Quadro a quadro

Antonio Bandeira, Cais noturno

Ana Cândida de Avelar

12.03.13

Ana Cândida de Avelar Fernandes analisa a obra "Cais noturno", de Antonio Bandeira, que integra a coleção do IMS. A historiadora da arte mostra como a tela de 1962/63 é marcada pelas passagens do pintor por Paris a partir da década de 1940 e seu contato com a abstração. "A ausência de rigidez dos trabalhos possibilita vislumbrar como as coisas no mundo se organizam de forma flexível, sem tanto rigor, mesmo quando previamente planejadas", escreve ela.

Le Corbusier, Paisagem do Rio de Janeiro, 1936

Rodrigo Queiroz

15.01.13

O arquiteto e professor Rodrigo Queiroz analisa o desenho feito por Le Corbusier durante sua segunda passagem pela cidade do Rio de Janeiro e oferecido à pintora Tarsila do Amaral. Para Queiroz, "o desenho como registro da percepção da paisagem e da cultura é um procedimento recorrente e fundamental para a compreensão do pensamento de Le Corbusier."

Wesley Duke Lee, Openended

Marco Pasqualini de Andrade

23.07.12

Duke Lee desenvolveu uma aproximação à caligrafia desde criança. Na década de 1970 interessa-se pela cultura oriental, pela sua escrita e pelo ideograma. E em várias de suas obras, em diversas fases, é possível identificar o uso de textos, manuscritos ou não, aplicados à imagem. Assim, nessa série, o fascínio pela caligrafia encontra-se com a prática japonesa, aplicada a palavras ou frases, escritas em português ou inglês, geralmente de cunho filosófico, como a que estampou o cartaz da mostra: "O mundo é uma vasta experiência que ainda não atingiu seu objetivo".

Oswaldo Goeldi, Chuva

Ronaldo Brito

11.11.11

A essa altura - a obra-prima é de 1957 - o expressionismo congênito de Oswaldo Goeldi (1895-1961) dominava à perfeição a economia estética do suspense. Por mais agitados que fossem seus desenhos e gravuras, apinhados de diletos escombros e detritos, passavam sobretudo a sensação de vazio. Vazio opressivo, porém, outra forma de claustro, a céu aberto. Reina aí, absoluta, a solidão incomunicável. Eis exatamente o que se comunica com fervor, o que se transmite com pungente intensidade.

Frans Post, Vista sobre um vale

Ernst van den Boogaart

04.11.11

Com esta obra, o pintor holandês Frans Post (1612-1680) continuou a elaborar a experiência artística vivida no Brasil. Tal experiência foi utilizada por ele como definidora de sua vida profissional. Em 1667, haviam se passado 20 anos desde que ele acompanhara o governador Maurício de Nassau à porção do Nordeste brasileiro conquistada pela Companhia das Índias Ocidentais. Ao retornar a Haarlem, sua cidade natal, em 1644, Post continuou a produzir quase exclusivamente cenas brasileiras, algumas por encomenda, outras por o mercado.

Tarsila do Amaral, Academia n. 4, 1922

Fernanda Pitta

16.09.11

É na tentativa de coser melhor essa trama, ou de pelo menos seguir alguns de seus fios soltos, que podemos nos aproximar da tela de Tarsila do Amaral e procurar nos avizinhar desse seu aspecto aparentemente inesperado. Um nu, feminino, feito em estúdio. Mais precisamente, um estudo de mulher, realizado numa escola para mulheres, como se vê pelas próprias personagens da tela, algo inexistente no Brasil dos anos 1920. Onde teria sido pintado?

Boiada, de José Antonio da Silva

Paulo Pasta

26.07.11

Aquele "saudosismo transfigurador", típico do caipira, no dizer de Antonio Candido, vai ganhar em Silva sua contrapartida nos atos resolutos do artista, que vem a pintar com um caráter afirmativo o seu passado. Se Silva pintou o campo em transformação, essa mesma dinâmica encontra-se, de certo modo, processada na sua forma de pintar. Esta se torna cada vez mais decidida, e nisso também podemos notar que o pintor conseguiu entender melhor a dinâmica pictórica de seus dois artistas preferidos: Picasso e Van Gogh.

Paisagem de Termenilo

José Augusto Ribeiro

17.06.11

Entre os trabalhos que Francisco Rebolo realiza durante a sua única temporada na Europa, de 1955 a 1957, Paisagem de Termenilo é exemplar dos impasses que o artista enfrenta àquela altura em sua obra, com a combinação de recursos ilusionistas e soluções geométricas para a representação de paisagens, casarios e fachadas. Por um lado, essa... Continue reading

Interior de Mônaco

Rodrigo Naves

20.05.11

Com toda a sua exterioridade, o estudo de Anita Malfatti conduz antes a um devaneio doméstico que ao mundo luminoso e sem dobras de Matisse, mesmo que esse devaneio povoe a casa de uma dimensão que ela antes não possuía. E as pequenas dimensões dos dois quadros - a tela tem 73 x 60 cen­tímetros - apenas reforçam a impressão de um acontecimento sutilíssimo e privado, que a artista soube revelar admiravelmente. Talvez esse fosse um caminho a seguir. Quem poderá dizer?

Casa Walther Moreira Salles

Guilherme Wisnik

06.05.11

Projetada em 1948, a casa do embaixador Walther Moreira Salles (hoje sede do Instituto Moreira Salles no Rio de Janeiro) foi inaugurada em 1951. Situada no alto da Gávea, em um terreno com aproximadamente 10 mil metros quadrados, e em meio a uma exuberante mata atlântica (floresta da Tijuca), é um autêntico palacete moderno - também herdeiro das tradicionais "casas de chácara" cariocas, como a residência Raimundo Ottoni de Castro Maya (1954-1957).