Novas razões para comemorar o Dia Internacional da Mulher

Há ainda um sentido em comemorar o Dia Internacional da Mulher? Hoje, no que talvez seja o auge da terceira onda feminista, a pergunta sobre a validade do Dia Internacional da Mulher não vem necessariamente do inimigo conservador – embora até possa vir também –, mas está instalada dentro daquilo que posso chamar, ecoando Judith Butler, de “problemas de gênero”. Até que ponto faz sentido, em um contexto de questionamento de classificações de gênero, a comemoração do Dia Internacional da Mulher, afirmação máxima da identidade feminina?

Super Piano Bros

A música instrumental brasileira nunca foi exatamente popular, mas tornar a produção nacional na área mais conhecida sempre foi um dos objetivos de Alexandre Dias, fundador do Instituto do Piano Brasileiro. Para isso, Alexandre recorreu a outra paixão sua, os videogames. Como experimento, lançou dois vídeos unindo cenas de jogos clássicos como Super Mario Bros e Chrono Trigger a uma trilha sonora de piano brasileiro cuidadosamente escolhida.

O Oscar e os filmes “sobre”

De quando em quando, a Academia decide premiar um filme mais pela relevância ou contundência de seu “assunto” do que propriamente por seu valor cinematográfico. É o caso evidente de Spotlight: segredos revelados, assim como foi o de Doze anos de escravidão. São os filmes “sobre”: sobre o Holocausto, sobre a escravidão, sobre a indústria do tabaco, sobre a ameaça nuclear.

Negacionistas

O negacionista costuma negar os fatos enquanto ainda pode contar com a ignorância a seu favor. Quando nega a existência das câmaras de gás nos campos de concentração, por exemplo, é porque conta com a sobrevivência do antissemitismo entre seus leitores e ouvintes. Ao contrário do louco, é um calculista. E quando não é apenas burro, é basicamente um covarde que só age enquanto vê alguma chance de manipular a opinião pública e de tirar algum proveito disso.

Você nunca ouviu Demetrio Stratos?

O programa A voz humana desta terça-feira (1º de março) será dedicado a uma única voz – uma voz única –, a de Demetrio Stratos. Nós ouviremos uma experiência vocal impressionante. Em sua prática vocal, Stratos faz ver os limites do pensamento que compreende a voz como veículo unicamente da linguagem verbal e consequente constituição de hábitos auditivos insensíveis à realização de uma “voz-música”.

André Novais, cinema de corpo e alma

Está florescendo diante dos nossos olhos a obra de um cineasta singular, o jovem André Novais, mineiro de Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte. Ele finca a câmera em território familiar para observar e recriar o mundo a partir de um ponto de vista muito sólido e pessoal. 

Ela volta na quinta, seu primeiro longa-metragem, que chega às telas das grandes cidades brasileiras depois de ter sido premiado em Brasília, Buenos Aires e Curitiba, é, na falta de definição melhor, um falso documentário sobre uma família verdadeira.

Tragédia não anunciada

Luciano Carneiro é um ponto fora da curva do destino minimamente aceitável para um fotojornalista que reportou a Guerra da Coreia, a revolução de Fidel Castro, a vida do outro lado da ‘cortina de ferro’ e morreu estupidamente em desastre aéreo aloprado na volta da cobertura de um baile de debutantes em Brasília.

A voz de alguém nessa imensidão

Eucanaã Ferraz, curador e idealizador do programa A voz humana (cujo último episódio da primeira parte da série vai ao ar amanhã, terça-feira, 23 de fevereiro), convida o ouvinte para deslocar a sua audição comportada, desestabilizando o que talvez seja o bem mais precioso do amante de música popular, principalmente em países como o Brasil: a voz.

Dr. Umberto e Mr. Eco

Quem, até 1980, conhecia Umberto Eco, um denso scholar que dava seminários e cursos como tantos professores de prestígio, jamais o imaginaria como um best-seller planetário. Muito menos veria nele uma celebridade intelectual, personagem proeminente no universo pop que, em seus livros, era objeto de estudo e crítica. O médico e o monstro – você escolhe quem é quem – construíram a quatro mãos uma vida intelectual densa e rara, que se encerra com perfeição insuspeita com sua morte, aos 84 anos.

O cinema essencial de Lav Diaz

Recomendar filmes filipinos de mais de quatro ou cinco horas de duração, exibidos à margem do circuito comercial? É uma chance rara proporcionada aos cinéfilos de São Paulo e do Rio de vivenciar um cinema ao mesmo tempo substancioso e cristalino, uma oportunidade de lavar nossos olhos congestionados pela profusão de imagens vazias, arejar o cérebro atulhado por fórmulas e clichês. Estou falando de Lav Diaz e seus filmes Norte, o fim da história (2013) e Do que vem antes (2014).