Equipe IMS

Urgentes, na contramão

José Geraldo Couto

12.05.17

Não há tempo nem espaço para abordar todos os filmes relevantes em cartaz. Cabe então falar dos mais urgentes, isto é, daqueles que, por trafegarem na contramão do mercado, correm o risco de ser logo expelidos do circuito exibidor: Beduíno, o novo filme de Julio Bressane, Éden, de Bruno Safadi, e o documentário Crônica da demolição, de Eduardo Ades.

Crônica da demolição

Eduardo Ades

10.05.17

A história do Palácio Monroe é relativamente conhecida por todos que se interessam pela história do Rio de Janeiro ou por arquitetura. Eu me lembro de, criança, minha mãe me apontar a praça vazia e contar que ali existia um palácio. Acontece que, tanto para mim, como para a maioria das pessoas que conhece o caso, o Palácio Monroe faz parte das mitologias da cidade. A gente sabe que existiu esse prédio e que nenhuma explicação satisfatória foi dada para a sua demolição - e seguimos assim.

Um país malvado

José Geraldo Couto

14.04.17

“O Brasil é um país malvado”, disse o exibidor Adhemar de Oliveira durante um debate sobre “Aquarius” em São Paulo, há um ano. Dois novos filmes permitem entender – e comprovar – essa frase terrível: o documentário Martírio, de Vincent Carelli, e a ficção Joaquim, de Marcelo Gomes.

O país que poderia ter sido

José Geraldo Couto

07.04.17

Antonio Pitanga é um ator intuitivo, vigoroso, que justifica o clichê “força da natureza”. Como retratar num documentário as várias dimensões desse singular artista? O caminho escolhido pelos diretores Beto Brant e Camila Pitanga foi fazer um filme com Antonio Pitanga, mais do que sobre Antonio Pitanga. Em Pitanga, é o próprio ator que conduz a narrativa.

Vinicius e Susana em Bolonha

Equipe IMS

23.03.17

O DVD de Vinicius de Moraes, um rapaz de família, documentário de Susana Moraes lançado pelo IMS em versão restaurada e masterizada digitalmente, está entre os finalistas do XIV Il Cinema Ritrovato DVD Awards.

Um crítico em meio ao todo

Orlando Margarido

21.03.17

Tome-se aleatoriamente um ensaio de José Carlos Avellar e será possível detectar muitas das características de seu pensamento e ofício. A análise crítica, seja relativa a um período cinematográfico, seja específica a um filme, era uma delas. Era frequente o crítico adotar o registro pontual para chegar ao mais amplo. Afrontava seu tema não numa análise fechada em si, mas em variado "diálogo" com textos e entrevistas de pares teóricos e realizadores. Avellar fazia ecoar, assim, pontos de vista convergentes ou divergentes a uma tese. Esse procedimento singular de análise foi sendo estabelecido e aperfeiçoado aos poucos.

Maloca moderna

José Geraldo Couto

17.03.17

Era o Hotel Cambridge, de Eliane Caffé, é, de certa forma, o adendo que faltava ao clássico de Adoniran Barbosa, "Saudosa maloca". Poucos filmes podem ser considerados mais atuais. O que vemos ali é a crônica, entre a ficção e o documentário, do dia a dia de uma “ocupação” no centro de São Paulo, às vésperas da sua “reintegração de posse”, eufemismo para despejo.

Risco e controle

José Geraldo Couto

14.02.17

Estão em cartaz dois belos filmes brasileiros que, por seus contrastes, mostram a diversidade de caminhos que o cinema pode seguir, sem que um deles seja necessariamente mais correto ou oportuno do que outro. Estou falando de Redemoinho (foto), estreia cinematográfica do aclamado diretor de minisséries televisivas José Luiz Villamarim (Justiça, Amores roubados), e de A cidade onde envelheço, primeiro longa-metragem de ficção de Marília Rocha, conhecida por ensaios poético-documentais como Aboio e A falta que me faz.

Comunicar o incomum

Equipe IMS

30.01.17

Qual o sentido da vida? A pergunta que todo ser humano se faz, pelo menos uma vez ao longo de sua existência, não tem uma única resposta. Se é que comporta alguma resposta. Foi a partir desta indagação, contudo, que o diretor Carlos Nader começou a filmar, em 1995, o documentário Homem comum (2014), novo título da coleção de DVDs do IMS. Durante quase 20 anos Nader acompanhou o caminheiro paranaense Nilson de Paula, registrando suas viagens e a vida em família, e compôs um retrato ao mesmo tempo particular e universal do cotidiano corriqueiro atravessado pela proposição de uma questão metafísica, grandiosa, e nunca resolvida.

Tiradentes, o anti-Oscar

José Geraldo Couto

27.01.17

Não vamos falar, ao menos por enquanto, dos famigerados “filmes do Oscar”, que inundam as telas e a mídia todo início de ano. Tem tempo para isso. Hoje é dia de falar da Mostra de Cinema de Tiradentes, a pleno vapor em sua vigésima edição. Entre os festivais brasileiros, é o que aposta mais radicalmente no cinema autoral, de invenção, de experiência, ou seja lá como se queira chamar esse punhado de filmes estranhos ao mercado e avessos às classificações.