Alexandre Rodrigues

Distopias duradouras

Alexandre Rodrigues

04.10.17

Deus, fascismo e os EUA dos anos 1980: Alexandre Rodrigues conta de onde surgiram as ideias para O conto da aia, romance de Margaret Atwood que serve de base para The Handmaid’s Tale, série de tv premiada com o Emmy.

A Rocinha nunca foi só a Rocinha

Carla Rodrigues

26.09.17

Nas muitas camadas que formam a Rocinha, uma chama a atenção: a centralidade atribuída, seja pelos governos, seja pela imprensa, a tudo de bom ou ruim que ali acontece. Do jeep tour que faz da favela um espaço exótico à grande concentração de recursos de ONGs, nada na Rocinha passa desapercebido.

O golpe dos sonhos

Carla Rodrigues

15.08.17

Todos os dias, alguém que tem os recursos necessários – não me refiro apenas a dinheiro, mas também escolaridade, passaporte, cidadania europeia etc – declara que vai embora do país. Pelo menos desde a década de 1980, esses surtos de migração pautam a classe alta desiludida. O afeto que marca a vida cotidiana brasileira – e de forma mais aguda, a fluminense – é a tristeza, o desânimo e, por que não dizer, o desamparo da falta de perspectivas, desejos e sonhos.

Atravessar a rua com o sinal fechado

Paulo Raviere

11.08.17

Em Dois vivas ao anarquismo, ainda inédito em português, o sociólogo americano James C. Scott propõe a Lei de Scott da Calistenia Anarquista, que prega a importância de o indivíduo autônomo quebrar diariamente alguma lei que não faça sentido. Mas em sociedades como a brasileira, dominadas de cima a baixo pelo jeitinho, como isso funcionaria?

Pazienza: derrota e niilismo

Joca Reiners Terron

28.12.16

A geração de Andrea Pazienza foi marcada pela derrota ideológica, aderindo ao niilismo de extração punk como forma de reação. O consumo de heroína, combatido anteriormente pela Autonomia Operaia, alastrou-se. O hedonismo desesperado da série de quadrinhos protagonizada por Zanardi, um machista cínico e manipulador, investigou a insinuante presença do mal nas ações cotidianas, no sexo e na falta de sentido das relações completamente desprovidas de afeto, a não ser aquele emanado pela associação masculina em prol da esculhambação mais sórdida.

Todo mundo mente

Carla Rodrigues

19.12.16

Na experiência cotidiana, estamos todos diante da impossibilidade de distinção entre verdades e mentiras – da timeline do Facebook ao noticiário, dos discursos dos políticos aos programas dos candidatos, da publicidade aos grandes juristas, do plebiscito inglês que promoveu o Brexit ao futuro presidente dos EUA, Donald Trump, do Congresso ao STF, numa lista infinita de exemplos que 2016 não nos deixará esquecer tão cedo.

Ficção e reportagem

José Geraldo Couto

11.11.16

Mais do que retratar um “herói ou traidor” (segundo o apelativo subtítulo brasileiro), Snowden, novo filme de Oliver Stone, tem o mérito de expor alguns dos temas cruciais de nossa época: a ruptura das fronteiras entre o privado e o público propiciada pela internet, o uso da tecnologia da informação para o controle social e político, as tensões geopolíticas e as guerras remotas, a promiscuidade entre poder institucional e grandes corporações, a margem estreita para a atuação de uma mídia independente etc.

Política com olhar caloroso

José Geraldo Couto

14.10.16

O que distingue a abordagem política do cineasta polonês Andrzej Wajda, que morreu aos 90 anos no último dia 9, é um olhar caloroso dirigido aos indivíduos, com suas fraquezas e contradições, e um olhar desconfiado diante das grandes ideias, promessas e sistemas. Por isso seu cinema segue mais vivo do que nunca.

Micropolíticas feministas

Carla Rodrigues

05.10.16

No país que tirou uma mulher do poder há tão pouco tempo, eleger com votação tão expressiva três mulheres negras para vereadoras, dar a três mulheres o primeiro lugar para câmaras municipais, não é só uma marca de transformação política, é principalmente a chance de voltar a sonhar.

Brasília, terra em transe

José Geraldo Couto

23.09.16

O festival de Brasília sempre foi o mais quente do cinema brasileiro, e nesta 49ª edição chega fervendo, tanto pela contundência da seleção de filmes como pelas conturbadas circunstâncias políticas que o cercam por todos os lados. Se Cinema novo, de Eryk Rocha, dá a ver um desejo contagiante de cinema como força de transformação humana e social, a exibição do documentário Mártires, de Vincent Carelli, mostrou alguns limites e paradoxos desse desejo.