Ana C. além da poesia

Literatura

17.11.15

Além da poeta que influ­en­ciou toda uma ger­ação a par­tir da déca­da de 1970 e teve sua poe­sia reuni­da pub­li­ca­da em Poéti­ca,em 2014, pela Com­pan­hia das Letras, ressalta, no arqui­vo de Ana Cristi­na Cesar, sob a guar­da do Insti­tu­to Mor­eira Salles des­de 1999, a acadêmi­ca e tradu­to­ra que ela foi.

De per­son­al­i­dade inqui­eta, Ana Cristi­na deixou o Brasil para estu­dar na Uni­ver­si­dade de Essex, na Inglater­ra, onde rece­beu o títu­lo de Mas­ter of Arts em The­o­ry and Prac­tice of Lit­er­ary Trans­la­tion (mestra­do em teo­ria e práti­ca da tradução literária), em 1980. Desse perío­do, resul­taria Escritos da Inglater­ra (ensaios e tex­tos sobre tradução e lit­er­atu­ra), pub­li­ca­do pos­tu­ma­mente, em 1988, com orga­ni­za­ção do ami­go e poeta Arman­do Fre­itas Fil­ho, dos mais devota­dos estu­diosos de sua obra.

Carteira da Asso­ci­ação Brasileira de Tradu­tores. Rio de Janeiro, 1982. (Acer­vo IMS)

Entre os tra­bal­hos de Ana Cristi­na Cesar mais notáveis no gênero, desta­ca-se The Anno­tat­ed Bliss (O con­to ‘Bliss’ ano­ta­do), com 80 notas explica­ti­vas, tradução do famoso tex­to de Kather­ine Mans­field, que legit­i­ma seu tal­en­to como tradu­to­ra e con­sti­tu­iu sua dis­ser­tação de mestra­do em Essex.

A tradu­to­ra se encan­ta­va com o “caráter monossilábi­co da lín­gua ingle­sa”, o que a lev­ou ain­da a se dedicar a Emi­ly Dick­in­son, e out­ros. Na tradução de Ana Cristi­na, a per­son­agem Bertha Young, de “Bliss”, viveu um momen­to como se “tivesse de repente engoli­do o sol de fim de tarde e ele queimasse den­tro do seu peito”.

Tal qual a tradu­to­ra, que, com sofreguidão, colab­o­ra­va na impren­sa alter­na­ti­va car­i­o­ca da época, fazia resen­ha, edições e traduções, além de dar aulas no ensi­no secundário, tudo isso na déca­da de 1970. Não foi menor sua ded­i­cação à críti­ca literária, cole­ta­da em Escritos no Rio (arti­gos, tex­tos acadêmi­cos e depoi­men­tos), em 1993, tam­bém com orga­ni­za­ção de Arman­do Fre­itas Fil­ho.

Sua bib­liote­ca de 646 itens, entre livros, per­iódi­cos e teses, está descri­ta na base de dados do IMS, assim como os 1.613 doc­u­men­tos de seu arqui­vo, cujas descrições se encon­tram acessíveis nos acer­vos de lit­er­atu­ra online.

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