Exercitando a liberdade de ser

“Toda minha performance artística era de resistência à ditadura militar”, afirma Ney Matogrosso, o cantor e líder dos Secos & Molhados em depoimento ao IMS. Ainda segundo Ney, a transgressão tinha, para Madalena, um apelo que ia além do estético: “Acho que isso falava ao espírito dela, como uma imigrante fugida da guerra”.

O corvo, ou a segunda morte de Poe

Ao pretender criar um teorema “denso” e engenhoso entrelaçando o autor e suas criações, ao prestar tributo à verossimilhança à moda hollywoodiana, ao hesitar diante do romantismo delirante e tenebroso de Poe, O corvo de certo modo “agathachristizou” o escritor, e o resultado é um filme meramente escuro e pastoso.

Modi maudit?

A imagem consolidada a seu respeito enfatiza a relação com álcool e as drogas como um ímpeto autodestrutivo que o levou à morte. O que Secrest mostra, com bastante documentação, é que Modigliani não bebia mais do que os colegas nem tinha sintomas de alcoolismo ou vício em outras drogas, que também consumia em taxas aceitáveis para o período.

De Jesus a Nietzsche, só os desajustados fizeram história – quatro perguntas a Edgardo Cozarinsky

Edgardo Cozarinsky é um cineasta e escritor argentino nascido em 1939. Recentemente, Cozarinsky colaborou com um ensaio na abertura do livro Crisálidas, organizado por Jorge Schwartz, que será lançado pelo IMS no dia 21 de maio. O livro compila fotos de Madalena Schwartz de atores, atrizes, travestis e transformistas do underground paulistano. No texto, o escritor argentino propõe uma análise mitológica da obra da fotógrafa a partir do conceito de quimera, da origem do termo “crisálidas”, e das reflexões de Freud e Heráclito. Entrevistamos o cineasta acerca dos impressionantes retratos tirados por Madalena.

O presidente dos EUA na TV

O seriado Eleições Norte-Americanas faz tanto sucesso que, há tempos, gera uma porção de spinoffs (“filhotes”, no jargão televisivo), seriados de TV que tentam mimetizar o ambiente do original, sempre com menor repercussão. Das primárias acaloradas ao Salão Oval, faz tempo que a ficção tenta repetir o sucesso do espetáculo original. Listamos algumas das tentativas recentes da TV de pegar carona no sucesso do showbusiness que é a política norte-americana.

Uma pessoa esplêndida não está mais aqui

Saber o quanto o mundo pode ser atroz e injusto é uma coisa; experimentar isso, por mais que não seja a primeira vez, é sempre um atropelamento, um pequeno massacre. Passei os últimos dias relendo os emails que troquei com a Chris, como se fosse conseguir extrair algo novo dali, alguma palavra que eu não pesquei, algum pensamento solto e revelador, mas agora as mensagens só me dizem uma coisa: uma pessoa esplêndida não está mais por aqui.

Sobreviver ao Sónar

Cheguei ao Sónar no cair da noite, acompanhado de vários amigos, cada um com uma expectativa grande para um show diferente. Fui direto para o espaço onde seria realizado o show: um teatro pequeno, com cadeiras no fundo e um bom espaço para ficar cara a cara com os músicos. Confortavelmente sentado, vi a performance da dupla Alva Noto + Ryuichi Sakamoto, que sempre gostei de ouvir em casa, especialmente lendo algum livro, mas que, por ser um duo de ambient, imaginei que fariam um show tedioso. Estava enganado.

O bandido que nos ilumina

Luz nas trevas – A volta do bandido da luz vermelha, de Helena Ignez e Ícaro Martins, é uma celebração do cinema de invenção e risco. Dialoga de maneira lúdica e criativa com o Bandido original de Rogério Sganzerla, de 1968, obra incontornável de nossa cinematografia moderna. Se o Bandido de Sganzerla era uma colagem antropofágica de influências, unindo Godard e a chanchada, Orson Welles e a Boca do Lixo, Luz nas trevas acrescenta ainda outras camadas de intertextualidade.

Conferência de Balazs Gardi no lançamento da Zum #2

O fotógrafo húngaro Balazs Gardi é um integrante do coletivo Basetrack, responsável por registrar imagens de militares norte-americanos e cidadãos afegãos no Oriente Médio com a câmera do iPhone e o filtro de cores Hipstamatic. Ele esteve no Rio de Janeiro e em São Paulo para apresentar seu trabalho durante o lançamento da revista Zum #2, que traz como capa um impactante instantâneo fotográfico de Balazs Gardi. O Blog do IMS disponibiliza online a conferência do fotógrafo húngaro no lançamento realizado no Rio de Janeiro.