Na lista negra

Em cartaz

16.09.16

Hollywood ver­me­lha (EUA, 1996. 114’), fil­me nas­ci­do a par­tir de um arti­go de Thom Andersen do mes­mo nome, inte­gra a mos­tra Hollywood e além: o cine­ma inves­ti­ga­ti­vo de Thom Andersen e será exi­bi­do na pró­xi­ma ter­ça, dia 20/9.”. Em car­taz no cine­ma do IMS-RJ de 15 a 21 de setem­bro, a mos­tra con­ta com 19 fil­mes entre lon­gas e cur­tas-metra­gens que cele­bram a obra de Thom Andersen, um dos mais impor­tan­tes cine­as­tas ame­ri­ca­nos da atu­a­li­da­de, e de artis­tas vin­cu­la­dos a ele. 

 

Durante a déca­da de 1950 (e duran­te gran­de par­te dos anos 1960), mui­tos esquer­dis­tas ame­ri­ca­nos foram impe­di­dos
 de tra­ba­lhar na indús­tria cine­ma­to­grá­fi­ca de Hollywood. Eles foram semi­o­fi­ci­al­men­te colo­ca­dos em uma lis­ta negra. Homens e mulhe­res se encon­tra­vam nes­sa Lista Negra (colo­ca­da em prá­ti­ca pelos estú­di­os e sin­di­ca­tos atra­vés do Motion Picture Industry Council) por­que havi­am sido iden­ti­fi­ca­dos como mem­bros do Partido Comunista dos EUA por infor­man­tes que tes­te­mu­nha­ram peran­te o Comitê de Atividades Antiamericanas (um comi­tê inves­ti­ga­ti­vo orga­ni­za­do pela Câmara dos Deputados do Congresso dos EUA) e/ou por­que eles se recu­sas­sem a rene­gar suas cren­ças polí­ti­cas e asso­ci­a­ções para se tor­na­rem infor­man­tes.

A Lista Negra de Hollywood foi par­te de uma pur­ga­ção polí­ti­ca sutil e malé­fi­ca que des­truiu a influên­cia da esquer­da na polí­ti­ca e na cul­tu­ra ame­ri­ca­na. Essa pur­ga­ção é hoje cha­ma­da de McCartismo, que a con­de­na mas tam­bém a tor­na tri­vi­al. O Senador Joseph McCarthy  mais tar­de se jun­tou à pur­ga­ção anti­co­mu­nis­ta, em 1950, depois de ter­mi­nar seu prin­ci­pal tra­ba­lho,  com acu­sa­ções lou­cas e geral­men­te fal­sas sobre a influên­cia comu­nis­ta nas rela­ções exte­ri­o­res e mili­ta­res dos EUA. E ele a aban­do­nou cedo, em 1954, após seus anti­gos ali­a­dos no Partido Republicano terem-no repu­di­a­do. Mas deu à pur­ga­ção uma aura de exces­so, que a per­mi­tiu ser assi­mi­la­da na mito­lo­gia padrão da his­tó­ria ame­ri­ca­na.

Nessa mito­lo­gia, con­de­na­mos os mei­os pelos quais a nação foi cons­ti­tuí­da enquan­to cele­bra­mos o resul­ta­do; hon­ra­mos as víti­mas da his­tó­ria enquan­to con­so­li­da­mos suas der­ro­tas. É assim com a “Instituição pecu­li­ar” da escra­vi­dão. É assim com a des­trui­ção dos colo­ni­za­do­res anti­gos não euro­peus do con­ti­nen­te nor­te-ame­ri­ca­no (as peque­nas nações e con­fe­de­ra­ções que um dia foram cha­ma­das de “tri­bos indí­ge­nas” e, mais recen­te­men­te, embo­ra não menos pre­ci­so , “nati­vo-ame­ri­ca­nos” ou “povos indí­ge­nas”). É assim com as guer­ras expan­si­o­nis­tas que trou­xe­ram um sudo­es­te e seus ter­ri­tó­ri­os extra­con­ti­nen­tais para os EUA. É assim com as repres­sões polí­ti­cas pre­ven­ti­vas do sécu­lo XX.

Martin Luther King Jr. é o úni­co ame­ri­ca­no ao qual um feri­a­do naci­o­nal é dedi­ca­do. Malcolm X, Frederick Douglass e Paul Robeson apa­re­cem em selos, enquan­to os des­cen­den­tes espi­ri­tu­ais de seus ini­mi­gos coman­dam o país. As víti­mas da Lista Negra são hon­ra­das como már­ti­res heroi­cos e os infor­man­tes des­gra­ça­dos são odi­a­dos, enquan­to um dos prin­ci­pais pon­tos de refe­rên­cia da Lista Negra, e seu mais pas­si­o­nal defen­sor, Ronald Reagan, é elei­to pre­si­den­te dos EUA (seu papel na Lista Negra nun­ca foi um assun­to em suas cam­pa­nhas polí­ti­cas).

Então, as víti­mas da Lista Negra se trans­for­ma­ram em ame­ri­ca­nos desa­pa­re­ci­dos, como os nobres sel­va­gens e os escra­vos estoi­cos, figu­ras rudi­men­ta­res em um mito que os ide­a­li­za enquan­to rebai­xa ou igno­ra seus ver­da­dei­ros tra­ba­lhos e aspi­ra­ções. O mito da Lista Negra tor­na difí­cil a com­pre­en­são do que esta­va em jogo naque­le momen­to, e o que pode ser ganho ago­ra, a par­tir de uma rea­bi­li­ta­ção rea­lis­ta de suas víti­mas.

