Nos sete anos em que esteve à frente da coordenação de cinema do IMS, José Carlos Avellar produziu textos e depoimentos memoráveis, alguns deles aqui reunidos em forma de homenagem ao colega de trabalho que morreu na manhã desta sexta-feira (18), no Rio.
Caro amigo
“Um cara unidimensional no bom sentido. Só tinha um lado: o lado bom”; “Não há palavras para descrever o que sua perda significa para a cultura deste país”; “alguém que via nossos filmes com um olhar generoso”; “estou muito triste, o mundo ficou menor hoje”. Amigos e admiradores se manifestam sobre a morte de José Carlos Avellar.
O cinema mediúnico que vem da Tailândia
O filme mais recente de Apichatpong Weerasethakul, Cemitério do esplendor, aposta tudo na imaginação e na sensibilidade do espectador. É pelo prosaico que o cineasta chega à sua poética. Não há efeitos de luz, não há cenários “bonitos”, não há música embaladora. As imagens são límpidas, despojadas, cotidianas.
O futuro como ele era
Entre as marcas registradas do incrível currículo do fotojornalista Luciano Carneiro, ‘A Praia do Futuro’ – título de reportagem que assinou em 1949 no Correio do Ceará – virou anos depois nome do trecho mais badalado hoje em dia na orla de Fortaleza. Luciano a descobriu pilotando um teco-teco quando o local não era acessível por terra.
No lugar do outro
O sacrifício é uma forma extrema de representação: alguém morre no lugar do outro; alguém assume o lugar do outro, para salvar o outro. Muitas vezes, o sacrifício toma a forma de um ritual, o que o aproxima do teatro. É o tema da peça (A)polônia, do polonês Kryzstof Warlikowski, que encerrou a Mostra Internacional de Teatro de São Paulo, MITsp, no domingo.
Por onde andou Sophie Podolski?
Uma poética da leitura encorpa e dá força à literatura de Roberto Bolaño – é algo perceptível desde a juventude de poeta infrarrealista no México até seu romance póstumo, 2666. Dos incontáveis nomes disseminados nessa obra, há dois que nunca cessaram de me intrigar: Sophie Podolski e o Montfaucon Research Center. Sophie Podolski, garota belga que se suicidou aos 22 anos, membro do Montfaucon Research Center. A ela Bolaño dedicou um poema, incluído em La universidad desconocida, e nele diz estar partindo para o país de Sophie, país do nada e da metamorfose lunar.
Como nascem as bruxas
A bruxa, de Robert Eggers, é uma estreia impressionante, especialmente pela segurança narrativa do diretor, seu domínio do ritmo e da composição. A fotografia é notável sobretudo nas cenas internas noturnas, com seu magnífico claro-escuro de pintura barroca, que deixa sempre boa parte do quadro num negro profundo, os objetos e seres cambiando sob a luz bruxuleante das velas.
Outros dois lançamentos que merecem destaque são os franceses Astrágalo, de Brigitte Sy, e É o amor, de Paul Vecchiali.
O silêncio do tam tam de Naná
Os tambores estão silenciosos, com a morte do grande Naná Vasconcelos, aos 71 anos. Ele dizia que podia tocar a alma das suas crianças com a percussão. No meio dos anos 70, em Paris, saía cedíssimo para dar aula aos meninos autistas num subúrbio francês bem longe. Em geral, já tinha passado a noite inteira na cave do seu sala e quarto no Halles, sozinho, tocando suas tumbadoras num som ensurdecedor, protegido pelas paredes de pedra das reclamações dos vizinhos.
Curiosidades do acervo
O que mais importa no acervo de um artista é, decerto, a sua obra. Mas não há patrimônio cultural que escape de certas miudezas de caráter pessoal – como o nariz de porco do David Zingg – que aguçam a curiosidade de pesquisadores e humanizam as joias da coroa de qualquer coleção.
O novo voo literário de John Freeman
Na introdução ao primeiro número da recém-lançada revista Freeman’s, John Freeman lembra que, num voo, enfrentou uma turbulência violenta. A metáfora do alívio que sentiu ao pôr os pés no chão serve para definir a busca por bons textos: “São poucas as coisas interessantes sem risco.” Foi com esse espírito que, em 2012, ainda à frente da Granta, Freeman elegeu os “20 melhores jovens escritores brasileiros”. Agora, no primeiro número da Freeman’s, ele mistura textos de Haruki Murakami, Lydia Davis e Daniel Galera entre outros que escreveram sobre “chegada”. Na entrevista ao Blog do IMS, John Freeman explica o que significa publicar boas histórias, comenta o próximo número da publicação e fala sobre sua relação com a literatura brasileira contemporânea.
