As cores do Rio aos olhos de Marc Ferrez

Por dentro do acervo

01.03.13


Marc Ferrez (em pé), sua espo­sa Marie, o filho Julio com a espo­sa Claire e os filhos Gilberto e Eduardo, cir­ca 1914

A vida e obra de Marc Ferrez (1843–1923), o mais impor­tan­te fotó­gra­fo bra­si­lei­ro do sécu­lo XIX, podem ser pes­qui­sa­das em pro­fun­di­da­de gra­ças à pre­ser­va­ção de seus milha­res de nega­ti­vos e cen­te­nas de foto­gra­fi­as ori­gi­nais de épo­ca que inte­gram a Coleção Gilberto Ferrez, hoje per­ten­cen­te ao Instituto Moreira Salles.

A sobre­vi­vên­cia des­te impor­tan­te acer­vo até os dias de hoje deve-se em gran­de par­te à pró­pria lon­ge­vi­da­de do autor e da empre­sa cri­a­da por ele em 1867, que se man­te­ve atu­an­te atra­vés de seus des­cen­den­tes até as últi­mas déca­das do sécu­lo XX. Deve-se tam­bém, e espe­ci­al­men­te, a seu neto Gilberto Ferrez, que por um lado, cer­ta­men­te influ­en­ci­a­do pela obra do avô, e por outro, por seu pró­prio inte­res­se no cam­po da his­to­ri­o­gra­fia e da ico­no­gra­fia, tor­nou-se o pri­mei­ro his­to­ri­a­dor da foto­gra­fia bra­si­lei­ra, além de des­ta­ca­do mem­bro do Conselho do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, dedi­can­do-se pes­so­al­men­te à difu­são da obra foto­grá­fi­ca de Marc Ferrez.

Cerca de meta­de da pro­du­ção foto­grá­fi­ca de Ferrez foi rea­li­za­da na cida­de do Rio de Janeiro e no seu entor­no, e a outra par­te nas diver­sas regiões do Brasil que per­cor­reu regu­lar­men­te em seus diver­sos tra­ba­lhos comis­si­o­na­dos, seja como fotó­gra­fo da Comissão Geológica do Império em mea­dos dos anos 1870, ou como prin­ci­pal fotó­gra­fo das cons­tru­ções fer­ro­viá­ri­as no Brasil, em espe­ci­al nos anos de 1880 e 1890, con­fi­gu­ran­do assim um gran­de pano­ra­ma da pai­sa­gem bra­si­lei­ra do perío­do.

Ferrez, no final de sua vida, dedi­cou-se à foto­gra­fia este­re­os­có­pi­ca em cores, uti­li­zan­do as pla­cas fabri­ca­das pelos irmãos Lumière pelo pro­ces­so deno­mi­na­do auto­cro­mo. Estas raras e iné­di­tas ima­gens pro­du­zi­das por Marc Ferrez e seus filhos são os regis­tros colo­ri­dos conhe­ci­dos mais anti­gos da cida­de do Rio de Janeiro, dis­po­ni­bi­li­za­dos pelo IMS no 448º ani­ver­sá­rio da cida­de.

Veja abai­xo algu­mas des­sas foto­gra­fi­as his­tó­ri­cas.

Vista do Pão de Açúcar toma­da do mor­ro da Urca, c. 1914

Vista do Pão de Açúcar, c. 1914

Corcovado, c. 1914

São Conrado, c. 1914

Pedra da Gávea a par­tir do Alto da Boa Vista, c. 1914

Entrada do Silvestre, c. 1914

Jardim Botânico, c. 1914

Jardim Botânico, c. 1914

Casarão anti­go na Rua Voluntários da Pátria , c. 1914

Teatro Municipal, c. 1914

Avenida Rio Branco, deno­mi­na­da Avenida Central até 1912, c. 1914

Avenida Rio Branco, c. 1914

Praça Tiradentes, c. 1914

Centro, vis­to do Morro do Castelo c. 1914

Embalagem das cha­pas foto­grá­fi­cas coloridas/autocromos,desenvolvidas e fabri­ca­das pelos irmãos Lumière c. 1914

Sergio Burgi é coor­de­na­dor de foto­gra­fia do Instituto Moreira Salles 

Ouça uma sele­ção de músi­cas sobre o Rio de Janeiro na Rádio Batuta

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