Cinco vezes IMS Paulista

Em cartaz

17.07.17

Nada menos do que cin­co mos­tras dis­tin­tas, entre elas a céle­bre série Os ame­ri­ca­nos, do fotó­gra­fo Robert Frank, e a pre­mi­a­da vide­oins­ta­la­ção The Clock, de Christian Marclay, vão mar­car a inau­gu­ra­ção da nova sede do Instituto Moreira Salles em São Paulo, na segun­da quin­ze­na de setem­bro.

O cen­tro cul­tu­ral ins­ta­la­do no núme­ro 2424 da Avenida Paulista, por si só uma obra arqui­tetô­ni­ca de carac­te­rís­ti­cas ino­va­do­ras, abri­rá ao públi­co uma pro­gra­ma­ção ampla de expo­si­ções de artis­tas bra­si­lei­ros e estran­gei­ros, fil­mes, pales­tras, deba­tes, cur­sos e shows, entre outros even­tos.

As pri­mei­ras mos­tras a ocu­par os mais de 1.200 metros qua­dra­dos dedi­ca­dos a expo­si­ções, divi­di­dos em qua­tro anda­res, apre­sen­tam obras de artis­tas com lin­gua­gens visu­ais diver­sas, num con­jun­to que refor­ça a plu­ra­li­da­de da ima­gem na arte con­tem­po­râ­nea. Abaixo, um bre­ve resu­mo do que vem por aí.

© Robert Frank

Robert Frank, Parade — Hoboken, New Jersey, do livro The Americans

Robert Frank — Os ame­ri­ca­nos e Os livros e os fil­mes. Curadoria de Samuel Titan Jr., Sergio Burgi e Gerhard Steidl. A obra do fotó­gra­fo Robert Frank, nas­ci­do na Suíça em 1924, um dos nomes mais impor­tan­tes em ati­vi­da­de em sua pro­fis­são, será vis­ta pelo públi­co em duas mos­tras que ocu­pa­rão a Galeria 3. Os ame­ri­ca­nos é o resul­ta­do da via­gem na qual o fotó­gra­fo per­cor­reu os Estados Unidos de alto a bai­xo, entre 1955 e 1957, regis­tran­do o país e seus per­so­na­gens em recor­tes soci­ais, econô­mi­cos, cul­tu­rais e polí­ti­cos. Das 27 mil foto­gra­fi­as rea­li­za­das na via­gem ele sele­ci­o­nou 83 para com­por este clás­si­co e pode­ro­so retra­to de cor­po intei­ro de uma América mul­ti­fa­ce­ta­da, tam­bém trans­for­ma­do em livro homô­ni­mo, cuja ver­são bra­si­lei­ra será publi­ca­da pelo IMS – numa par­ce­ria com a céle­bre edi­to­ra ale­mã Steidl, que impri­miu a obra – e lan­ça­da na inau­gu­ra­ção da mos­tra. O con­jun­to de Os ame­ri­ca­nos apre­sen­ta­do no IMS Paulista per­ten­ce à Maison Européenne de La Photographie, e é uma das pou­cas tira­gens ori­gi­nais com­ple­tas exis­ten­tes.

© 2017 Robert Frank/Steidl

Página de Me and My Brother, de Robert Frank

Os livros e os fil­mes é uma mon­ta­gem iti­ne­ran­te que une duas face­tas de Frank, a de fotó­gra­fo e a de rea­li­za­dor – apro­xi­ma­da­men­te 25 fil­mes dele tam­bém serão exi­bi­dos numa retros­pec­ti­va no cine­ma do IMS. A mos­tra tem con­cep­ção e cura­do­ria de Gerhard Steidl, pro­pri­e­tá­rio da mais impor­tan­te edi­to­ra de livros de foto­gra­fia do mun­do, que leva seu nome, e já foi apre­sen­ta­da em diver­sos paí­ses, mas esta será a pri­mei­ra vez em que é vis­ta ao lado de uma tira­gem ori­gi­nal de Os ame­ri­ca­nos. Trabalhando com o fotó­gra­fo des­de 1989, Steidl, que já publi­cou 31 títu­los de Frank, entre livros e cai­xas com sua fil­mo­gra­fia com­ple­ta, cri­ou uma série de ban­ners que são como livros aber­tos, exi­bin­do suas pági­nas com as res­pec­ti­vas foto­gra­fi­as e fra­mes (no caso dos fil­mes, que tam­bém vira­ram livros), com­ple­men­ta­das por tex­tos expli­ca­ti­vos. Vídeos sobre o rea­li­za­dor tam­bém serão exi­bi­dos con­ti­nu­a­men­te na sala. Montadas lado a lado, por­tan­to, Os ame­ri­ca­nos e Os livros e os fil­mes for­mam um belo pai­nel sobre o homem que retra­tou, e com­pre­en­deu, a América.

Galeria 3

Mostra de fil­mes de Robert Frank: no cine­te­a­tro.

Divulgação

Exibição de The Clock, de Christian Marclay

The Clock – Christian Marclay – A vide­oins­ta­la­ção do artis­ta suí­ço-ame­ri­ca­no, cri­a­da em 2010, ganhou em 2011 o Leão de Ouro na Bienal de Veneza, e pro­põe ao espec­ta­dor uma expe­ri­ên­cia cine­ma­to­grá­fi­ca com dura­ção de 24 horas. Considerada uma obra-pri­ma, The Clock é com­pos­ta por milha­res de ima­gens extraí­das de fil­mes de diver­sas épo­cas (de cenas de tiro­tei­os a per­se­gui­ções de car­ro), pro­por­ci­o­nan­do uma via­gem pela his­tó­ria do cine­ma. Uma via­gem mar­ca­da em tem­po real por reló­gi­os que apa­re­cem em algu­mas cenas dos fil­mes, e são sin­cro­ni­za­dos com o horá­rio de exi­bi­ção da obra. Para quem qui­ser viver a expe­ri­ên­cia em sua tota­li­da­de, The Clock fica­rá aber­ta ao públi­co 24h uma vez por sema­na (de sába­do para domin­go).

