Um mundo flutuante – conversa com Madalena Hashimoto Cordaro

A convite do blog do IMS, a professora e artista plástica Madalena Hashimoto reflete sobre um rico material pertencente ao acervo do IMS e disponibilizado em publicação do Instituto com organização sua: as estampas ukiyo-e, bastante representativas dos entretenimentos dos moradores de cidades japonesas entre os séculos XVII e XIX. De maneira mais ampla, ukiyo-e pode ser traduzido como “pinturas do mundo flutuante”, ou seja, de um mundo “efêmero, que muda a toda hora” e deve ser desfrutado “hoje e agora”. A admiração de pintores ocidentais, o teatro kabuki e a dominação dos samurais são alguns dos temas tratados nestes vídeos.

Elisa Lispector revisitada: entrevista com Nádia Battella Gotlib

Marcela Isensee e Cecília Himmelseher, entrevistaram, por e-mail, a pesquisadora Nádia Battella Gotlib, autora de importante obra biográfica sobre Clarice Lispector. Livre-docente e professora de Literatura Portuguesa e Literatura Brasileira pela Universidade de São Paulo, Nádia prepara um livro sobre Elisa e fala a respeito da vida e da obra da escritora.

Cartas na mão ou no micro

Minha relação com a tecnologia jamais poderá ter a naturalidade da garotada de hoje. Sou uma das poucas pessoas que não possuem nem mesmo um celular. Eu e o grande escritor Luiz Ruffato. Então, entre tantas coisas boas que nos têm trazido esta nossa correspondência, uma é descobrir que o computador e a internet também servem para uma carta mais detalhada que os lacônicos e-mails. Acho também bacana que escrevamos um para o outro, mas com um olho nos visitantes do site do IMS. E fiquei feliz de receber comentários de terceiros e suponho que você também.

Morte e vida da literatura

Nos perfis do Instituto Moreira Salles nas redes sociais, ao longo da semana vários links de textos, ensaios, reportagens e curiosidades são colocados à disposição dos nossos seguidores. A partir desta semana, esse conteúdo também será reunido no blog do ims. Isso tudo para quem quer ficar por dentro do que melhor e mais interessante está acontecendo na rede e para quem acompanhou e agora pode guardar os links e espalhá-los por aí.

A literatura e o indizível

Estou pensando em Graciliano Ramos e seu Fabiano, de Vidas secas. Ou em Clarice e sua Macabéa, em Guimarães Rosa e seu Riobaldo, em J. M. Coetzee e seu Michael K. Veja que são autores muito diversos entre si, mas que tentam de um modo quase desesperado uma ponte de linguagem com esse outro afásico, impenetrável. Você de certo modo fez isso num conto como “Um discurso sobre o método”, não é verdade?

Passeios sem Robert Walser

Não tenho fetiche por escritores (não costumo visitar seus túmulos nem suas casas, embora a de Dostoiévski em São Petersburgo tenha me deixado muito impressionado). Decidi ir atrás dos traços de Walser em Berlim (onde ele viveu entre 1907 e 1913, depois de ter frequentado uma escola para criados, e quando escreveu e publicou a sua obra-prima recém-lançada no Brasil, Jakob von Gunten) só pra me distrair do meu próprio bloqueio. Achei que um pouco de fetichismo pudesse me ajudar a superar a inércia.

Clássicos para tudo o que é gosto

Fico até encabulado com os seus elogios a meu livro, em sua carta bonita, leve e solta. Nela você pergunta qual é a minha relação com os clássicos. Não vou dizer que é sempre uma relação fácil, mas os clássicos já me deram momentos de uma incomparável riqueza existencial. Mas confesso que só consegui ler os sete volumes de Em busca do tempo perdido, de Marcel Proust, na terceira tentativa.

Poesia e utilidade em Niemeyer – Guilherme Wisnik e Pedro Fiori Arantes

O quarto encontro da seção “Desentendimento” trata da obra de Oscar Niemeyer, pensando-se seu papel na história da arquitetura brasileira, e tem mediação de Fernando Serapião, crítico e editor da revista Monolito. Neste espaço, o leitor encontra no blog um debate em vídeo em que os convidados apresentam opiniões divergentes sobre um tema proposto pela revista serrote. Aqui, as reflexões cabem a Guilherme Wisnik, professor da Escola da Cidade (São Paulo-SP) e autor de Lúcio Costa (Cosac Naify, 2001), e a Pedro Fiori Arantes, professor da Unifesp e autor de Arquitetura nova (Editora 34, 2002).

O perfeito cozinheiro das almas deste mundo – Oswald de Andrade

O videodocumentário abaixo trata da edição do livro O perfeito cozinheiro das almas deste mundo, de Oswald de Andrade (o grande homenageado da Flip 2011). A elaboração coletiva, em forma de diário, é resultado de encontros em uma garçonnière mantida pelo escritor e amigos em 1918, no centro de São Paulo. Os frequentadores, entre eles Guilherme de Almeida, Vicente Rao, Leo Vaz, Monteiro Lobato e Daisy – única mulher e uma das grandes paixões de Oswald -, registravam suas observações com bilhetes, receitas, poemas e desenhos. O livro, esgotado, foi publicado em 1987 em tiragem limitada pela editora Ex-Libris, e apoio do IMS, com um projeto gráfico cuidadoso, preservando detalhes como colagens e dobras (clique aqui para ver trechos). O filme conta com depoimentos de Marília de Andrade, filha de Oswald, Marisa Moreira Salles e Jorge Schwartz, que participaram do projeto editorial de 1987.

A dívida com os clássicos

Tenho muitos amigos que torcem o nariz para o Woody Allen, acusando-o de pseudointelectualismo ou mesmo de anti-intelectualismo. Penso diferente. A meu ver, ele brinca, por um lado, com o pedantismo acadêmico, e por outro com a superficialidade intelectual de nossa época, mas ao mesmo tempo sabendo que trabalha com um meio de expressão também ligeiro e superficial, que é o cinema narrativo americano.