Entre os quase quatro mil livros da biblioteca de Drummond, sob a guarda do Instituto Moreira Salles, se escondem pequenas edições, as chamadas edições diamante, que em geral medem em torno de 11 centímetros por 8. Uma delas encerra a coletânea de contos A casa do gato cinzento, de 1922, obra com que o escritor e poeta santista Ribeiro Couto, nascido em 1898, estreou na prosa.
Especulações sobre uma Granta portuguesa
Por que saiu uma Granta com os 22 melhores jovens autores de língua espanhola (não 22 argentinos ou mexicanos ou espanhóis) e agora sai uma com os 20 verde-amarelos, ao invés dos 20 melhores de língua portuguesa? Como não gosto muito de polêmica e cara feia, resolvi fazer assim: trocar os questionamentos por um exercício de edição imaginária.
O conforto beatnik
Com três filmes sobre o tema ou em fase de pós-produção ou distribuição neste ano (Big Sur; Corso: the last beat e Na estrada), espera-se que os beatniks sejam um tema óbvio e contemporâneo. Eles avançaram além do movimento literário: tornaram-se um fenômeno social. Além disso, a lendária forma de pensar ainda seduz gerações de leitores em todo o mundo. Entretanto, é difícil parar e considerar até onde essa sedução faz algum sentido, hoje. Em 2012, tudo que os beats fizeram seria digno de uma rave. E ponto.
A experiência radical do mundo – Quatro perguntas a Rodrigo Naves
Rodrigo Naves é, ao lado de Heloisa Espada, um dos curadores da mostra Raphael e Emygdio: dois modernos no Engenho de Dentro, em cartaz no Instituto Moreira Salles do Rio de Janeiro. A exposição conta com 100 obras, entre desenhos e pinturas de Raphael Domingues (1912-1979) e Emygdio de Barros (1895-1986), artistas diagnosticados com esquizofrenia. Naves é autor do ensaio Emygdio de Barros: o sol por testemunha, incluído no catálogo da exposição, e respondeu a quatro perguntas do Blog do IMS acerca dos artistas.
O Benny Goodman da gafieira
Ouvir Severino Araújo era como ouvir um Benny Goodman curtido em Underberg na Praça Tiradentes. Ouvir Severino Araújo era, aliás, impossível: dançava-se com Severino Araújo à frente da insuperável Orquestra Tabajara que ele comandou com brio de 1938 e, de forma honorária, até este 3 de agosto de 2012, quando morreu aos 95 anos.
Poesia obscena no acervo Tinhorão
Mas, não fosse a raridade bibliográfica, que importância teria esse livrinho de um poeta esquecido pela maioria dos estudiosos de literatura brasileira? Apesar de sérios problemas tipográficos e textuais, o que não convém aqui discutir, Poesias livres é um dos poucos testemunhos da poesia obscena do nosso oitocentos, ao lado das edições de Elixir do pajé e da Origem do mênstruo, do também romântico Bernardo Guimarães.
No brega, o Brasil profundo
O documentário Vou rifar meu coração desenvolve generosamente as linhas contidas em potência nessa abertura: imersão na paisagem física e humana; respeito e carinho pelos personagens e curiosidade por sua história; tentativa de encontrar o universal na experiência particular. E o veículo disso tudo é, evidentemente, a música. A música popular romântica, geralmente chamada de brega – e não sem razão.
O vazio e a ponta preta: Chris Marker (1921 – 2012)
É bem aí que se encontra o dado singular do cinema de Chris Marker: neste pedaço relativamente pouco importante de sua reflexão sobre a Europa (e sobre todo o mundo) de um pouco antes até um pouco depois do Maio de 68. Marker fala antes de mais nada de imagens. Ele trata as imagens que formam seus documentários como imagens mesmo, e não como um documento transparente do fragmento de realidade que elas registram.
Como Kubrick dirigiu os filmes da chegada do homem à Lua
Teóricos da conspiração se debruçam há muito tempo sobre o filme que registra a chegada do homem à Lua para denunciar suas falhas e, portanto, sua autenticidade. As teorias mais paranoicas inclusive apontam para a presença de Stanley Kubrick, que, um ano antes da chegada da Apollo 11 à Lua, havia filmado o épico 2001 – Uma Odisseia no Espaço… Nenhuma teoria é tão irresistível quanto a contada no falso documentário Dark side of the Moon, do francês William Karel em 2002.
Jorge, Nelson, literatura, cinema
O destino é caprichoso. Dois dos maiores e mais populares escritores brasileiros do século XX completariam cem anos neste mês de agosto: Jorge Amado (dia 10) e Nelson Rodrigues (dia 23). Os dois são também, de longe, os mais adaptados para o cinema e a televisão. Obras de Nelson Rodrigues inspiraram nada menos que vinte longas-metragens. Jorge Amado, por sua vez, teve livros seus transformados em dezessete longas.