Mais esta­va em jogo na déca­da de 1950 do que a car­rei­ra de algu­mas cen­te­nas de artis­tas cine­ma­to­grá­fi­cos. E a des­trui­ção des­sas car­rei­ras não foi uma per­se­gui­ção cru­el, sem cui­da­do e inú­til. Foi o resul­ta­do neces­sá­rio de um con­tra-ata­que pla­ne­ja­do e exe­cu­ta­do com inte­li­gên­cia da direi­ta ame­ri­ca­na para esca­par da som­bra dos regi­mes euro­peus fas­cis­tas der­ro­ta­dos e desa­cre­di­ta­dos.

A linha bási­ca era belis­si­ma­men­te sim­ples: comu­nis­mo é o fas­cis­mo ver­me­lho. Se essa equa­ção se sus­ten­tas­se, então toda a ener­gia uni­da con­tra os nazis­tas e seus ali­a­dos pode­ria ser redi­re­ci­o­na­da con­tra a esquer­da. O pres­tí­gio que os comu­nis­tas e seus ali­a­dos ganha­ram pela sua luta deter­mi­na­da con­tra o fas­cis­mo pode­ria ser nega­do, e uma nova direi­ta pode­ria ser cri­a­da dos res­tos de for­ma­ções de direi­ta pré-fas­cis­tas. A Grécia era o exem­plo. A resis­tên­cia anti­fas­cis­ta seria esma­ga­da, ape­nas para res­tau­rar uma monar­quia deca­den­te.

Cena de "O mundo não perdoa"

O mun­do não per­doa” (1949), escri­to por Ben Maddow, adap­ta­do de um roman­ce de William Faulkner

Então, os Estados Unidos da América pode­ri­am tomar da siti­a­da Grã-Bretanha o pro­te­to­ra­do da nova direi­ta gre­ga, que de fato incluía vári­os cola­bo­ra­do­res nazis­tas  ̶   a Doutrina Truman foi pro­mul­ga­da em mar­ço de 1947. Assim, come­çou uma série sem pre­ce­den­tes de inter­ven­ções dos EUA, em guer­ras civis e elei­ções estran­gei­ras, tudo em nome do anti­co­mu­nis­mo, ampla­men­te cri­ti­ca­das hoje (enquan­to a nova ordem mun­di­al que eles garan­ti­ram é acei­ta com gra­ti­dão).

O coro­lá­rio domés­ti­co da Doutrina Truman era a pur­ga­ção dos comu­nis­tas e de seus com­pa­nhei­ros de via­gem (quer dizer, pes­so­as de esquer­da que cola­bo­ra­ram com eles de uma manei­ra ou de outra) de todas as áre­as de influên­cia na soci­e­da­de ame­ri­ca­na. Nove dias após o seu cla­mor por inter­ven­ção na Grécia, Truman auto­ri­zou uma inves­ti­ga­ção das asso­ci­a­ções polí­ti­cas de todos os empre­ga­dos civis do gover­no fede­ral. Essas “revi­sões de leal­da­de” eram mui­to mais exten­sas do que qual­quer uma já fei­ta duran­te o perío­do de guer­ras. Até 1956,  2.700  ser­vi­do­res civis foram dis­pen­sa­dos, e 12.000 foram for­ça­dos a renun­ci­ar. Em junho de 1947, o Congresso dos EUA pas­sou o Ato Taft-Hartley, que reque­ria que todos os ofi­ci­ais de sin­di­ca­tos, de pre­si­den­tes de sin­di­ca­tos até tesou­rei­ros, assi­nas­sem uma decla­ra­ção ofi­ci­al dizen­do que não eram comu­nis­tas – sob pena de per­jú­rio. O Ato Taft-Hartley teve o efei­to dese­ja­do de colo­car sin­di­ca­lis­tas con­ser­va­do­res con­tra sin­di­ca­lis­tas radi­cais e dar aos con­ser­va­do­res uma vitó­ria pir­rô­ni­ca. Então, em outu­bro de 1947, o comi­tê de ati­vi­da­des não ame­ri­ca­nas lan­çou publi­ca­men­te sua inves­ti­ga­ção sobre a “Infiltração comu­nis­ta da indús­tria cine­ma­to­grá­fi­ca de Hollywood”, come­çan­do, assim, a fase cul­tu­ral da pur­ga­ção.

Houve uma pré­via em setem­bro, em que o comi­tê inter­ro­gou o com­po­si­tor imi­gran­te Hanns Eisler,  exi­la­do em Malibu, des­de 1941, e  autor de tri­lhas sono­ras para oito fil­mes de Hollywood. Quando infor­ma­do pelo con­se­lhei­ro do Comitê Robert Stripling que era con­si­de­ra­do “o Karl Marx da músi­ca”, res­pon­deu: “eu me sen­ti­ria lison­je­a­do”. Ele foi depor­ta­do dos Estados Unidos em mar­ço de 1948.