Galeria 1

Barbara Wagner

Barbara Wagner, cena do fil­me Terremoto san­to

Corpo a cor­po – Curadoria de Thyago Nogueira e Valentina Tong (assis­ten­te). Obras de Jonathas Andrade, Sofia Borges, Bárbara Wagner, Letícia Ramos, cole­ti­vos Garapa e Mídia Ninja. O cor­po e a manei­ra pela qual ele se tor­na um ins­tru­men­to de pro­ta­go­nis­mo na soci­e­da­de é o gran­de tema des­ta mos­tra reu­nin­do seis artis­tas con­tem­po­râ­ne­os. São tra­ba­lhos que evo­cam diver­sos tipos de vio­lên­cia, como os regis­tros fei­tos pela Mídia Ninja duran­te as tur­bu­len­tas mani­fes­ta­ções de 2013; os estu­dos de Letícia Ramos para ana­li­sar a resis­tên­cia do cor­po aos impac­tos físi­cos ocor­ri­dos em con­fron­tos; o dis­cur­so de ódio que ema­na das ima­gens de lin­cha­men­tos, nos Estados Unidos e no Brasil, reco­lhi­das e cata­lo­ga­das pelo Garapa. Há ain­da o cor­po como emis­sor inequí­vo­co dos sinais reve­la­do­res do jogo polí­ti­co, pre­sen­te nos fla­gran­tes de depu­ta­dos e sena­do­res fei­tos por Sofia Borges no Congresso Nacional; e tam­bém como afir­ma­ção de iden­ti­da­des diver­sas nos retra­tos de Jonathas de Andrade, fei­tos a par­tir da relei­tu­ra de uma pes­qui­sa sobre clas­se e raça rea­li­za­da no Brasil rural da déca­da de 1950. Por fim, tam­bém esta­rá à mos­tra o cor­po espe­ta­cu­la­ri­za­do, expos­to nos tra­ba­lhos de Bárbara Wagner, um deles sobre um rea­lity show pro­du­zi­do para sele­ci­o­nar um novo MC, o outro em tor­no de um musi­cal gos­pel no inte­ri­or de Pernambuco. Os tra­ba­lhos foram fei­tos espe­ci­al­men­te para a expo­si­ção no IMS, incluin­do o da Mídia Ninja, que orga­ni­zou em for­ma­to iné­di­to todo o mate­ri­al pro­du­zi­do em 2013.

Galeria 2

O fotó­gra­fo Michael Wesely na des­mon­ta­gem de uma das câme­ras

Câmera AbertaMichael Wesely – Curadoria de Thyago Nogueira e Valentina Tong (assis­ten­te). Em 2014, o artis­ta ale­mão Michael Wesely ins­ta­lou vári­as câme­ras em pon­tos estra­té­gi­cos do pré­dio do IMS Paulista para cap­tu­rar, con­ti­nu­a­men­te, ima­gens das qua­tro faces do novo cen­tro cul­tu­ral des­de o iní­cio de sua cons­tru­ção. Wesely, autor de pro­je­tos seme­lhan­tes fei­tos duran­te a refor­ma do MoMa, em Nova York, e da Potsdamer Platz, em Berlim, usou equi­pa­men­tos digi­tais e ana­ló­gi­cos para regis­trar ima­gens em lon­ga expo­si­ção, que con­den­sam vári­os momen­tos em uma úni­ca foto­gra­fia. “Todo o pro­ces­so de cons­tru­ção dei­xa ras­tros na foto­gra­fia, e é sur­pre­en­den­te notar o que fica visí­vel”, dis­se o fotó­gra­fo em entre­vis­ta a Antônio Xerxenesky publi­ca­da no Blog do IMS em 2015. Imagens sele­ci­o­na­das des­te con­jun­to fica­rão expos­tas no Estúdio, espa­ço que ocu­pa­rá o últi­mo andar do pré­dio.

Estúdio

Tuca Vieira, Cidade Jardim, São Paulo (2015)

São Paulo: Três ensai­os – Curadoria de Guilherme Wisnik. Na inau­gu­ra­ção do IMS Paulista, nada mais natu­ral que a capi­tal fos­se uma das estre­las da pro­gra­ma­ção. A cida­de pode­rá ser vis­ta sob diver­sos ângu­los e em diver­sas épo­cas na pro­je­ção de ima­gens con­ce­bi­da pelo pes­qui­sa­dor e crí­ti­co de arqui­te­tu­ra com foto­gra­fi­as fei­tas des­de 1862 até os dias atu­ais. O ensaio visu­al acom­pa­nha a trans­for­ma­ção da metró­po­le ao lon­go das déca­das por meio de tra­ba­lhos de nomes como Marc Ferrez, Militão Augusto de Azevedo, Alice Brill, Vincenzo Pastore, Hildegard Rosenthal e Thomaz Farkas, entre outros fotó­gra­fos do acer­vo do IMS, até auto­res con­tem­po­râ­ne­os como Cristiano Mascaro, Cássio Vasconcellos, Tuca Vieira, Tatewaki Nio, Raul Garcez, João Musa e Josef Bernardelli.

Estúdio

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