Uma certa soberba da ignorância costuma exalar dos comentários, entre nós, sobre aqueles vencedores do Nobel de Literatura que escapam às listas dos eternos candidatos. Mo Yan, chinês que foi anunciado nesta quinta como premiado de 2012, é, por aqui, candidato forte ao epíteto de “desconhecido”. Acha-se que o problema é da Academia Sueca, sem dúvida idiossincrática como qualquer júri literário. Mas bem que pode ser nosso.
Manuel Bandeira: poema e oração
Desde que li o ensaio sobre Edson Nery da Fonseca em piauí 72, penso em contar a esse bandeiriano essencial, pernambucano como o poeta de Pasárgada, sobre o achado que fizemos há alguns meses no arquivo de Paulo Mendes Campos, sob a guarda do Instituto Moreira Salles desde 2011. Trata-se de um manuscrito do poema “Ubiquidade”, de Bandeira, em papel já bem amarelecido, datado de Petrópolis, 11 de março de 1943.
O ensaio a partir da experiência pessoal – Quatro perguntas a Francisco Bosco
Alta ajuda reúne ensaios originalmente escritos por Francisco Bosco para o jornal O Globo e a revista Cult – e agora reescritos. O ensaísta conversou com o Blog do IMS sobre o uso de primeira pessoa nos textos e a sua recusa a interpretar o papel do especialista.
O conforto dos estranhos – por Paulo Roberto Pires
Paulo Roberto Pires, na nova seção do blog do IMS dedicada a comentar exposições em cartaz no mundo, visita o Turbine Hall, gigantesca ante-sala do museu Tate Modern, onde conhece (e participa de) uma inusitada obra de arte de Tino Sehgal.
Paraty: cidade tomada
Andando pelo centro histórico da cidade de Paraty, durante o evento Paraty em Foco, podíamos ver as ruas invadidas por atiradores de elite, com suas belas máquinas montadas em tripés, e tínhamos que tomar certo cuidado ao andar, para não estragar uma foto ou não tropeçar em algum fotógrafo deitado no chão irregular de pedras.
Otto Lara Resende e o exercício de reescrever
O perfeccionismo de Otto Lara Resende fica evidente por meio das marcas deixadas por ele nos documentos e livros de seu acervo, guardado pelo Instituto Moreira Salles desde 1996. Com desmedida devoção aos detalhes de seu próprio trabalho, o escritor e jornalista não se contentava apenas com as alterações nos manuscritos. Riscava e reescrevia também trechos em suas obras já impressas.
O cinema canibal de John Carpenter
Carpenter é, antes de tudo, um cineasta visceralmente americano. Sua arte se dá no cruzamento do cinema da era dos estúdios com a cultura pop e o espírito iconoclasta dos anos 60. Sua cabeça foi feita, com igual intensidade, pelos filmes de Hawks e Ford, pelo rock, pelas histórias em quadrinhos e pelos movimentos libertários dos sixties.
Sobre Eric Hobsbawm
O professor inglês Leslie Bethell, estudioso do Brasil, foi o último amigo a falar com Eric Hobsbawm, morto em 1º de outubro, aos 95 anos. Em depoimento dado no dia 4 à Academia Brasileira de Letras, ele repassa a trajetória do historiador marxista, dos livros marcantes à fidelidade ao Partido Comunista mesmo diante do stalinismo, e comenta o grande interesse do autor de Era dos extremos por personagens brasileiros, como Tom Jobim, Lula e Criolo.
Imbatível ao extremo
É tão imensa a riqueza de temas e assuntos suscitados pela obra de Jorge Ben que admira que ele praticamente não tenha sido contemplado por críticos e ensaístas da canção. Apesar do sucesso mundial e das vozes que se ergueram para exaltar a sua grandeza (Caetano, Gil, Mautner, Tárik, Tatit!), Jorge Ben tem sido amplamente subestimado pela história de nossa música.
Performances perfeitas
Hoje estava precisando de um abraço teu, porque acordei com um buraco no peito do tamanho de uma bala de canhão. Sacanagem acordar assim e ainda ter que funcionar… Sei que não é de bom-tom demonstrar tristeza em público; mais adequada à boa digestão social neste país é uma aparência de felicidade que pontue no mínimo cinco numa escala de zero a dez.
