Ficção, compadrio e as tias — Beatriz Resende e Alcir Pécora

Vídeos

04.04.11

Neste ter­cei­ro deba­te da seção “Desentendimento”, os crí­ti­cos lite­rá­ri­os Beatriz Resende e Alcir Pécora refle­tem sobre a lite­ra­tu­ra bra­si­lei­ra con­tem­po­râ­nea. A medi­a­ção ficou a car­go de Paulo Roberto Pires, edi­tor da revis­ta ser­ro­te. A cada mês, o lei­tor encon­tra­rá no blog um deba­te em vídeo em que os con­vi­da­dos apre­sen­tam opi­niões diver­gen­tes sobre um tema pro­pos­to pela revis­ta serro­te.

 

Blocos I e II

 

Ao pen­sar sobre o pano­ra­ma da lite­ra­tu­ra con­tem­po­râ­nea não ape­nas bra­si­lei­ra, Alcir Pécora afir­ma que o ame­ri­ca­no Paul Auster é um autor medío­cre, que vive “da ten­ta­ti­va canhes­tra de pare­cer enga­ja­do”. Pécora refe­re-se espe­ci­fi­ca­men­te ao roman­ce Invisível, em que Auster esta­ria ree­la­bo­ran­do ques­tões como o “colo­ni­a­lis­mo de má cons­ci­ên­cia” ou “refa­zen­do luga­res-comuns e pro­du­zin­do um roma­nes­co do inces­to”. Em segui­da, o ale­mão Bernhard Schlink é vis­to com reser­vas pelo crí­ti­co. Seu famo­so livro O lei­tor ope­ra­ria um tema gra­ve (o nazis­mo) para cri­ar, no fun­do, uma his­tó­ria dete­ti­ves­ca per­me­a­da por cli­chês. Esses são dois exem­plos em que Pécora iden­ti­fi­ca um esgo­ta­men­to do dis­cur­so fic­ci­o­nal.

 

No blo­co seguin­te, Beatriz Resende cha­ma a aten­ção para o ris­co de com­pa­rar auto­res de ori­gens lite­rá­ri­as dife­ren­tes, uma vez que have­ria um con­fron­to desi­gual de pro­du­ção. E diz acre­di­tar não ser mais pos­sí­vel haver uma lite­ra­tu­ra naci­o­nal, uma vez que o escri­tor está sem­pre sujei­to a con­ta­mi­na­ções de diver­sas téc­ni­cas e lin­gua­gens. Já Pécora rea­fir­ma ver a impos­si­bi­li­da­de de cri­a­ção de uma nova lite­ra­tu­ra. E desau­to­ri­za o rótu­lo Geração 90 atri­buí­do a um gru­po de escri­to­res pau­lis­tas, já que seus auto­res não teri­am pro­mo­vi­do uma rup­tu­ra ver­da­dei­ra com mode­los ante­ri­o­res.

 


 

Blocos IIIIV

 

Depois das res­tri­ções fei­tas à Geração 90 e ao cor­po­ra­ti­vis­mo entre os escri­to­res bra­si­lei­ros, o ter­cei­ro seg­men­to avan­ça esse deba­te. Ambos os crí­ti­cos con­de­nam a ausên­cia do emba­te de idei­as entre os auto­res e a rela­ção de cum­pli­ci­da­de que man­têm. “O lugar da lite­ra­tu­ra virou o lugar das tias”, diz Pécora. Para Beatriz Resende, além de alguns gru­pos com­bi­na­rem elo­gi­os mútu­os, che­gam a for­mam “gan­gues”, que podem iso­lar um escri­tor da mídia.

 

No quar­to blo­co, os deba­te­do­res refle­tem sobre um tema cru­ci­al: a opo­si­ção entre estí­mu­los para o con­su­mo de livros e meca­nis­mos para a for­ma­ção de lei­to­res. O papel da crí­ti­ca e da uni­ver­si­da­de para pen­sar a lite­ra­tu­ra con­tem­po­râ­nea é o tema que fecha o encon­tro.

 

 

 

 

 

Desdobramentos e rea­ções ao deba­te aqui e aqui.

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