervendo, tanto pela contundência da seleção de filmes como pelas conturbadas circunstâncias políticas que o cercam por todos os lados. Se Cinema novo, de Eryk Rocha, dá a ver um desejo contagiante de cinema como força de transformação humana e social, a exibição do documentário Mártires, de Vincent Carelli, mostrou alguns limites e paradoxos desse desejo.

A casa como grande navio

Tatiana Monassa

20.09.16

Realizado por Manoel de Oliveira em 1981 e mantido em segredo até sua morte, conforme vontade expressada pelo diretor, Visita ou memórias e confissões (1982) é uma obra-testamento precoce e um tanto peculiar. O filme estreia no cinema do IMS-RJ nesta quinta-feira, dia 22 de setembro.

Suspense ao sul

José Geraldo Couto

16.09.16

Por um feliz acaso, estão chegando aos cinemas praticamente ao mesmo tempo dois filmes de suspense de cineastas brasileiros da nova geração, Mate-me por favor O silêncio do céu. Por vias diferentes, eles arejam e revitalizam esse gênero tão pouco cultivado entre nós. A boa notícia é que ambos são ótimos.  

Na lista negra

Thom Andersen

16.09.16

Hollywood vermelha (EUA, 1996. 114’), filme nascido a partir deste artigo, integra a mostra Hollywood e além: o cinema investigativo de Thom Andersen e será exibido na próxima terça, dia 20/9. Em cartaz no cinema do IMS-RJ de 15 a 21 de setembro, a mostra conta com 19 filmes entre longas e curtas-metragens que celebram a obra de Thom Andersen, um dos mais importantes cineastas americanos da atualidade, e de artistas vinculados a ele.

Eadweard Muybridge

Thom Andersen

13.09.16

O filme Eadweard Muybridge, zoopraxógrafo, parte da mostra Hollywood e além: o cinema investigativo de Thom Andersen, será exibido neste domingo, dia 18/9, em sessão apresentada pelos curadores Aaron Cutler e Mariana Shellard. Em texto de 1966, o diretor Thom Andersen fala sobre o trabalho pioneiro de Muybridge.

Hollywood e além

Equipe IMS

09.09.16

O processo de criação de Thom Andersen, nascido em 1943, se comporta como uma perambulação na qual as ideias se acumulam e se transformam durante anos à medida em que tomam forma, sendo os mesmos tópicos revisados em sala de aula, em palestras, em artigos e em diferentes versões do mesmo filme. A mostra Hollywood e além: o cinema investigativo de Thom Andersen traz doze de seus catorze filmes, além de seis filmes de seus colaboradores, montando uma investigação sobre a memória cultural e a necessidade de sua preservação.

Metafísica da luz

José Geraldo Couto

09.09.16

Muito se falou sobre o misticismo de Carl T. Dreyer, seu depurado cristianismo, sua elevada espiritualidade. O interessante é investigar como essas inquietações íntimas se traduzem em cinema. Em grande, imenso cinema. Perfeitos em sua composição, em seu equilíbrio estético interno, em seu ritmo, em seu controle absoluto da luz, dos enquadramentos e dos movimentos de câmera, seus filmes, para o crítico André Bazin, estão entre as “raras obras cinematográficas que sustentam a comparação com as melhores produções da pintura, da música ou da poesia”.

Estado de graça

José Geraldo Couto

26.08.16

O que há de novo em Café society, filme mais recente de Woody Allen? A rigor, talvez nada. Mas, mais do que suma, talvez uma palavra melhor seja depuração. O cineasta parece ter podado as arestas de ansiedade, a incontinência verbal que às vezes fazia as palavras darem a impressão de não caber na imagem e no ritmo de seus filmes. Aqui tudo flui com uma segurança e uma elegância que alguns grandes artistas encontram em suas obras de maturidade.

Grandeza perdida

José Geraldo Couto

19.08.16

Entre o Ben-Hur de 1959, filmado por William Wyler, ganhador de onze Oscars, e a versão de 2016, a tecnologia do cinema avançou tremendamente, graças às novas possibilidades digitais, mas alguma coisa muito profunda e essencial parece ter se perdido. Correndo o risco de soar exagerado, eu diria que Hollywood perdeu o sentido da grandeza. Ou talvez a grandeza hollywoodiana tenha se deslocado para outros terrenos.