Simbiose do som

Em cartaz

22.09.16

O públi­co tem até o dia 20 de novem­bro para con­ferir no Insti­tu­to Mor­eira Salles do Rio de Janeiro a sim­biose entre arquite­tu­ra e sonori­dade pro­movi­da pelo  albanês Anri Sala na casa da Gávea. Para quem ain­da não con­hece o tra­bal­ho do artista, a exposição Anri Sala – O momen­to pre­sente fun­ciona como um efi­ciente cartão de vis­i­tas de uma obra múlti­pla, que mis­tu­ra vídeo, insta­lação, fotografia e obje­tos. Nes­ta entre­vista fei­ta pela curado­ra da mostra, Heloisa Espa­da (em vídeo de Lau­ra Liuzzi), Sala vol­ta a falar da importân­cia dos espaços físi­cos e dos sons em seu tra­bal­ho, do impacto que a beleza da casa provo­cou nele, e de como pen­sou a mostra a par­tir des­ta forte impressão.

A primeira pro­pos­ta do artista foi cri­ar uma inter­ação entre as partes inter­nas e exter­nas da casa e, com isso, mudar o per­cur­so nat­ur­al de vis­i­tação. Não para recom­por as áreas, como ele mes­mo diz, “pois são belas como foram cri­adas pelo arquite­to”, e sim para “atrav­es­sá-las e com­por a tra­jetória pos­sív­el do vis­i­tante”. Para ele, esse encon­tro entre obra e públi­co exerci­ta a sub­je­tivi­dade de cada um, pos­si­bil­i­tan­do o surg­i­men­to de várias e úni­cas maneiras de “apre­ciar, com­preen­der ou entrar em con­ta­to com a exposição”.

Quem per­corre a mostra no IMS percebe como o som é parte indis­so­ciáv­el do tra­bal­ho de Sala. Ela está pre­sente nos vídeos Answer me, Long sor­row, Le Clash e Tlatelol­co Clash, entre out­ras obras. Na entre­vista ele tam­bém abor­da a questão do som, para ele igual­mente lig­a­da à ideia do momen­to, o momen­to pre­sente, que per­pas­sa toda sua pro­dução. “O som é sem­pre um ele­men­to impor­tante no iní­cio das min­has ideias, mas tam­bém no modo com que ele chega ao ouvinte. Esse modo não depende ape­nas de como o som foi grava­do, mas tam­bém de como ele é reen­ce­na­do no local da exposição”. Um con­ceito que fica mais evi­dente na insta­lação Dol­drums, em que as baque­tas insta­l­adas em qua­tro tam­bores pen­dura­dos de cabeça para baixo no teto vibram a par­tir de uma tril­ha com­pos­ta por Sala em sua bus­ca, como ele diz, de “tornar o som visív­el”.  “Sem­pre tra­bal­ho como se a músi­ca fos­se um ser. Faço coisas com a músi­ca como faço coisas com um ser.”

, , , , ,