Entre o Ben-Hur de 1959, filmado por William Wyler, ganhador de onze Oscars, e a versão de 2016, a tecnologia do cinema avançou tremendamente, graças às novas possibilidades digitais, mas alguma coisa muito profunda e essencial parece ter se perdido. Correndo o risco de soar exagerado, eu diria que Hollywood perdeu o sentido da grandeza. Ou talvez a grandeza hollywoodiana tenha se deslocado para outros terrenos.
Empório IMS
Inaugurado em 2014 no Jardim Botânico, o Empório Jardim abriu suas portas no IMS do Rio com a mesma proposta de conquistar o público desde a primeira refeição do dia. O café da manhã que consagrou a matriz é uma das atrações do cardápio, e mantém não apenas a múltipla escolha entre dezenas de ingredientes na hora de montar o menu (da granola e iogurtes produzidos na casa, assim como os famosos pães artesanais, até drinques para incrementar a refeição), como também o horário elástico: é servido o dia inteiro.
Elke, segundo Zingg
Nada a ver com a imagem de mulher espontânea, irreverente, histriônica, espalhafatosa e divertida, marca registrada da jurada de programas de auditório – de Chacrinha a Silvio Santos –, personagem mais popular de Elke Maravilha. Nos anos 1970, Davis Zingg fotografou a amiga caracterizada de Marylin Monroe e Josephine Baker. Fez dela uma diva, mas não deixou de explorar em outras sessões de estúdio seu lado extravagante.
Margem de imprecisão
Toda a obra de Velázquez é, como mostra Ortega y Gasset, um movimento discreto no qual a pintura deixa de ser representação da beleza para “se fazer substância”, para se apresentar afinal como pintura (“pintura enquanto pintura”), condição da modernidade. Esse comedimento reflexivo, entretanto, se tornou estranho entre nós. Quem entende o valor da discrição hoje?
Fundo do baú do Millôr
Quando a exposição Millôr: obra gráfica estava sendo elaborada, os curadores sentiram falta dos originais da importante série “Esta é, realmente, a verdadeira história do paraíso”, de 1963. Uma caixa acaba de ser encontrada com esses trabalhos e outras pérolas.
Brasil, dança absurda
Brasil S/A, o ensaio audiovisual de Marcelo Pedroso, é uma espécie de comentário irônico ao ideário e à retórica do “Brasil grande e ordeiro”. Sem que uma única palavra seja dita ou escrita, passam pela tela as grandes questões crônicas (e atuais) do país: a modernidade torta, a agroindústria predatória, a irracionalidade urbana, o racismo velado, o misticismo desesperado.
Encontro em Brasília
O curta-metragem Improvável encontro – Frente & verso, de Lauro Escorel, sobre os fotógrafos José Medeiros e Thomaz Farkas, em cartaz no cinema do IMS-RJ, foi selecionado para ser exibido na noite de abertura do 49º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, no dia 20 de setembro.
Bernardet na contramão
Fome, de Cristiano Burlan, que acaba de entrar em cartaz, acompanha as andanças de um velho mendigo pelas duras ruas do centro de São Paulo. Uma câmera fluente segue de perto seus passos e registra seus pequenos gestos e ocasionais diálogos com outros habitantes da metrópole. Até aí, seria um ensaio ou parábola mais ou menos banal em torno da invisibilidade social, do anonimato urbano, da condição de estar ao mesmo tempo dentro e fora do espaço público. O que torna única essa experiência e lhe confere, ao menos para uma parte dos espectadores, uma dimensão suplementar de significado é o protagonista ser encarnado pelo crítico, professor, pesquisador e ensaísta Jean-Claude Bernardet.
Ferrez em gigapixel
Os registros do Rio de Janeiro feitos por Marc Ferrez no século XIX e no início do XX constituem um impressionante documento sobre a cidade. Em breve será possível descobrir novos detalhes em cada imagem e fazer uma viagem no tempo e na história graças a uma parceria entre o Instituto Cultural do Google e o IMS, guardião do acervo do fotógrafo.
Moralismo automatizado
Sem nenhum aviso prévio, o Google tirou do ar o blog mantido havia dez anos pelo escritor americano Dennis Cooper, autor de uma prosa radical e perturbadora, e cancelou sua conta de email. Todas as tentativas de obter uma explicação foram ignoradas. O que mais assusta nesse exemplo é a suposição, por uma empresa em princípio jovem, moderna e liberal, de que deve haver limites, sem distinção para a arte e a literatura, na exploração de certas áreas do espírito humano; a suposição de que haja aspectos do espírito humano que devem ser mantidos na sombra e em silêncio.
