Durante a FLIP 2012, na Casa do IMS, organizamos uma série de conversas com autores de diversas nacionalidades. Os bate-papos foram gravados e fazem parte do programa “Segunda Voz”, da Rádio Batuta. A nova série da webradio do IMS convidou escritores a falarem de seus personagens literários prediletos.
Woody Allen em ponto morto
No festival de cinema de Gramado de 1999, depois da exibição de Tango, de Carlos Saura, Eduardo Coutinho me disse uma dessas frases que valem por uma aula: “Muitos grandes cineastas, quando não têm mais o que dizer, viram fotógrafos”. Ou seja: fazem filmes plasticamente exuberantes… e vazios. Talvez não seja bem esse o caso de Para Roma, com amor.
No reino das sombras
Com as tripas maiores que o cadáver num quadrado menor que uma tela de cinema, com o doutor que engole em seco e o cadáver que cospe-se no chão, o Fausto de Alexander Sokurov começa a desorientar o espectador. Temos aqui um filme que se apoia na montagem não para colocar as coisas em ordem, mas, ao contrário, para colocá-las em desordem, para desarrumar o arrumado.
Machado por ele mesmo
Disponibilizamos esta semana a versão digital e gratuita do Cadernos de Literatura dedicado a Machado de Assis, autor de obras essenciais da literatura brasileira como Dom Casmurro e Memórias póstumas de Brás Cubas. Aproveitamos para apresentar aqui no blog uma das partes mais interessantes deste CLB: “Machado por ele mesmo”.
O grande e o pequeno
Dentre os convidados da décima Flip, Jonathan Franzen é autor do maior livro de ficção: 608 páginas. Alejandro Zambra, do menor: 94 páginas. Liberdade traz, em seu título, grandiloquência. Bonsai, miniatura.
Em literatura, tamanho é, sim, documento.
Um maxixe nos Estados Unidos – A incrível história de “Dengoso” (parte II)
Após 1914 o sucesso do maxixe no exterior caiu abruptamente, passando a receber poucas novas edições e gravações, sendo possível que a 1ª Guerra Mundial tenha influenciado nesta queda. Porém, a partir de 1932, começam a surgir algumas re-edições da música, que passa a aparecer frequentemente sob o título de Dengoza.
A falta que nos faz
Carlos Reichenbach falava de seus filmes como invenções feitas a partir de uma força impeditiva ou pelo menos limitadora. Filmar não com o que se tem, mas com a falta: para realizar seu primeiro longa-metragem pessoal, Lilian M, relatório confidencial (1974) parou de fazer publicidade, juntou “a sucata do estúdio, equipamento, uma sobra de negativo e uma sobra de herança familiar”.
O gótico pop de Tim Burton
Se há uma marca pessoal no cinema de Tim Burton – e é óbvio que há -, ela reside na maneira como ele justapõe em seus filmes a fantasia gótica e a sensibilidade pop. Dessa mistura, que talvez esteja também por trás do sucesso juvenil de Harry Potter e da saga Crepúsculo, o cinema de Burton, muito mais sofisticado e inspirado, extrai a sua graça, nos vários sentidos da palavra.
Ambição e nostalgia: Liberdade, de Jonathan Franzen
Parte do frisson em torno de Jonathan Franzen tem a ver com essa obsessão pelo “Grande Romance Americano”. É um fetiche entre os autores de lá e uma espécie de santo graal da literatura: o grande autor é aquele que consegue transferir para o romance os pontos nevrálgicos da experiência do país.
Um animal grotesco
Poucas bandas de pop contemporâneo passaram por tantas mudanças quanto a americana Of Montreal – ou pelo menos do gênero indie pop, um gênero por si só indefinível, pois o conceito de independente está em constante movimento, e Of Montreal é uma das provas desse movimento. O grupo tocou ontem em São Paulo e a performance serve de exemplo das múltiplas máscaras que Kevin Barnes e companhia são capazes de assumir.
