Oswald de Andrade no IMS

Literatura

07.07.11

Abaixo, tex­to de Cecília Himmelseher e Marcela Isensee — esta­giá­ri­as de jor­na­lis­mo em ati­vi­da­de no Centro Cultural do Instituto Moreira Salles do Rio de Janeiro. Cecília e Marcela falam sobre mais um acha­do na Reserva Técnica e Literária do IMS: exem­pla­res da pri­mei­ra edi­ção do Primeiro cader­no do alum­no de poe­sia, de Oswald de Andrade, o home­na­ge­a­do da Festa Literária Internacional de Paraty des­te ano.

Neste inver­no em que Oswald de Andrade é o home­na­ge­a­do da Festa Literária Internacional de Paraty, fez-se uma bus­ca da pre­sen­ça do líder moder­nis­ta na Reserva Técnica Literária do IMS-RJ. Foram encon­tra­dos dois exem­pla­res da pri­mei­ra edi­ção do Primeiro Caderno do Alumno de Poesia, livro publi­ca­do em 1927, dois anos depois, por­tan­to, da estreia de Oswald como o poe­ta revo­lu­ci­o­ná­rio de Pau-Brasil.

A tira­gem do Primeiro cader­no é de 299 exem­pla­res, nume­ra­dos de 2 a 300, mais um, em edi­ção espe­ci­al, de luxo, fei­ta espe­ci­al­men­te para Tarsila do Amaral, com quem Oswald foi casa­do de 1926 a 1930.

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O exem­plar de núme­ro 225 está na bibli­o­te­ca do poe­ta Carlos Drummond de Andrade, sob a guar­da do IMS des­de janei­ro de 2011. O outro, de núme­ro 18, faz par­te do peque­no acer­vo da Sociedade Pró-Arte Moderna (SPAM). Na pági­na de ros­to des­se exem­plar, Oswald de Andrade trans­cre­veu o poe­ma “Erro de por­tu­guês”, publi­ca­do pela pri­mei­ra vez nas Poesias reu­ni­das, em 1945.

A ver­são manus­cri­ta de “Erro de por­tu­guês” fun­ci­o­na como dedi­ca­tó­ria para Jayme da Silva Telles, um dos fun­da­do­res da SPAM, cri­a­da em São Paulo em 1932 com obje­ti­vo, entre outros, de pro­mo­ver mani­fes­ta­ções artís­ti­cas que se ali­nha­vam com o moder­nis­mo bra­si­lei­ro.

O Primeiro cader­no dá mes­mo a impres­são do cader­no de poe­si­as de um estu­dan­te: rabis­cos e cari­ca­tu­ras ao lado dos tex­tos se apre­sen­tam como ras­cu­nhos, esbo­ços inde­ci­sos de fase ima­tu­ra. Não fal­tou o cabe­ça­lho, indis­pen­sá­vel aos alu­nos apli­ca­dos. No de Oswald de Andrade, como não podia dei­xar de ser, a irre­ve­rên­cia é a mar­ca:

ESCOLA: Pau-Brasil

CLASSE: pri­má­ria

SEXO: mas­cu­li­no

PROFESSORA: A Poesia”

A capa do livro tem ilus­tra­ções de Tarsila do Amaral e dese­nhos do pró­prio Oswald para cada poe­ma. Em “Meus oito anos”, o poe­ta paro­di­ou os famo­sos ver­sos de Casimiro de Abreu:

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Adepto do exer­cí­cio de paro­di­ar, Oswald já havia se dedi­ca­do a outro clás­si­co da poe­sia bra­si­lei­ra quan­do em 1925 publi­cou, em Pau-Brasil, o “Canto do regres­so à pátria”, relei­tu­ra da “Canção do exí­lio”, de Gonçalves Dias.

Minha ter­ra tem pal­ma­res

onde gor­jeia o mar

Os pas­sa­ri­nhos daqui

Não can­tam como os de lá”

Na bibli­o­te­ca de Otto Lara Resende, tam­bém sob a guar­da do IMS, há ain­da dois exem­pla­res da ver­são fac-simi­lar (1987) de O per­fei­to cozi­nhei­ro das almas des­te mun­do, diá­rio escri­to por Oswald e pelos fre­quen­ta­do­res de sua len­dá­ria gar­çon­niè­re, na rua Líbero Badaró, 67, em São Paulo. Ali, em tor­no do anfi­trião, entre maio e setem­bro de 1918, as idei­as moder­nis­tas efer­ves­ci­am. Oswald e seus ami­gos pre­en­che­ram 200 pági­nas de um cader­no com diver­sos tipos de reca­dos, tro­ca­di­lhos, refle­xões, cola­gens, poe­mas, car­tas e até mes­mo man­chas de batom ou gram­pos de cabe­lo. Os cola­bo­ra­do­res do diá­rio não se iden­ti­fi­ca­vam, pre­fe­ri­am ape­li­dos ou pseudô­ni­mos. Quem gos­tou dos tex­tos assi­na­dos por Miramar e Garoa sim­ples­men­te apre­ci­ou José Oswald de Sousa Andrade, o autor que se escon­deu por trás dos pseudô­ni­mos.

Os fre­quen­ta­do­res da Flip pode­rão con­fe­rir tre­chos da edi­ção fac-simi­lar de O per­fei­to cozi­nhei­ro das almas des­te mun­do na Casa do IMS (rua do Comércio, 13, Centro Histórico, Paraty), sede do Instituto duran­te o even­to. Na Casa, tam­bém será exi­bi­do um vide­o­do­cu­men­tá­rio sobre a publicação,com depoi­men­tos de Marília de Andrade, filha de Oswald, Marisa Moreira Salles e Jorge Schwartz, que par­ti­ci­pa­ram do pro­je­to edi­to­ri­al de 1987.

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