O gênio de Raphael

Expoente do concretismo, Almir Mavignier acompanhou o trabalho de Raphael Domingues no ateliê criado por Nise da Silveira no Centro Psiquiátrico Nacional. Hoje morando na Alemanha, ele afirma que o artista diagnosticado como esquizofrênico – e cujos desenhos entram em cartaz no IMS-SP – não tinha ambição ou vaidade. “O trágico em Raphael é que ele como personalidade consciente não existiu. Seus desenhos, sim.”

O MAR de cima a baixo

O crítico Sérgio Bruno Martins analisa o recém-aberto Museu de Arte do Rio (MAR), levando em conta seu lugar na política cultural oficial do Rio de Janeiro e suas possibilidades de atuação como museu e instituição pública capaz de investir na formação de acervo. Ele destaca problemas conceituais na arquitetura do prédio, nas três mostras em cartaz e no propósito mais turístico do que artístico do projeto, polêmico já na noite de inauguração.

Ali Smith, caça-fantasmas

Ali Smith acaba de lançar Artful, misto de narrativa e ensaio que aborda de W.G. Sebald e Clarice Lispector a Beyoncé. Paulo Nogueira traça um perfil da autora escocesa, que oscila entre o clássico e o pop sem nunca derrapar na pirotecnia.

Pássaro bonbon

Há o que não importa tanto e o que importa muito. Fato triste é que nos vemos pouco. E o feliz é que nossos poemas estão sempre conversando por aí. Uma hora tomando café dentro de uma antologia, noutra pegando sol numa revista alternativa. Já até marcharam juntos, feito esse dia da invasão do Arpex. O que será que a sua placa cochichou pra minha? Será que o soldado que a carregava ouviu a conversa?

Dos cadernos de Paulo Mendes Campos

Além de crônicas e poemas, Paulo Mendes Campos também deixou traduções de autores como Verlaine e Jacques Prévert. Nas páginas dos 55 cadernos conservados pelo Instituto Moreira Salles é possível acompanhar todo o esforço do processo de tradução, seu “jeito de descansar carregando pedras”.

Infância banida

A reportagem “Infância banida”, publicada na ZUM #3, mostra como crianças foram fichadas como “subversivas” e mandadas para fora do país pela ditadura militar. As fotos delas, feitas enquanto estavam em poder dos órgãos de segurança, foram encontradas no Arquivo Nacional.

Um Leminski cheio de graça

Opções editoriais mal explicadas, que parecem querer “limpar” a obra de Paulo Leminski e até torná-lo um pouco mais paulista e menos paranaense, não reduzem o prazer que provoca Toda poesia, em que se destacam as preces, uma das formas poéticas favoritas do autor morto em 1989.

No MoMA

Partindo do cubismo, Inventing Abstraction, 1910-25 faz reunião expressiva da arte abstrata no século XX, ainda que se restringindo à produção europeia. A mostra permite constatar que a abstração não tem hoje as grandes ambições de seu período inicial. Muitos artistas a tratam mais como um distante arquivo a ser citado do que uma contínua tradição a ser desenvolvida.