As bonitas que me desculpem

Prezado Xico, eu não queria que a nossa correspondência acabasse sem que eu desse esse grito de carnaval tardio. Sei que professas da mesma fé e falta de preconceito. Jambo é jambo, preta é preta, mas a feiosa também faz seu carnaval. Você precisa saber do devotamento à causa de que é capaz a mulher feia no seu esforço sublime para ser entronizada no reino das musas inesquecíveis.

Duas faces da guerra ao terror

Quis o destino – ou a mão invisível do mercado cinematográfico – que dois fortes concorrentes ao Oscar deste ano, Argo e A hora mais escura fossem filmes que podem ser englobados no tema geral da “guerra ao terror”, mais precisamente da hostilidade recíproca entre norte-americanos e muçulmanos “radicais”, a guerra nada fria de nossa época.

A mediocridade reluzente do Oscar

Está presente, em O lado bom da vida, a hábil combinação de duas tradições: de um lado, o drama de desajuste e inadequação pessoal; de outro, a comédia de pares românticos que vivem às turras até perceber que foram feitos um para o outro.

Para um xodó no Recife, entreguei o meu coração vira-lata

Com o cão sem plumas ainda a lamber a ressaca, aqui da margem esquerda do Capibaribe, sigo o conselho do Paulinho da Viola, esse professor de educação sentimental e bons modos: fecho a ferida, estanco o sangue e sepulto bem longe o que restou da camisa colorida que cobria a minha dor, demorô, já era, evoé, meu camarada, se Baco é por nós, quem será da turma do contra?!

Foto: Geyson Magno/UOL

Política, inteligência e violência

A crítica de teatro Barbara Heliodora e o jornalista Otavio Frias Filho, diretor de redação da Folha de S. Paulo, realizaram no IMS-RJ um debate em torno de César deve morrer, filme baseado na peça Júlio César, de Shakespeare, feito pelos irmãos Taviani com presidiários italianos. Estetização da violência, Quentin Tarantino e como o dramaturgo inglês driblava a censura para falar de política foram temas da conversa.