Ficção e memória
José Geraldo Couto
17.06.16
Dois filmes brasileiros muito fortes estão entrando em cartaz: Big Jato, de Cláudio Assis, e Trago comigo, de Tata Amaral. O que eles têm em comum, a despeito de suas diferenças radicais, é o fato de lidarem com a memória como tema e como elemento de construção narrativa. Em Trago Comigo o assunto, grosso modo, é a ditadura militar que vigorou no Brasil entre 1964 e 1985. Mais especificamente, a brutalidade da repressão aos que se opunham a ela nos chamados “anos de chumbo” (final da década de 60, início da de 70). Dito assim, soa um tanto déjà-vu. Mas é aí que o filme dá mais uma volta no parafuso, ganhando em contundência política e relevância estética.
As crianças invisíveis
José Geraldo Couto
10.06.16
Campo Grande, de Sandra Kogut, rompe com nossa indiferença passiva diante das crianças pobres ao trazer para diante dos nossos olhos dois desses pequenos seres, os irmãos Ygor (Ygor Manoel), de uns oito anos, e Rayane (Rayane do Amaral), de uns seis. Eles aparecem de surpresa no apartamento de Regina (Carla Ribas), uma mulher de classe média e meia-idade, que não sabe quem são e nem o que fazer com eles. Se Sandra Kogut já demonstrara, em Mutum (2007), uma grande competência para dirigir crianças, aqui esse talento se mostra prodigioso: raras vezes se viu na tela um desempenho tão crível e pungente como o de Ygor e Rayane.
Festival Varilux no IMS
Equipe IMS
09.06.16
Começou na última quarta, dia 8 de junho, em 50 cidades brasileiras, a edição 2016 do Festival Varilux de Cinema Francês. Já consagrado como um dos principais eventos difusores da cultura francesa no Brasil, neste ano o festival terá o dobro da duração: serão duas semanas, até o dia 22 de junho. O Instituto Moreira Salles participará do festival a partir desta quinta-feira, dia 9 de junho, nos centros culturais do Rio de Janeiro e de Poços de Caldas. Confira a programação!
Oscilação da luz
Bernardo Carvalho
08.06.16
Chantal Akerman se matou dezoito meses depois da morte da mãe. Sofria de crises de depressão. A simbiose com a mãe era uma questão permanente em seus filmes. O silêncio da mãe sobre a experiência nos campos acabou encontrando na imagem dos filmes da filha, como Não é um filme caseiro, uma forma de expressão possível, como se os filmes fossem uma forma substituta, alternativa, de dizer esse silêncio.
Encontros com Avellar
Lauro Escorel
04.04.16
"Nossos primeiros encontros se deram em meados dos anos sessenta, no balcão do laboratório 16mm que existia na Rua Alice, em Laranjeiras. Fazíamos, então, nossos primeiros filmes para o festival de cinema amador promovido pelo Jornal do Brasil". O cineasta e diretor de fotografia Lauro Escorel roteiriza em artigo os quase 50 anos de convívio profissional e afetivo com José Carlos Avellar.
O tubarão no aquário
José Carlos Avellar
24.04.14
O IMS lança em DVD o filme Diário 1973-1983, do cineasta David Perlov (1930-2003). Neste documentário, Perlov filma durante dez anos seu cotidiano, sua família, seus amigos e viagens que fez, especialmente para a França e para o Brasil.
O documentário como possibilidade de conhecimento
Equipe IMS
10.04.13
Vladimir Carvalho, diretor de Conterrâneos velhos de guerra (lançamento em DVD pelo IMS), revela a Amir Labaki a origem e a evolução de sua paixão pelo cinema, especialmente pelo documentário e suas possibilidades estéticas e metafísicas.
“Shoah” em debate: Eduardo Coutinho, Eduardo Escorel e João Moreira Salles
Equipe IMS
01.11.12
O Instituto Moreira Salles lançou no dia 26 de outubro uma coleção de DVDs que terá como primeiro título Shoah, documentário do francês Claude Lanzmann sobre o extermínio dos judeus durante a Segunda Guerra Mundial. Por ocasião do lançamento, realizou-se no IMS-RJ um debate entre João Moreira Salles, Eduardo Coutinho e Eduardo Escorel sobre a impressionante obra de Lanzmann.
Minnesota Nice e o cinismo alto astral dos irmãos Coen
Alexandre Matias e Heloisa Lupinacci
09.08.12
Começa nesta sexta-feira (10/8), no CineSESC, a retrospectiva Irmãos Coen - Duas Mentes Brilhantes, que se dispõe a passar toda a filmografia daqueles que talvez sejam os maiores diretores do atual cinema norte-americano. Ethan e Joel Coen dividem suas funções respectivamente como produtor e diretor de todos seus filmes por questões puramente técnicas.
A linguagem do cinema
Geraldo Sarno
02.09.11
Uma nova proposta de linguagem cinematográfica paira sobre nosso cinema. Em Belo Horizonte, Fortaleza, Rio de Janeiro, Recife, Porto Alegre, São Paulo e Bahia, uma nova geração de cineastas rompe com as formas construídas desde o início dos anos 60, rompe com as formas estabelecidas pela mídia a reboque de Hollywood e inaugura uma nova maneira de articular a linguagem cinematográfica. Creio que seu objetivo central é fazer o cinema pensar, fazer do cinema uma linguagem que pensa. Uma arte do pensar.