Eisler não foi ques­ti­o­na­do sobre suas tri­lhas sono­ras de Hollywood, mas, um mês depois, per­gun­ta­ram a Bertoldt Brecht sobre a letra da “Solidarity Song”, que ele escre­veu com Eisler. Brecht foi um dos deze­no­ve escri­to­res e dire­to­res de Hollywood inti­ma­dos pelo Comitê para res­pon­de­rem a uma sim­ples ques­tão: “Você é ou já foi um mem­bro do par­ti­do comu­nis­ta?” De acor­do com o ocor­ri­do, as audi­ên­ci­as públi­cas não foram bem-suce­di­das para o Comitê, e foram abor­ta­das, de manei­ra que ape­nas onze des­sas deze­no­ve tes­te­mu­nhas em poten­ci­al foram cha­ma­das para tes­te­mu­nhar. Dessas onze, ape­nas Brecht res­pon­deu nega­ti­va­men­te à per­gun­ta pri­má­ria do Comitê, , e então foi inda­ga­do por qua­ren­ta minu­tos sobre suas peças edu­ca­ti­vas, mas não sobre seu úni­co rotei­ro que virou um fil­me de Hollywood, Os Carrascos Também Morrem (1943), de Fritz Lang. O diá­lo­go deve ter soa­do extre­ma­men­te abs­tra­to, uma vez que nenhu­ma das peças dis­cu­ti­das havia sido apre­sen­ta­da ou publi­ca­da nos EUA.

Os outros dez ale­ga­ram que per­gun­tas sobre suas afi­li­a­ções polí­ti­cas (assim como aque­las sobre sin­di­ca­lis­mo dire­ci­o­na­das a alguns deles) anu­la­vam o direi­to de asso­ci­a­ção livre garan­ti­do pela Primeira Emenda da Constituição dos EUA. Dessa manei­ra, eles não eram legal­men­te obri­ga­dos a res­pon­dê-las; na ver­da­de, eram impe­li­dos por for­ça de cons­ci­ên­cia a não res­pon­dê-las, para rea­fir­mar a liber­da­de ame­a­ça­da pelo Comitê. Como Ring Lardner Jr. colo­cou, “Eu pode­ria res­pon­der a essa per­gun­ta, mas eu me odi­a­ria pela manhã.”

O Comitê colo­cou devi­da­men­te nos regis­tros cópi­as de seus car­tões de mem­bros do Partido Comunista, obti­dos no “Esquadrão Vermelho” do Departamento de Polícia de Los Angeles, e os acu­sa­ram de deso­be­di­ên­cia cri­mi­nal ao Congresso. Um mês depois, os finan­cis­tas que tinham con­tro­le total dos estú­di­os cine­ma­to­grá­fi­cos se encon­tra­ram em New York City e ins­ti­tuí­ram uma lis­ta negra con­tra os “Dez de Hollywood”. O seu por­ta-voz, Eric Johnston, pre­si­den­te da Motion Picture Association of America, anun­ci­ou a nova polí­ti­ca: “Nós vamos, a par­tir de ago­ra, demi­tir… aque­les por nós empre­ga­dos, e não  read­mi­ti­re­mos nenhum dos Dez até que seja absol­vi­do ou este­ja livre da acu­sa­ção de desa­ca­to e declar sob jura­men­to que não é comu­nis­ta. Não empre­ga­re­mos, cons­ci­en­te­men­te, um comu­nis­ta ou um mem­bro de qual­quer par­ti­do ou gru­po que advo­gue a der­ru­ba­da do gover­no dos Estados Unidos, por for­ça ou por méto­dos ile­gais e incons­ti­tu­ci­o­nais”.

O Comitê havia ven­ci­do, e os estú­di­os ven­ce­ram, ape­sar de terem sacri­fi­ca­do os prin­cí­pi­os que havi­am pro­cla­ma­do antes das audi­ên­ci­as. Em seu depoi­men­to públi­co, Johnston pode­ria adi­ci­o­nar: “nada sub­ver­si­vo ou anti­a­me­ri­ca­no jamais apa­re­ceu na tela”. Na ver­da­de, o Comitê pro­vou ser ine­fi­caz em seus esfor­ços para moni­to­rar o con­teú­do de fil­mes.

Em 1947, os mem­bros de sua equi­pe havi­am recru­ta­do uma tes­te­mu­nha espe­ci­a­lis­ta na qual eles não con­fi­a­vam: a nove­lis­ta e rotei­ris­ta Ayn Rand, cuja visão sobre a ques­tão de pro­pa­gan­da era um pou­co idi­os­sin­crá­ti­ca para o Comitê. Ela havia se pre­pa­ra­do para tes­te­mu­nhar sobre dois fil­mes: Os melho­res anos de nos­sas vidas (1946) e Canção da Rússia (1944), mas foi ques­ti­o­na­da ape­nas em rela­ção ao últi­mo. Membros do Comitê con­si­de­ra­ram poli­ti­ca­men­te pre­ci­pi­ta­do qua­li­fi­car como pro­pa­gan­da comu­nis­ta um fil­me libe­ral popu­lar e ama­do (em mar­ço de 1947, Os melho­res anos de nos­sas vidas havia ven­ci­do sete prê­mi­os da Academia), espe­ci­al­men­te por­que  nenhum comu­nis­ta este­ve envol­vi­do em sua cri­a­ção. Rand acre­di­ta­va que o fil­me man­cha­va a pro­fis­são ban­cá­ria ao suge­rir que, ao con­si­de­rar pedi­dos de emprés­ti­mo, ban­quei­ros devi­am levar em con­si­de­ra­ção o cará­ter e o his­tó­ri­co mili­tar dos soli­ci­tan­tes, assim como seus recur­sos estri­ta­men­te finan­cei­ros. Para uma cren­te na ide­o­lo­gia “a ganân­cia é boa”, isso fazia total sen­ti­do, mas o Comitê sen­tiu que mui­tos ame­ri­ca­nos ain­da pin­ta­vam sua raci­o­na­li­da­de econô­mi­ca com sen­ti­men­to, ou, como Rand defi­ni­ria, sen­ti­men­ta­lis­mo.

