Entre cantos e chibatas — conversa com Lilia Schwarcz

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17.05.11

A con­vi­te do Blog do IMS, a antro­pó­lo­ga e his­to­ri­a­do­ra Lilia Schwarcz ana­li­sou uma série de ima­gens que retra­tam o negro na soci­e­da­de bra­si­lei­ra e per­ten­cem ao acer­vo do Instituto Moreira Salles. São fotos sobre­tu­do do sécu­lo 19, reve­la­do­ras de con­tra­di­ções de um perío­do em que o Brasil teve fotó­gra­fos de obje­ti­vos dis­tin­tos, que vão da cri­a­ção de uma ima­gem apa­zi­gua­do­ra da escra­vi­dão ao levan­ta­men­to amplo das dife­ren­tes fun­ções dos escra­vos até a Abolição.

Bloco 1: Deusas e muca­mas

Nesta pri­mei­ra par­te, Lilia Schwarcz obser­va as seme­lhan­ças e dis­pa­ri­da­des nas ima­gens cap­tu­ra­das ao ar livre ou em ate­liê. A antro­pó­lo­ga se apoia em defi­ni­ção de Susan Sontag, segun­do a qual a “foto­gra­fia ser­ve à men­ti­ra”, para defi­nir o que é jogo de cena. E é jus­ta­men­te esse fal­se­a­men­to que ela iden­ti­fi­ca nos ate­li­ês dos fotó­gra­fos: “Tudo é uma men­ti­ra, tudo é uma com­po­si­ção”. Chamam aten­ção as negras expos­tas como mulhe­res sen­su­ais e aque­las que se ornam com fide­li­da­de às ori­gens.

Bloco 2: O eito e a casa gran­de

Neste segun­do blo­co, Augusto Stahl, G. Gaensly e R. Lindemann, Georges Leuzinger, Henschel & Benque são des­ta­ca­dos. Lilia Schwarcz ana­li­sa como é notá­vel como os retra­tos da mulher e do homem escra­vos são dis­tin­tos. Os homens apa­re­cem mais vin­cu­la­dos ao tra­ba­lho, enquan­to as mulhe­res encon­tram repre­sen­ta­ção mais vari­a­da por cau­sa da domes­ti­ci­da­de. As ves­tes são deter­mi­nan­tes da rela­ção com o senhor bran­co. Nos retra­tos de tipos exó­ti­cos, vê-se que são apar­ta­dos da casa gran­de; nos de negros domes­ti­ca­dos, que são incluí­dos.

Bloco 3: Tipologia e ence­na­ção

O ter­cei­ro seg­men­to traz uma ampla série de fotos de Marc Ferrez. Lilia Schwarcz obser­va que Ferrez faz o levan­ta­men­to das vari­a­das fun­ções dos escra­vos para não vê-los ape­nas como tra­ba­lha­do­res da lavou­ra. Para ela, a natu­re­za apa­re­ce em suas ima­gens de for­ma mui­to orga­ni­za­da. Mesmo fora do ate­liê, a fal­ta de natu­ra­li­da­de pode ser per­ce­bi­da pela dis­po­si­ção da cena.

Bloco 4: O negro pito­res­co

No últi­mo blo­co, Lilia Schwarcz refle­te sobre o con­jun­to de ima­gens depois de apon­tar, em três ima­gens de Victor Frond dos anos de 1858 e 1859, uma com­po­si­ção que niti­da­men­te ser­ve para levar ao estran­gei­ro a ima­gem de uma escra­vi­dão ame­na — como se, embo­ra ain­da per­du­ras­se no Brasil, a escra­vi­dão não fos­se de todo nega­ti­va.

O Instituto Moreira Salles de Poços de Caldas exi­be, até o dia 16 de agos­to de 2015, a expo­si­ção Eman­ci­pa­ção, inclu­são e exclu­são. Desafios do pas­sa­do e do pre­sen­te – Fotografias do acer­vo Instituto Moreira Salles, com foto­gra­fi­as de Marc Ferrez, Victor Frond e Georges Leuzinger, entre outros. A cura­do­ria é de Lilia Moritz Schwarcz, Maria Helena Machado e Sergio Burgi. 

Veja tam­bém: “Escravos de Marc Ferrez”, por Lilia Schwarcz, e “Emancipação”, por Lilia Schwarcz, Maria Helena Machado e Sergio Burgi.

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