Cinema e Ciência no IMS

Entre 21 de abril e 8 de maio acontece Cinema e ciência no cinema do IMS-RJ, um ciclo de filmes e debates dedicados a temas científicos, uma iniciativa conjunta do IMS com a Academia Brasileira de Ciências (ABC). Serão exibidos documentários e ficções que abordam os mais diferentes aspectos das ciências, da biologia marinha até a física nuclear, incluindo obras em 35 mm e inéditas no país. O evento promoverá sessões de filmes seguidas de conversas com importantes cientistas brasileiros e estrangeiros.

Manuel Bandeira: o legado maior

Há 130 anos nascia, no Recife, aquele que ficaria conhecido como o Poeta de Pasárgada. Manuel Carneiro de Sousa Bandeira chegou ao mundo no dia 19 de abril de 1886 e, ainda jovem, foi transplantado para o Rio de Janeiro, onde viveu até o último dia de vida. No seu exílio, que se tornaria voluntário, conseguiu resolver uma equação invejável: sem esquecer sua cidade de origem – queria estar lúcido na hora da morte para lhe enviar um último pensamento, como se lê no poema “Recife” –, desejava morrer sob os “céus serenos” do Rio de Janeiro, “porque assim”, escreveu na louvação à capital carioca, “sentirei menos/ O meu despejo de cá”.

O cinema, o futebol e as tetas

Ave, César é talvez a obra mais transparente e programática dos irmãos Coen, porque lhes permite retratar ironicamente as entranhas da indústria cinematográfica e ao mesmo tempo brincar com vários gêneros consagrados por ela. Em O futebol, o diretor Sergio Oksman registra a convivência o pai em São Paulo durante o mês da Copa do Mundo de 2014. Já O signo das tetas traz uma narrativa enigmática, alegórica, marcada por uma iconografia religiosa sincrética, em que se combinam a extrema materialidade dos corpos e da natureza e uma fugidia espiritualidade.

Obra na Paulista

O fotógrafo Bruno Fernandes apresenta novas imagens de seu ensaio, atualizado a cada 15 dias, sobre a construção do novo centro cultural do Instituto Moreira Salles em São Paulo, na avenida Paulista. Acompanhe aqui, passo a passo, a execução do projeto, que tem inauguração prevista para 2017.

Janaína é uma bola

A performance de Janaína Paschoal, a musa do impeachment, é consequência de uma sociedade midiática, de exposição absoluta, que desnorteia os indivíduos entre BBBs, Facebook e o mundo das celebridades. Ninguém vê, por exemplo, obscenidade alguma em a mulher de um juiz em princípio sério e idôneo, que faz um trabalho importante contra a corrupção no país, abrir uma página no Facebook com o título “Moro com ele” (trocadilho com o nome do marido), para agradecer o apoio e as centenas de milhares de mensagens de carinho da população. Se ninguém vê, não sou eu que vou explicar.

O poema se escreve, não se explica (a vida)

Quem quando queira, de João Bandeira, pode trazer um pouco de leveza e a impressão de que a herança moderna não precisa ser um fardo ou um mau agouro, mas um laboratório a ser reinvestido e repensado em função da dissolução ou afrouxamento de certas disputas. Longe de fazer da convivência entre diferentes vertentes poéticas um sintoma pseudodemocrático da biodiversidade poética contemporânea, ele libera a poesia de superegos já caducos, sem se privar do tom lírico ou perder o horizonte de autocrítica. Abre pequenas brechas de contato, ali onde se tornou possível colocar em diálogo o rigor lúdico do concretismo, um ouvido musical e a utopia do verso livre.

Por trás do ombro de Millôr

Para o curador/organizador Paulo Roberto Pires, no livro Millôr: obra gráfica, a ser lançado no dia 13 de abril e já em pré-venda na Loja do IMS, “você vê o artista em movimento, como se estivesse por trás de seu ombro no estúdio”. É uma visão de conjunto sobre uma obra que, de forma fragmentada, fez e faz parte da vida dos brasileiros.

Mais forte que os clichês

Seria possível realizar hoje, nos Estados Unidos, dentro dos parâmetros do cinema comercial, um drama enxuto, adulto e inteligente, que não resvale para o previsível e convencional? Mais forte que bombas, do norueguês Joachim Trier, atesta que sim. Já em Juventude, de Paoo Sorrentino, o espetáculo visual ameaça sufocar a substância humana do drama, situando-se sempre na fronteira entre o estilo e a afetação, entre o grande cinema e um comercial da M. Officer dos anos 1990.

Haruo volta ao Japão

De abril a dezembro deste ano a exposição Haruo Ohara: Fotografia, com curadoria de Sergio Burgi, passará por três cidades japonesas: Kochi, Itami e Kiyosato. Serão exibidas cerca de 400 obras, além de um conjunto de objetos, documentos e ferramentas, com o objetivo de ampliar o contato do público do Japão com a obra do fotógrafo, falecido em 1999.

Mulheres, da planície ao planalto

Reivindicação dos direitos da mulher, da filósofa inglesa Mary Woolstonecraft, mostra como o pensamento sobre “a condição da mulher” foi historicamente classificado como desimportante. Escrito na Inglaterra do século XVIII, o livro dialoga com os problemas filosóficos e morais do Iluminismo, mas também pode ser lido à luz da misoginia contemporânea. Woolstonecraft discute com os grandes filósofos do seu tempo e discute questões que chegam até nós, herdeiros das Luzes e de uma certa narrativa moderna, digamos assim, vitoriosa, mas nem por isso menos questionável.