Até seu tes­te­mu­nho sobre Canção da Rússia, um musi­cal de pro­pa­gan­da pró-sovié­ti­ca, no perío­do de guer­ra e escri­to por dois comu­nis­tas, Richard Collins e Paul Jarrico, que ela con­si­de­ra­va um alvo fácil demais, não foi intei­ra­men­te bem rece­bi­do. Ela ridi­cu­la­ri­zou o fil­me por pre­su­mir que a feli­ci­da­de ain­da exis­tia na Rússia, pelo menos nos meses antes do ata­que nazis­ta. Os figu­ran­tes e as “estre­las” esta­vam sem­pre sor­rin­do, e esses sor­ri­sos a irri­ta­vam. Ela reto­mou esse assun­to tan­tas vezes que levan­tou o ceti­cis­mo do mem­bro de uma mino­ria (isto é, o par­ti­do Democrata) do Comitê, que per­gun­tou: “As pes­so­as nun­ca sor­ri­em na Rússia?”

Ainda assim, dez almas desa­for­tu­na­das foram sacri­fi­ca­das em 1947, e sem dúvi­da algu­ma gran­de par­te dos che­fes de estú­di­os espe­ra­va que isso fos­se sufi­ci­en­te para apa­zi­guar essa inqui­si­ção. Por três anos, fun­ci­o­nou. O Comitê des­co­briu um bode expi­a­tó­rio mais con­sis­ten­te em Alger Hiss, um espião ver­me­lho real (ou assim foi defi­ni­do por Whittaker Chambers, um ver­da­dei­ro inte­lec­tu­al ex-comu­nis­ta – 65 anos depois, suas ale­ga­ções ain­da são con­tro­ver­sas.). O caso Hiss trans­for­mou um jovem pou­co expres­si­vo cha­ma­do Richard Nixon em uma estre­la polí­ti­ca, enquan­to as audi­ên­ci­as de Hollywood cons­tran­ge­ram a todos, de ambos os lados (Nixon foi sufi­ci­en­te­men­te inte­li­gen­te para assu­mir um papel dis­cre­to).

Quando Hiss foi final­men­te con­de­na­do por per­jú­rio por negar as acu­sa­ções de Chambers, o Comitê reto­mou suas inves­ti­ga­ções de Hollywood em abril de 1951, des­sa vez sem pre­ten­são de expor pro­pa­gan­da comu­nis­ta em fil­mes, mas ape­nas para refor­çar uma pur­ga­ção. Agora, pode­ria recru­tar infor­man­tes ex-comu­nis­tas para aju­dar a legi­ti­mar seu tra­ba­lho, incluin­do um cas­to Edward Dmytryk, um dos “Dez de Hollywood” ori­gi­nais. Existia uma fal­sa impres­são de que esses infor­man­tes esta­vam pro­vi­den­ci­an­do con­clu­sões sobre as ope­ra­ções do par­ti­do Comunista em Hollywood, mas o regis­tro das audi­ên­ci­as públi­cas é impres­si­o­nan­te­men­te esté­ril. O que o Comitê que­ria, e con­se­guiu, foi o nome de víti­mas para as pur­ga­ções. Na ver­da­de, quan­do o Comitê lan­çou seu rela­tó­rio final sobre as inves­ti­ga­ções de Hollywood, não era nada mais que uma lis­ta de nomes, por ordem alfa­bé­ti­ca, de todas as figu­ras apon­ta­das como comu­nis­tas nas audi­ên­ci­as públi­cas em uma colu­na e os nomes de seus acu­sa­do­res em outra colu­na à direi­ta.  

Após abril de 1951, a Lista Negra se espa­lhou rapi­da­men­te. Em The Great Fear (1979), David Caute ofe­re­ceu uma “con­ta­gem de víti­mas”: “Aproximadamente 250 foram acu­sa­dos e 100 colo­ca­dos sob sus­pei­ta… Em meio às tes­te­mu­nhas nada ami­gá­veis da HUAC, 60 ou 70 esta­vam lis­ta­das, enquan­to mais de 120, que foram nome­a­das mas não indi­ci­a­das, tam­bém caí­ram para o sub­mun­do. Essas que foram colo­ca­das sob sus­pei­ta eram nor­mal­men­te as víti­mas de rumo­res ou cul­pa­das por asso­ci­a­ção remo­ta”. Mas, essas eram ape­nas as víti­mas mais pro­e­mi­nen­tes, o talen­to “de pri­mei­ra linha”, na lin­gua­gem dos con­ta­do­res de Hollywood. Sua con­ta­gem não inclui os vári­os tra­ba­lha­do­res espe­ci­a­li­za­dos, de mon­ta­do­res a ceno­gra­fis­tas e pin­to­res, que per­de­ram seus empre­gos por suas asso­ci­a­ções polí­ti­cas ou sin­di­ca­lis­tas.

