International Pen Friends

Minha amiga tinha descoberto, por meio de um primo comissário de bordo que fazia voos internacionais via Varig, uma misteriosa organização chamada International Pen Friends, com sede em Dublin, que funcionava da seguinte forma: você preenchia uma ficha com seus dados (sexo, idade, idiomas que falava, e ainda escolhia os países onde queria correspondentes) e mandava tudo com 10 dólares num envelope pra eles. Meses depois, chegava uma listinha com nomes e endereços.

Reina Sofia, o último circuito ideológico

O Centro Cultural Reina Sofia, onde a obra de Pablo Picasso se encontra em exibição, funciona de forma semelhante ao Museu do Louvre: 90% dos visitantes enfrentam as filas, pagam o ingresso, perguntam a um segurança onde está a Mona Lisa, se acotovelam para tirar uma fotografia com os seus smartphones e procuram pela saída, ignorando uma coleção riquíssima que percorre séculos da história da arte. Da mesma maneira, a maior parte das pessoas que passam pelo Reina Sofia sabe exatamente o que quer ver e não perde tempo percorrendo as demais salas de exposição.

Camisa branca de linho

É tão visual, moderno, engraçado. E me fez pensar o seguinte: se a mulher do poema fosse “loira” e não “loura”, ainda seria “doce como um bolo”? Acho que não. Acho que o “ou” ecoa no “o” de “bo”, dá solidez, peso, massa à mulher, permitindo que ela seja um bolo. Se fosse loira, seria mais angulosa e aérea. Não seria um bolo. No máximo, uma porção de fios de ovos ou um quindim.

A cinefilia segundo Drummond

Entre os livros da biblioteca de Drummond disponíveis no Acervo do Instituto Moreira Salles, encontra-se o Dictionnaire du cinema universel, de René Jeanne e Charles Ford. Trata-se de um volumoso (mais de 700 páginas com fonte pequena) dicionário de cinema francês de 1970. Não é o único livro do tipo na biblioteca do poeta. O que faz de Dictionnaire du cinema universel uma peça especial na biblioteca é a “participação colaborativa” do poeta com o livro.

Traduzir Bishop – Quatro perguntas a Paulo Henriques Britto

O poeta, contista e tradutor Paulo Henriques Britto é responsável por verter ao português livros de grandes autores de língua inglesa, como Philip Roth e Don DeLillo. Recentemente, a Companhia das Letras lançou uma edição de poemas selecionados de Elizabeth Bishop. Paulo Henriques Britto foi responsável pela seleção, tradução e pela escrita dos textos introdutórios acerca da autora. O blog do IMS preparou quatro perguntas sobre a obra da poeta, que viveu muitos anos no Brasil, e a experiência de tradução deste livro.

O som ao redor e a primavera pernambucana

O som ao redor, de Kleber Mendonça Filho, é um filme assombroso, nos melhores sentidos que a palavra possa sugerir. Mas não se trata de um epifenômeno, de um mero produto do acaso. Por um lado, ele é resultado do processo de amadurecimento artístico do diretor recifense, que já tinha mostrado inventividade e competência em curtas como Vinil verdeEletrodoméstica Recife frio e no documentário Críticos.

Ana Cristina Cesar lê Clarice

Reconhecemos em Clarice Lispector a admirável habilidade de, mais do que traçar narrativas, criar sulcos na linguagem, levando esta a um avesso de si mesma. Uma imagem deleuziana que, na verdade, teoriza o boom de leitores que, com pouca margem de erro, se tornam admiradores de seu estilo de escrita. Entre eles, a poeta Ana Cristina Cesar, declaradamente atingida pela literatura clariciana.

Jards Macalé recria Jards Macalé

O compositor e intérprete Jards Macalé realizou no Instituto Moreira Salles do Rio de Janeiro, no dia 14 de agosto, um show histórico no qual recriou seu primeiro LP, Jards Macalé, de 1972. Mistura fina e única, síntese de rock e baião, o disco é um dos melhores autorretratos do artista.