Preocupações e outros poemas

Em processo

21.08.17

Pre­o­cu­pa­ções e outros poe­mas é o títu­lo pro­vi­só­rio de um livro em que deci­di reu­nir poe­mas iné­di­tos e nem tão iné­di­tos sobre medos banais. Tenho abra­ça­do o “con­fes­si­o­nal”, a pri­mei­ra pes­soa e as cons­tru­ções que ten­ta­ria evi­tar. Gos­to de ler poe­sia que qua­se che­ga ao ridí­cu­lo e acho que ain­da não con­se­gui fazer isso como pode­ria.

 

Um rato

há um rato

que car­re­go

nas rou­pas

 

quan­do se move

espe­ro que não vá lon­ge

que se enros­que no ombro

ou na per­na esquer­da

e ali repou­se

 

quan­do per­fu­ra a car­ne

estre­me­ço sem pâni­co

até com pra­zer mode­ra­do

quan­do dá enxu­go o san­gue

quan­do não dá dei­xo que seque

e seca

 

tor­ço prin­ci­pal­men­te

para que minha com­pa­nhia

des­ta noi­te

não note

que tenho um rato

cor­ren­do no shorts

 

ontem na rua

o roe­dor de repen­te

sal­tou da blu­sa se reve­lan­do

 

por um segun­do

os mora­do­res do bair­ro

conhe­ce­ram meu medo

viram no meu medo

o ros­to

e as ore­lhas

 


 

Os olhos

como futu­ra cega

pre­fi­ro me rela­ci­o­nar

com quem tam­bém tenha

a ceguei­ra pela fren­te

 

não para cata­lo­gar em con­jun­to

as coi­sas que ain­da enxer­ga­mos

isso não seria um pas­sa­tem­po

seria um even­to publi­ci­tá­rio

 

recu­so esses recur­sos

acei­to o ros­to de aqua­re­la

os cíli­os des­co­nhe­ci­dos

a for­ma ali­e­ní­ge­na

 

em tro­ca do outro lado

meu ros­to de aqua­re­la

meus cíli­os des­co­nhe­ci­dos

minha for­ma ali­e­ní­ge­na

 

além do mais saí­mos pou­co

se olha­mos mui­to é pra poei­ra

se espa­lhan­do impla­cá­vel

pelos can­tos do quar­to

 


 

Os livros

quan­do era cri­an­ça não havia

bibli­o­te­ca de bair­ro ou esco­la

gran­de o bas­tan­te pra von­ta­de

 

que às vezes

se expres­sa­va em diar­reia

entre duas estan­tes

 

os áca­ros os fun­gos

da pági­na rela­xa­dos

na cama

 

ago­ra não per­gun­tem

não garan­to

não insis­tam

 

pode ser que nun­ca seja como antes

já que do ano seguin­te em dian­te

outras coi­sas nos empres­ta­ram:

 

o tra­ba­lho

a fal­ta de dinhei­ro

o sexo

a inter­net

 


 

Dois poe­mas

o poe­ma len­to pas­seio

a gra­ça cen­tral pas­san­do sem pres­sa

se espre­gui­çan­do até todo mun­do

enten­der por com­ple­to

mais ima­gens? não pre­ci­sa

já esta­mos de chi­ne­lo

 

o poe­ma crazy dan­ce

ima­gens de neon giran­do rápi­do

duran duran no volu­me máxi­mo

as galá­xi­as dis­tan­tes uma ques­tão de sen­ti­men­to

mas será que o fun­ci­o­ná­rio

esque­ceu esse negó­cio liga­do

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