A Lista Negra tocou não só os comu­nis­tas e ex-comu­nis­tas, que eram suas víti­mas pri­má­ri­as, mas toda a esquer­da de Hollywood. A mai­or par­te dos libe­rais de fren­te popu­lar de Hollywood foi para o exí­lio exter­no (com des­ta­que para Chaplin, Welles e John Huston) ou exí­lio inter­no. Informantes dis­pos­tos a des­truir a car­rei­ra de outros para sal­var suas pró­pri­as eram exce­ções, mas era mais fácil abju­rar quan­do a úni­ca lesão fei­ta era a si pró­prio. Atores pro­e­mi­nen­tes de esquer­da foram leva­dos a assi­nar seus nomes em con­fis­sões escri­tas por outros, que con­ta­vam com títu­los como “Como os ver­me­lhos me fize­ram de bobo” (Edward G. Robinson, na American Legion Magazine) ou “Eu fui um bobo por levar um gan­cho de esquer­da” (John Garfield, no Saturday Evening Post).

A Lista Negra nun­ca real­men­te aca­bou, ape­nas sua­vi­zou no fim dos anos 1950. Até lá, qua­se todos os que havi­am sido comu­nis­tas de Hollywood aban­do­na­ram o par­ti­do, e esta­vam dis­pos­tos a reco­nhe­cer sua desi­lu­são com o sta­li­nis­mo, ape­sar de não reco­nhe­cer suas ati­vi­da­des e asso­ci­a­ções com o par­ti­do. Para alguns, isso era o sufi­ci­en­te para retor­nar ao tra­ba­lho. Para outros, demo­ra­ria mais. Para alguns, era tar­de demais. Outros foram bani­dos até mor­rer. O nome de Dalton Trumbo retor­nou às telas em 1960, mas Alfred Levitt ain­da teve que empre­gar um pseudô­ni­mo quan­do escre­veu O mara­vi­lho­so homem que voou, em 1965 (ele usou o nome de seu jovem filho, Tom August, o que cri­ou con­fu­são quan­do o estú­dio ligou no final da tar­de para dis­cu­tir mudan­ças no rotei­ro, ape­nas para ouvir da mãe do escri­tor que o rotei­ris­ta havia ido dor­mir), e o nome de Levitt nun­ca mais apa­re­ceu na tela após 1953. O nome de Hugo Butler apa­re­ceu nova­men­te em 1963; o de Ring Lardner Jr., em 1965; e o de Abraham Polonsky, em 1968, mas a mai­or par­te das víti­mas da Lista Negra não teve nenhum cré­di­to após o iní­cio dos anos 1950, e os que per­ma­ne­ce­ram pró­xi­mos ao par­ti­do con­ti­nu­a­ram bani­dos até o fim de seus dias. 

O que foi per­di­do na fase das pur­ga­ções em Hollywood? Para mui­tos his­to­ri­a­do­res e comen­ta­ris­tas, a res­pos­ta era óbvia: nada. Em Part of Our Time (1955), um ata­que agres­si­vo aos comu­nis­tas de Hollywood publi­ca­do duran­te o auge da Lista Negra, Murray Kempton escre­veu, “quan­do
 a sua pro­va­ção ter­mi­nou, Hollywood per­ma­ne­cia qua­se como sem­pre foi, pri­va­da ape­nas de apro­xi­ma­da­men­te 300 habi­tan­tes… Quando o Comitê de Atividades Antiamericanas veio extir­par… (os comu­nis­tas), a úni­ca coi­sa que nenhum dos seus pio­res ini­mi­gos podia dizer con­tra eles é que dei­xa­ram qual­quer impres­são per­ma­nen­te na tela.” 

Julgamentos simi­la­res foram então ofe­re­ci­dos na defe­sadas víti­mas da Lista Negra. Em Naming Names (1980), uma denún­cia mal­va­da dos infor­man­tes, Victor Navasky escre­veu: “John Howard Lawson, que coman­da­va a fili­al de Hollywood (do Partido Comunista), rapi­da­men­te enten­deu que o pro­ces­so cole­ti­vo de pro­du­ção de um fil­me impe­dia que o rotei­ris­ta, homem infe­ri­or no polo cri­a­ti­vo, influ­en­ci­as­se
 o con­teú­do dos fil­mes.” Lawson escre­veu, uma vez, que “O con­teú­do dos fil­mes é con­tro­la­do exclu­si­va­men­te pelos pro­du­to­res…” Navasky, apa­ren­te­men­te, acha que “con­tro­le” e “influên­cia” são sinô­ni­mos, mas à par­te dis­so, o argu­men­to que ele atri­bui fal­sa­men­te a Lawson não faz sen­ti­do de cara: se um escri­tor não influ­en­cia o con­teú­do dos fil­mes que ele ou ela escre­ve, quem influ­en­cia? Qualquer decla­ra­ção de que o tra­ba­lho das víti­mas da Lista Negra tenha qual­quer tipo de dis­tin­ção, de algu­ma manei­ra com­pro­me­te seu sta­tus de már­ti­res total­men­te ino­cen­tes. Essaé outra mani­fes­ta­ção da mito­lo­gia pecu­li­ar­men­te ame­ri­ca­na men­ci­o­na­da ante­ri­or­men­te: a Lista Negra foi cru­el, e machu­cou mui­tas pes­so­as ino­cen­tes, mas, de algu­ma manei­ra, não teve efei­to algum sobre a evo­lu­ção de nos­sa cul­tu­ra fíl­mi­ca.

