O pop morre em bis

Dia desses fui ver o show de uma banda que nunca tinha escutado, o Pulp. Foi como estar do lado de fora de um aquário. E fiquei pensando em como observar o êxtase do lado de fora, e com a perspectiva da finitude das coisas, nos traz não apenas e toscamente um sabor de melancolia, porém também de impostura, de irrealidade.

As pinturas mais interessantes da Bienal

Muito se falou das instalações da 30ª Bienal de São Paulo, intitulada A iminência das poéticas, mas foram raras as discussões em torno da pintura. A convite do Blog do IMS, o pintor, desenhista e ilustrador paulista Paulo Pasta comenta as pinturas que considerou mais interessantes no evento, que se encerra no próximo dia 9.

Os penetras, ou a malandragem atualizada

Alguns críticos brasileiros, aparentemente acometidos por um estranho e perigoso automatismo, apressaram-se em relegar Os penetras, de Andrucha Waddington, à vala comum do besteirol, ao lado de coisas como Até que a sorte nos separe e o programa televisivo Zorra total. Eu me pergunto se eles viram o mesmo filme que eu. O que eu vi foi uma saborosa sátira de costumes, uma atualização bastante eficaz de um veio fecundo da nossa cultura: a comédia de malandragem.

Debate sobre Brasil: um relato de tortura

Brasil: um relato de tortura, um documentário dirigido por Haskell Wexler e Saul Landau, teve sua primeira exibição em um cinema brasileiro apenas recentemente, no IMS-RJ. O Instituto Moreira Salles organizou um debate sobre o filme, que contou com a presença do repórter Plínio Fraga (autor da matéria Infância banida, na ZUM #3) e de Francisco Mendes, Jean-Marc Van der Weid (um dos entrevistados do filme), Jom Tob Azulay (cineasta e diplomata que ajudou a difundir Brasil: um relato de tortura). Assista ao vídeo do debate.

Quem te viu, que te vê!

Terá o pesquisador ideia do caminho feito por uma simples folha de papel e de como foi preservada para chegar até suas mãos? Quando se trata da certidão de nascimento da escritora Elisa Lispector, já se sabe, de saída, que o documento cruzou o Atlântico, provavelmente na mala de Pinkhouss ou Mánia Lispector, os pais de Elisa, Tania e Clarice Lispector que, em 1922, desembarcaram em Maceió, fugindo da guerra civil na Rússia.

É muito difícil um bom realista

O semestre chega ao fim, os alunos preparam os trabalhos, as minhas turmas vão enviar-me seus textos por e-mail, anda chovendo muito, é outono, as árvores soltam as folhas que parecem de papel vermelho e amarelo, despedidas são sempre difíceis. Perguntam se vou voltar, digo “quem sabe?”, mas é provável que não volte.

Casablanca setentinha

Parabéns pra você, Casablanca, nesse seu aniversário, virando setentinha. O lançamento foi em 26 de novembro de 1942, em Nova York, lembra? Nasceu prematuro, o parto normal marcado para 23 de janeiro do ano seguinte, coisa com o Oscar de 1944. Filme nas latas, a Warner Brothers não quis perder a bola levantada pela invasão aliada à Casablanca dominada pelos nazistas.

O noir essencial de Hawks

Baseado no intrincado romance policial de Raymond Chandler – mestre, ao lado de Dashiell Hammett, da chamada literatura hardboiled -, À beira do abismo é um marco do cinema noir. Dado o estilo substantivo, direto e sem afetação do cineasta, ele representa uma espécie de quintessência do gênero.