Prezado Xico, eu não queria que a nossa correspondência acabasse sem que eu desse esse grito de carnaval tardio. Sei que professas da mesma fé e falta de preconceito. Jambo é jambo, preta é preta, mas a feiosa também faz seu carnaval. Você precisa saber do devotamento à causa de que é capaz a mulher feia no seu esforço sublime para ser entronizada no reino das musas inesquecíveis.
A História por trás das músicas, da modinha à lambada – Quatro perguntas a Tinhorão
É praticamente impossível não reconhecer a importância de Tinhorão enquanto historiador de música, tendo ele vasculhado acervos, bibliotecas e fontes primárias, aqui e em Portugal, para explicar em detalhes como se constituiu a música popular nacional. Entrevistamos o crítico acerca da nova edição do livro Pequena história da música popular segundo seus gêneros.
Duas faces da guerra ao terror
Quis o destino – ou a mão invisível do mercado cinematográfico – que dois fortes concorrentes ao Oscar deste ano, Argo e A hora mais escura fossem filmes que podem ser englobados no tema geral da “guerra ao terror”, mais precisamente da hostilidade recíproca entre norte-americanos e muçulmanos “radicais”, a guerra nada fria de nossa época.
Medianoche Mediodía, Ana Cristina Cesar em espanhol
No jornal espanhol El País, o poeta e crítico Edgardo Dobry escreveu uma resenha positivíssima de Medianoche Mediodía, livro que compila a tradução ao espanhol de cinquenta e três poemas de Ana Cristina Cesar. Em 2013, completam-se trinta anos da morte da poeta carioca.
Exposição “William Kentridge: Fortuna” bate recorde de público
Em 10 de fevereiro, a uma semana de seu encerramento, William Kentridge: Fortuna chegou aos 27 mil visitantes, número recorde na história do IMS-RJ. Até o dia 17, com entrada franca, o público pode conferir a primeira grande mostra preparada especialmente para o Brasil pelo artista sul-africano. Veja em fotos parte do que está na exposição.
A mediocridade reluzente do Oscar
Está presente, em O lado bom da vida, a hábil combinação de duas tradições: de um lado, o drama de desajuste e inadequação pessoal; de outro, a comédia de pares românticos que vivem às turras até perceber que foram feitos um para o outro.
Para um xodó no Recife, entreguei o meu coração vira-lata
Com o cão sem plumas ainda a lamber a ressaca, aqui da margem esquerda do Capibaribe, sigo o conselho do Paulinho da Viola, esse professor de educação sentimental e bons modos: fecho a ferida, estanco o sangue e sepulto bem longe o que restou da camisa colorida que cobria a minha dor, demorô, já era, evoé, meu camarada, se Baco é por nós, quem será da turma do contra?!
Foto: Geyson Magno/UOL
A ópera sombria da miséria
É difícil localizar qual é o “problema” de Os miseráveis. O conjunto parece sucumbir ao seu próprio peso, na falta de uma direção e de uma energia especificamente cinematográficas.
Política, inteligência e violência
A crítica de teatro Barbara Heliodora e o jornalista Otavio Frias Filho, diretor de redação da Folha de S. Paulo, realizaram no IMS-RJ um debate em torno de César deve morrer, filme baseado na peça Júlio César, de Shakespeare, feito pelos irmãos Taviani com presidiários italianos. Estetização da violência, Quentin Tarantino e como o dramaturgo inglês driblava a censura para falar de política foram temas da conversa.
Grêmio Recreativo Desiludidos do Amor
É isso, grande Xico. Desculpe se hoje prefiro a pândega e fujo do nosso tema. Cartas de amor são ridículas, todos sabemos e curtimos. Em tempos de carnaval, elas soariam imorais.