Uma res­pos­ta polê­mi­ca é fácil demais. Como o Comitê, eu pode­ria res­pon­der com uma lis­ta de nomes. Se con­si­de­rar­mos ape­nas dire­to­res,o cine­ma dos EUA per­deu Charles Chaplin, Orson Welles, Joseph Losey, Jules Dassin, Abraham Polonsky
 (por vin­te anos), Cyril Endfield, John Berry, Herbert Biberman e Berhard Vorhaus, e as car­rei­ras de vári­os infor­man­tes (Edward Dmytryk, Irving Pichel, Robert Rossen) foram atro­fi­a­das ou dis­tor­ci­das. O “dre­no de talen­to”, que enri­que­ceu Hollywood na déca­da de 1930 e no iní­cio da déca­da de 1940 com refu­gi­a­dos da Europa cen­tral, rever­teu sua dire­ção.

Hollywood Vermelha pro­por­ci­o­na uma res­pos­ta mais con­cre­ta, mes­mo sen­do neces­sa­ri­a­men­te par­ci­al. Os fil­mes extraí­dos dão uma ideia de como os escri­to­res e dire­to­res lis­ta­dos foram capa­zes de res­pon­der, de den­tro do sis­te­ma de estú­di­os de Hollywood, às ques­tões polí­ti­cas de seu tem­po, espe­ci­al­men­te aque­las que eles cha­ma­vam de “ques­tão da mulher”e “ques­tão do negro”. Comunistas ame­ri­ca­nos eram excep­ci­o­nal­men­te sen­sí­veis à miso­gi­nia que domi­na­va a cul­tu­ra dos EUA, e alguns mem­bros do par­ti­do foram expul­sos por suas visões retró­gra­das. Comunistas trans­for­ma­ram Susan Hayworth em um íco­ne femi­nis­ta, e deram a algu­mas outras estre­las femi­ni­nas seus melho­res papéis. Hoje nós pode­mos notar alguns sinais de pro­gres­so: exis­tem mais dire­to­ras tra­ba­lhan­do, mes­mo em Hollywood. E alguns sinais de regres­são: o núme­ro de fil­mes de Hollywood diri­gi­dospor mulhe­res dimi­nuiu nos últi­mos dez anos. Mas, de qual­quer manei­ra, uma cola­bo­ra­ção como a do rotei­ris­ta comu­nis­ta Paul Jarrico e a dire­to­ra libe­ral Ida Lupino, que pro­du­ziu Not Wanted (1949) – no meu pon­to de vis­ta, a gran­de obra-pri­ma do neor­re­a­lis­mo freu­di­a­no-mar­xis­ta de Hollywood – pare­ce qua­se impen­sá­vel hoje. 

Na “ques­tão do negro”, as víti­mas da Lista Negra podem ser con­de­na­das hoje ape­nas pelo seu oti­mis­mo, ape­sar de que, no pas­sa­do, comu­nis­tas eram geral­men­te con­de­na­dos pelo seu pes­si­mis­mo. Terra aben­ço­a­da (1940), diri­gi­do por Bernard Vorhaus, mos­tra a cru­el­da­de arbi­trá­ria da escra­vi­dão e a vita­li­da­de da cul­tu­ra afri­ca­na trans­plan­ta­da pelos escra­vos, mas tam­bém suge­re que um escra­vo­cra­ta bene­vo­len­te pode gerar escra­vos feli­zes. O mun­do não per­doa (1949), adap­ta­do por Ben Maddow, a par­tir do roman­ce de William Faulkner, expôs a lei do lin­cha­men­to sulis­ta, mas ape­nas quan­do ela falha. O pri­mei­ro tra­ta­men­to da jus­ti­ça sulis­ta em Esquecer, nun­ca! (1937), escri­to por Robert Rossen, pare­ce mais afi­a­do: um ambi­ci­o­so advo­ga­do dis­tri­tal rejei­ta a ideia de enqua­drar um zela­dor negro pelo assas­si­na­to de uma cole­gi­al por­que ele “está bus­can­do algo mai­or”. É melhor enqua­drar um judeu. Por outro lado, O cla­mor huma­no (1949), de Carl Foreman, é hoje risí­vel por­que ima­gi­na que o racis­mo pode ser cura­do com uma dose de libe­ra­lis­mo tera­pêu­ti­co. Se Homens em fúria (1959), escri­to por Abraham Polonsky, reduz o con­fli­to raci­al a uma dan­ça da mor­te, nós pode­mos ape­nas con­tes­tar que a des­van­ta­gem está incor­re­ta uma vez que o homem bran­co mor­re jun­ta­men­te com o homem negro.

