Pequena história das canções brasileiras

Música

14.05.14

Em 2013, quan­do pen­sa­mos em novos pro­gra­mas para a Rádio Batuta, o nome de João Máximo apa­re­ceu logo entre os que deve­ri­am se inte­grar à rádio de inter­net do IMS. Existem 44 moti­vos para com­pro­var o acer­to do con­vi­te: são os epi­só­di­os de sua série “Como e por que nas­cem as can­ções”.

Referência nos jor­na­lis­mos espor­ti­vo e cul­tu­ral do país, João tem tra­je­tó­ria pro­fis­si­o­nal inti­ma­men­te liga­da à músi­ca. É gran­de conhe­ce­dor de músi­ca ame­ri­ca­na e de tri­lhas de cine­ma, e sua pre­sen­ça na his­tó­ria da músi­ca bra­si­lei­ra está garan­ti­da, se não por outros moti­vos, pelo livro Noel Rosa — Uma bio­gra­fia, escri­to em par­ce­ria com Carlos Didier. Infelizmente esgo­ta­do hoje, é caça­do em sebos e tido por mui­tos como a melhor bio­gra­fia de um artis­ta já pro­du­zi­da no Brasil.

As cre­den­ci­ais aci­ma, úteis para quem ain­da não conhe­ce João, foram pos­tas em prá­ti­co em “Como e por que nas­cem as can­ções”. Semana a sema­na, duran­te 11 meses, ele foi ofe­re­cen­do pílu­las de seu conhe­ci­men­to aos ouvin­tes da Batuta. Está ali uma peque­na his­tó­ria das can­ções bra­si­lei­ras — que pode­ria se tor­nar gran­de se ele tives­se tem­po e assim dese­jas­se.

(Mas lem­bre­mos de que um tra­ba­lho fun­da­men­tal foi rea­li­za­do por Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello nos dois volu­mes de A can­ção no tem­po, ins­pi­ra­ção para outro pro­gra­ma da Batuta.)

Para ficar­mos só em Noel, há as his­tó­ri­as de Três api­tos, Positivismo, As pas­to­ri­nhas, O X do pro­ble­ma, Quem dá mais?, O sol nas­ce­rá para todos, da paró­dia de Sussuarana e de Lenço no pes­co­ço, o sam­ba de Wilson Batista que ini­ci­ou sua famo­sa polê­mi­ca com o poe­ta de Vila Isabel. João expli­ca o que está por trás das can­ções, como as refe­rên­ci­as que com­põem Quem dá mais?, uma crô­ni­ca de 1930 que se tor­nou atem­po­ral gra­ças ao lei­lão per­ma­nen­te que o Brasil faz de si pró­prio. E Noel a cri­ou aos 19 anos.

Há tra­mas pou­co conhe­ci­das de músi­cas idem (ao menos hoje), casos de O tele­fo­ne do amor. E há outras já bem repi­sa­das, mas que João con­ta com humor e auto­ri­da­de. Entre estas, Pelo tele­fo­ne, Antonico, Copacabana e O que é que a bai­a­na tem?.

Este tex­to pro­cu­ra res­sal­tar a impor­tân­cia des­se tra­ba­lho de João e refor­çar o con­vi­te para que os inte­res­sa­dos em músi­ca bra­si­lei­ra o escu­tem.

Na Batuta, tam­bém é pos­sí­vel ouvir Vinicius — Poesia, músi­ca e pai­xão, o mais com­ple­to docu­men­tá­rio já fei­to sobre Vinicius de Moraes, cujo cen­te­ná­rio se come­mo­rou em 2013. João empre­en­deu a série de 32 capí­tu­los para a Rádio Cultura de São Paulo em 1993, por oca­sião dos 80 anos do poe­ta. E a Batuta, em par­ce­ria com a Cultura, tor­nou-a nova­men­te aces­sí­vel.

“Como e por que nas­cem as can­ções” ter­mi­nou em abril, e João ago­ra se dedi­ca a outros pro­je­tos para a Batuta, como dois docu­men­tá­ri­os: um sobre o jor­na­lis­ta e pes­qui­sa­dor Lúcio Rangel, cujo cen­te­ná­rio se com­ple­ta ago­ra em maio. E outro, amplo, sobre Cole Porter, pre­vis­to para setem­bro e outu­bro. O com­po­si­tor ame­ri­ca­no mor­reu há 50 anos.

Enquanto os docu­men­tá­ri­os não che­gam, pode-se ouvir como e por que nas­ce­ram algu­mas das melho­res can­ções bra­si­lei­ras.

Luiz Fernando Vianna é coor­de­na­dor de inter­net do IMS.

, , , , , , ,