Coisas que esqueci mas que não me saem da cabeça

José Carlos Avellar parte da primeira vez que assistiu à Ano passado em Marienbad, de Alain Resnais, para rememorar encontros com o diretor em festivais de cinema e pensar sobre seus filmes, nos quais é constante “a sensação de estarmos diante de uma história contada pela metade, para se completar na memória ou no imaginário do espectador”.

Robocop vai, Eles voltam

José Geraldo Couto analisa a máquina de matar de José Padilha na refilmagem de Robocop, superprodução com elenco de astros, e apresenta a coragem e a delicadeza do pernambucano Eles voltam, de Marcelo Lordello, em que uma menina de 12 anos precisa enfrentar as surpresas existentes fora de sua pequena redoma de pré-adolescente de classe média.

A causa comum da alegria

Através de pesquisa na coleção José Ramos Tinhorão, sob a guarda do Instituto Moreira Salles, Elizama Almeida e Laura Klemz recuperaram algumas charges e textos publicados nas revistas “O Malho” e “Careta” do carnaval de 1914, época de “revoluções, tomadas de poder, bombardeios nas cidades do interior, desemprego, problemas de saúde e ordem pública, miséria, seca e muitos boatos relacionados ao governo”.

Doze anos de ênfase e redundância

Para José Geraldo Couto, 12 anos de escravidão, com sua “abordagem unívoca, inexorável”, não se sai muito bem como cinema: “Uma encenação acadêmica, conduzida com ênfase e redundância, para não dizer com mão pesada, que sugere em alguns momentos uma versão primeiro-mundista das produções da Vera Cruz”.

O iogurte e a faca

“O iogurte e a investigação policial em primeiro plano encaminham a correta percepção da história que não se vê na tela, ocorrida num tempo anterior ao do filme”, diz José Carlos Avellar sobre Era uma vez na Anatólia, de Nuri Bilge Ceylan. “Essa história invisível é o verdadeiro drama narrado” pelo diretor turco.

O que observamos quando observamos?

“Rouch dizia que não filmava a realidade em si, mas aquela produzida pelo ato de filmar”, escreve João Moreira Salles sobre a obra de Jean Rouch, um dos criadores do cinéma-vérité. “Trata-se da produção de realidades. O filme cria o que antes não existia. Nesse sentido, é o inverso do jornalismo”.

Ela e o mal-estar do simulacro

“Ninguém poderá acusá-lo de estar alheio a questões centrais do cotidiano e do imaginário de nossa época”, afirma José Geraldo Couto sobre Ela, de Spike Jonze, cujo protagonista apaixonado trafega “na corda bamba entre a sanidade e a bizarrice”.

O estúdio fotográfico Chico Albuquerque

Chico Albuquerque notabilizou-se como um dos pioneiros da fotografia de publicidade no Brasil e se tornou referência não apenas nesta área mas também na fotografia de estúdio (retratos), na fotografia industrial e na fotografia de arquitetura e de documentação urbana. Sergio Burgi apresenta a trajetória do fotógrafo, que recebe exposição no IMS-RJ a partir de 25/2.