O poeta Manuel Bandeira (1886-1968)

O poeta Manuel Bandeira (1886-1968)

O poeta Manuel Bandeira (1886-1968)

Evocação do Recife”, uma leitura

Literatura

29.01.18

Tra­tou-se de uma pai­xão. E de uma pro­mes­sa. Se con­ju­ga­das, o suces­so é garan­ti­do: foi o que acon­te­ceu no últi­mo dezem­bro, quan­do o meu cole­ga, o poe­ta e pro­fes­sor Euca­naã Fer­raz, nos deu uma aula no IMS Rio sobre o poe­ma “Evo­ca­ção do Reci­fe”, de Manu­el Ban­dei­ra.

Fui uma das mui­tas pes­so­as que se emo­ci­o­na­ram em 2009, quan­do, na Flip daque­le ano, ele dis­ser­tou sobre o “Evo­ca­ção” no pal­co da Ten­da dos Auto­res.  Antes mes­mo, eu já tinha notí­cia, por alu­nos da UFRJ, do alum­bra­men­to – para usar um ter­mo ban­dei­ri­a­no – que cau­sa­va sua aná­li­se des­sa com­po­si­ção.

Inti­mei-o, então, a repe­tir para nós (sim, eu sei, pri­vi­lé­gio dos de casa) a inter­pre­ta­ção do poe­ma em que Ban­dei­ra traz o Reci­fe da sua infân­cia. Um Reci­fe inte­gral­men­te seu, mas que evo­ca um Bra­sil tão pro­fun­do que, com os ver­sos, recu­pe­ra­mos, nós tam­bém, mui­to da nos­sa infân­cia: a obe­di­ên­cia infan­til, a dis­ci­pli­na coti­di­a­na, o encan­ta­men­to das his­tó­ri­as que nos con­ta­vam na hora de dor­mir, o des­com­pas­so das bati­das do cora­ção com as pri­mei­ras e mais for­tes emo­ções. Aque­las que se repe­tem ao lon­go da vida adul­ta e madu­ra, até.

 

 

É o que a geo­gra­fia líri­ca do Bra­sil tem de mai­or”, dis­se Gil­ber­to Frey­re a res­pei­to do “Evo­ca­ção”, depois de afir­mar que é um dos mai­o­res poe­mas escri­tos na nos­sa lín­gua. Dis­so, aliás, sabe­mos, e pro­vam as anto­lo­gi­as da poe­sia bra­si­lei­ra. O pri­vi­lé­gio de quem ouviu o Euca­naã – exclu­si­vi­da­de que ago­ra o Blog do IMS divi­de com seus lei­to­res — é des­co­brir, e sen­tir, com ele, o quan­to a geo­gra­fia pes­so­al de Ban­dei­ra se uni­ver­sa­li­za e, por isso mes­mo, nos como­ve.

Não deve ser por coin­ci­dên­cia que se come­ça o ano falan­do no poe­ta de Pasár­ga­da. No dia 13 de outu­bro de 2018 com­ple­tam-se 50 anos de sua mor­te, e é bom que ele seja lem­bra­do des­de ago­ra. Mais um moti­vo para que o Euca­naã con­ti­nue a nos ofe­re­cer essas mara­vi­lhas de lei­tu­ras.  (Elvia Bezer­ra, coor­de­na­do­ra de lite­ra­tu­ra do IMS)

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