Marçal Aquino

A felicidade genital

Marçal Aquino

21.09.18

Em 2012 esbarrei num personagem, um falso conde chamado Emanuel, e me interessei em acompanhar suas peripécias amorosas em período impreciso do Brasil colonial. Logo percebi que se tratava de uma farsa erótica, sem nenhum rigor histórico, muito diferente de tudo que escrevi até agora.

Ser ou não ser canônico

Tiago Ferro

11.09.18

Se é possível questionar autores canônicos, talvez seja justo investigar o que o próprio cânone soterrou de mais radical. Assim podemos valorizar autores excluídos até aqui e revalorizar autores incensados por motivos equivocados ou laterais.

Eu vi um Brasil no cinema

José Geraldo Couto

06.09.18

A filmografia de Joaquim Pedro de Andrade é talvez a ponte mais completa e consequente entre o modernismo literário dos anos 1920 e o cinema moderno. Relativamente pouco numerosa, atualiza de modo crítico e inventivo a investigação sobre a identidade brasileira empreendida pelos modernistas da “fase heroica”, praticando uma antropofagia da antropofagia.

O corpo interminável

Claudia Lage

21.08.18

O livro surgiu de uma fotografia que vi em 2011. Ela me perseguiu por um tempo e, enquanto eu escrevia, começou a perseguir também os personagens, fazer parte da trama, se desdobrar em outras imagens e narrativas.

Dos seres imaginários

José Geraldo Couto

17.08.18

Há filmes que vemos “de fora”, como se fossem ilustrações de histórias que poderiam ser narradas verbalmente. E há filmes que se apresentam como objetos a ser apreendidos mais pelos sentidos do que propriamente pelo intelecto. Uma experiência sensorial desse tipo, próxima da imersão, é oferecida por Unicórnio, segundo longa-metragem do carioca Eduardo Nunes.

Era Hilda Hilst feminista?

Carla Rodrigues

16.07.18

A homenageada da Flip 2018 talvez tenha sido feminista antes de o feminismo se estabelecer como militância política, antes mesmo de o termo vir a designar essa ampla gama de reivindicações de direitos das mulheres sobre seus corpos, seus sexos, suas vidas.

Vamos chamá-la de Maria

Adriana Armony

10.07.18

Li uma matéria impressionante sobre uma mulher do Centro-Oeste do Brasil, vítima de tráfico sexual para Portugal, e sob o impacto dessa história passei um carnaval e uma semana santa no computador, imaginando o entrelaçamento de duas narrativas: as experiências erótico-amorosas de uma mulher de classe média e as noites assustadoras da escravidão sexual dessa personagem que chamo de Maria e que poderia ser qualquer mulher.

Sororidad

Daniel Pellizzari

03.05.18

Por um balaio de motivos, dos práticos aos patológicos, escrevo ficção muito devagar. Essa lentidão acabou transformando o que seria meu novo romance em um livro com três narrativas independentes. A primeira se chama Sororidad e narra as histórias entrecruzadas de uma mulher com disforia de espécie – nasceu humana, mas se identifica como cabra – e de um grupo de argentinas que, ao serem abandonadas nas estradas do Rio Grande do Sul, se unem para criar uma comunidade rural isolada do resto do mundo.

Negativo

Débora Ferraz

25.04.18

Primeira vista traz prosa ou poesia inédita, criada a partir de fotografias selecionadas no acervo do IMS. O autor escreve sem ter informação nenhuma sobre a imagem, contando apenas com o estímulo visual. Neste mês, Débora Ferraz escreve sobre uma foto de Hildegard Rosenthal, tirada em São Paulo por volta de 1940.

Tupinilândia

Samir Machado de Machado

28.03.18

Tupinilândia é um pouco sobre uma infância que parece colorida e divertida quando vista em retrospecto, exceto que o país era uma ditadura, a violência urbana era tão ou mais forte que a atual, AIDS era uma palavra proibida e a economia ia tão mal quanto o casamento dos meus pais.