Cena de "A cortina de ferro"

Cena de “A cor­ti­na de fer­ro” (1948), de William A. Wellman

Substituindo essas duas ques­tões, des­de os pri­mei­ros dias do Partido Comunista em Hollywood até a épo­ca da Lista Negra, esta­va o pro­ble­ma do fas­cis­mo. Os comu­nis­tas de Hollywood eram “anti­fas­cis­tas pre­ma­tu­ros”, como algu­mas víti­mas da pur­ga­ção iri­am cha­mar a si pró­pri­os; eles se mobi­li­za­ram ati­va­men­te con­tra o fas­cis­mo euro­peu do iní­cio da ascen­são de Hitler e do gover­no de Mussolini, bem antes da entra­da dos EUA na Segunda Guerra Mundial, até mes­mo (com algu­mas exce­ções) duran­te o perío­do do Pacto Nazi-Soviético de não agres­são (agos­to de 1939 até junho de 1941). John Howard Lawson escre­veu Bloqueio (1936), um pedi­do de inter­ven­ção ame­ri­ca­na para sal­var a repú­bli­ca espa­nho­la. Nathanael West e Samuel Ornitz escre­ve­ram It Could Happen to You! (1937), um fil­me B que ridi­cu­la­ri­za um nazis­ta ame­ri­ca­no que ata­ca imi­gran­tes do Brooklyn atra­vés de uma esco­la de cida­da­nia que ele coman­da como um esque­ma de pro­te­ção. John Wexley co-escre­veu Confissões de um espião nazis­ta (1939), uma denún­cia con­tra o gru­po pró-nazis­ta ger­mâ­ni­co-ame­ri­ca­noe sua ide­o­lo­gia racis­ta. Irving Pichel diri­giu Casei-me com um nazis­ta (1940), o retra­to mais deta­lha­do da Alemanha nazis­ta pro­du­zi­do por Hollywood antes de 7 de dezem­brode 1941, e Charles Chaplin escre­veu e diri­giu O gran­de dita­dor (1940), o úni­co fil­me anti­na­zis­ta des­se perío­do, que é rele­van­te até hoje. 

Esses esta­vam den­tre os pou­cos fil­mes que Hollywood se per­mi­tiu pro­du­zir, que eram atu­ais e polí­ti­cos. Ao con­trá­rio da pró­xi­ma onda de fil­mes des­se tipo, os fil­mes anti­co­mu­nis­tas do fim da déca­da de 1940 e iní­cio de 1950 não podem ser recu­pe­ra­dos hoje como camp. Isso acon­te­ce por­que eles per­ten­cem a uma cul­tu­ra polí­ti­ca que sumiu, gra­ças à pur­ga­ção pós-guer­ra. Um esfor­ço para recri­ar isso do nada nos anos 1960 falhou. 

A pró­xi­ma ten­ta­ti­va terá que levar em con­si­de­ra­ção suas for­ças, assim como seus fra­cas­sos. De qual­quer manei­ra, essa cul­tu­ra desa­pa­re­ci­da dei­xou mes­mo alguns tra­ços.

Eu espe­ro que uma pes­qui­sa fíl­mi­ca des­ses fil­mes fei­tos nos EUA duran­te mea­dos do sécu­lo XX para expor as mani­fes­ta­ções con­tem­po­râ­ne­as de fas­cis­mo, racis­mo, sexis­mo (e capi­ta­lis­mo) seja rele­van­te hoje, que os fil­mes sejam capa­zes de falar de um tem­po som­brio para o outro (para citar Brecht sobre Hamlet). Para nós hoje, eles podem pare­cer hesi­tan­tes e ina­de­qua­dos. Ainda assim são chei­os
 de cer­ta con­fi­an­ça que só pode­mos inve­jar. Esses tem­pos moder­nos eram som­bri­os e ter­rí­veis, mas a rea­li­da­de só tinha uma voz. Ela pode­ria ser repre­sen­ta­da sim­ples­men­te
 ao revi­go­rar modos rea­lis­tas e natu­ra­lis­tas que tinham lon­gas tra­di­ções, pelo menos no meio aná­lo­go do roman­ce (a fé na impor­tân­cia do roman­ce no cine­ma é outro lega­do per­di­do nas pur­ga­ções). O neor­re­a­lis­mo nos EUA foi mar­gi­na­li­za­do pela Lista Negra e pelo con­sen­so antir­re­a­lis­ta que empres­tou seu apoio às pur­ga­ções, mas as pri­mei­ras rea­li­za­ções do neor­re­a­lis­mo ame­ri­ca­no não são menos mar­can­tes por­que foram rapi­da­men­te esma­ga­das por uma maré de espe­tá­cu­los neo­tra­di­ci­o­na­lis­tas ide­o­lo­gi­ca­men­te segu­ros.

Hoje nós vive­mos em um mun­do dife­ren­te, e nos­sas ten­ta­ti­vas de enten­der ou repre­sen­tar pare­ce­rão absur­das em bre­ve. Nós pode­mos cha­mar nos­so mun­do de pós-moder­no, mas ape­nas (e pre­ci­sa­men­te) por­que arcaís­mos de tem­pos pré-moder­nos entra­ram em erup­ção atra­vés da face da moder­ni­da­de. Em meio às recru­des­cên­ci­as mais sig­ni­fi­ca­ti­vas e pre­o­cu­pan­tes estão as mobi­li­za­ções racis­tas e anti-imi­gra­ção que têm ganha­do for­ça nas últi­mas déca­das na Europa e nos EUA

A “velha esquer­da” con­de­nou rapi­da­men­te as pri­mei­ras ver­sões des­ses movi­men­tos e foi per­sis­ten­te em seus esfor­ços para ana­li­sar as fon­tes de polí­ti­cas racis­tas e nati­vis­tas. Em alguns momen­tosos fil­mes que eles eram capa­zes de cri­ar depen­di­am de uma retó­ri­ca sem subs­tân­cia (espe­ci­al­men­te os fil­mes de com­ba­te anti­na­zis­ta da Segunda Guerra Mundial, que neces­sa­ri­a­men­te depen­di­am de rela­tos de segun­da mão e supo­si­ções), e mui­tas vezes tran­si­ta­vam para um anti­po­pu­lis­mo indis­cri­mi­na­do (esse foi o des­ti­no de A gran­de ilu­são [1949], de Robert Rossen), mas em outras eram sufi­ci­en­te­men­te afi­a­dos para ofen­der tan­to con­ser­va­do­res quan­to libe­rais.

É aqui que esses fil­mes podem nos falar de manei­ra mais dire­ta ao lem­brar-nos de que movi­men­tos racis­tas não são res­tos de for­ma­ções soci­ais arcai­cas que pode­mos pre­su­mir com segu­ran­ça que irão desa­pa­re­cer. Eles são, pelo con­trá­rio, fenô­me­nos pro­du­zi­dos pelo sis­te­ma capi­ta­lis­ta mun­di­al, e irão se inten­si­fi­car enquan­to este se expan­de e con­vul­si­o­na.

 

Meus agra­de­ci­men­tos a Hans Hurch, dire­tor da Viennale, por suge­rir
 esse pro­gra­ma como uma res­pos­ta à ascen­são do Partido da Liberdade da Áustria, de Jörg Haider.

 

Originalmente publi­ca­do sob o título “Blacklisted” no catálogo do Viennale [Festival de Viena] em 2000, para a mos­tra de cine­ma Blacklisted: Movies by the Hollywood Blacklist Victims, com cura­do­ria de Andersen e Noël Burch; repu­bli­ca­do pela dis­tri­bui­do­ra The Cinema Guild com o lançamento do fil­me Hollywood Vermelha, em DVD, em 2014. Tradução de Ana Clara Matta, revi­são de Gilda Morassutti. 

 

 

Hollywood Vermelha – Lista de fil­mes cita­dos (na ordem de apa­rên­cia):

 

Johnny Guitar (Nicholas Ray, 1954)

Aventura Perigosa (Edward Ludwig, 1952)

Canção da Rússia (Gregory Ratoff e László Benedek, 1944)

Os Dez de Hollywood (John Berry, 1950)

O General Morreu ao Amanhecer (Lewis Milestone, 1936)

Bloqueio (William Dieterle, 1938)

Missão em Moscou (Michael Curtiz, 1943)

A Mulher do Dia (George Stevens, 1942)

Casei-me com um Nazista (Irving Pichel, 1940)

Seus Três Amores (Garson Kanin, 1941)

Uma Luz nas Trevas (Delmer Daves, 1945)

A Filha do Comandante (George Sidney, 1943)

A Cortina de Ferro (William A. Wellman, 1948)

O Menino dos Cabelos Verdes (Joseph Losey, 1948)

Cruel é o Meu Destino (Lewis Seiler, 1939)

The President’s Mystery (Phil Rosen, 1936)

Raia Miuda (J. Walter Ruben, 1936)

Dez Pequenas para um Homem (Dudley Nichols, 1943)

Comboio Para o Leste (Lloyd Bacon, Raoul Walsh e Byron Haskin, 1943)

Esse Encanto Irresistível (John Berry, 1946)

Corpo e Alma (Robert Rossen, 1947)

Ídolo Dourado (David Miller, 1951)

Amarga Esperança (Nicholas Ray, 1948)

Paixão do Dinheiro (J. Walter Ruben, 1934)

Mulher Marcada (Michael Curtiz e Lloyd Bacon, 1937)

Adolescência (John Farrow, 1939)

Dois Contra o Mundo (Harold S. Bucquet, 1940)

Mulheres de Ninguém (Edward Dmytryk, 1943)

The Magnificent Rogue (Albert S. Rogell, 1946)

Desespero (Stuart Heisler, 1947)

Ambição de Mulher (Michael Gordon, 1951)

Not Wanted (Elmer Clifton e Ida Lupino, 1949)

O Sal da Terra (Herbert J. Biberman, 1954)

Ninguém Escapará ao Castigo (Andre DeToth, 1944)

The House I Live In (Mervyn LeRoy, 1945)

Uma Luz Nas Trevas (Delmer Daves, 1945)

O Clamor Humano (Mark Robson, 1949)

O Mundo não Perdoa (Clarence Brown, 1949)

A Força do Mal (Abraham Polonsky, 1948)

Areia Movediça (Irving Pichel, 1950)

Justiça Injusta (Cy Endfield, 1950)

O Segredo das Jóias (John Huston, 1950)

The Red Menace (Robert G. Springsteen, 1949)

A Cortina de Ferro (William A. Wellman, 1948)

Nuvens da Tempestade (Robert Stevenson, 1949)

Caminhe para o Leste (Alfred L. Werker, 1952)

Sindicato de Ladrões (Elia Kazan, 1954)

Por Amor Também se Mata (John Berry, 1951)

Corpo e Alma (Robert Rossen, 1947)

Willie Boy (Abraham Polonsky, 1969)

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