Mas e a minha surpresa, Zé, ao saber que o roteiro havia passado para as mãos de Fernanda Young e seu marido, cujo nome não me lembro, e o filme ia se chamar Bossa nova? Diante de tudo o que eu lia a respeito nos jornais e via na TV, logo entendi que o Bruno ia fazer uma comediazinha romântica com o Antônio Fagundes namorando a Amy Irving. Não participei de pré-estreias, festinhas e outros babados e fiz questão de assistir ao filme sozinho, numa sessão de meio de semana à tarde, praticamente me escondendo na última fileira do cinema, para não correr o risco de ser visto por algum amigo.
Todas as primaveras
Puxa, você esteve em Paris em maio de 68 e em Praga na primavera do “socialismo com rosto humano” – e voltou com essas coisas todas na cabeça para o sombrio Brasil dos generais. É sempre temerário fazer paralelos entre a obra de um artista e sua vida pessoal, ou deduzir aquela desta, mas não posso deixar de ver uma coerência profunda entre a tua vivência de experiências de liberdade e o caráter essencialmente libertário da tua literatura.
Os caminhos da liberdade
E vou fazer uma confissão. Quando fui demitido da Petrobras por subversão, logo após o Golpe de 64, houve um lado meu que se sentiu aliviado. Como não fui preso ou sofri violências físicas, pensei: agora, quem sabe, vou poder escrever. E, de fato, tendo o meu pai amigos influentes, consegui um emprego na Justiça do Trabalho, de meio horário, tudo o que um aspirante a escritor poderia pedir.
De Fidel a Neymar
Que maravilha essa sua história com o Fidel Castro, não só o encontro em Havana, mas também o destino da foto do “grande comandante”. Acho que esse episódio sintetiza todo um processo, o do entusiasmo e posterior desencanto da sua geração e da minha (que, afinal, talvez sejam a mesma) com Fidel, Cuba, o comunismo, o marxismo.
Boiada, de José Antonio da Silva
Aquele “saudosismo transfigurador”, típico do caipira, no dizer de Antonio Candido, vai ganhar em Silva sua contrapartida nos atos resolutos do artista, que vem a pintar com um caráter afirmativo o seu passado. Se Silva pintou o campo em transformação, essa mesma dinâmica encontra-se, de certo modo, processada na sua forma de pintar. Esta se torna cada vez mais decidida, e nisso também podemos notar que o pintor conseguiu entender melhor a dinâmica pictórica de seus dois artistas preferidos: Picasso e Van Gogh.
De escritores, livros e viagens
Dos escritores portenhos, conheço pessoalmente César Aira, que me deu a honra de traduzir meu Um crime delicado para o castelhano. O livro foi publicado pela editora Beatriz Viterbo, uma homenagem à amada do narrador de O Aleph, que você deve conhecer muito bem. Uma das tantas coisas interessantes, para o dizer o mínimo, em O Aleph, é que pode ser lido também como uma história de amor, este conto que toca o infinito. Já de Aira pode-se dizer que é um tanto excêntrico e na Argentina é tido como uma pessoa difícil, que não dá entrevistas aos jornais locais. Mas, por alguma razão, gosta do Brasil e dos brasileiros (…).
Debate sobre a importância da obra de Saul Steinberg II
Veja, na íntegra, mesa-redonda com o crítico de arte Rodrigo Naves, o cartunista Claudius Ceccon e ilustrador Daniel Bueno. O debate, que aconteceu após visita guiada (16/7/2011) no IMS-RJ, em razão da mostra Saul Steinberg: as aventuras da linha, no IMS-RJ, teve mediação de Roberta Saraiva, curadora da exposição. O debate abordou, entre diversos aspectos, a passagem pelo Brasil do célebre cartunista e artista gráfico americano Saul Steinberg.
O futuro no passado
A primeira rede de computadores da Folha não era muito confiável. Dizia-se que era de fabricação paraguaia. Não tenho certeza disso, mas sei que a todo momento as matérias sumiam das telas, perdiam-se dias inteiros de trabalho, era um deus nos acuda na redação. Lembro-me nitidamente de uma noite em que, próximo do horário de fechamento do jornal, o sistema deu pau. Simplesmente parou, como um carro que “morre” por falta de bateria. Uma cena para não esquecer: o diretor do jornal, Otavio Frias Filho, e os dois secretários de redação, parados em silêncio, perplexos e expectantes, diante do terminal inerte da primeira página.
A vocação de madre Maria Teresa – quatro perguntas a Frei Betto
Filha de Alceu Amoroso Lima (1893-1983), Maria Teresa recebeu do pai com regularidade diária uma extensa epistolografia (de quase quatro mil cartas) durante mais de 30 anos. Um parte desse material foi selecionado com seu aval pelos irmãos Alceu Filho e Silvia e publicado pelo Instituto Moreira Salles em Cartas do pai.
Outra coletânea dos escritos de Alceu Amoroso Lima vem sendo preparada pelo IMS para um novo volume, com organização de Frei Betto, que nesta entrevista responde sobre esse trabalho e a trajetória de madre Maria Teresa.
Estrela da manhã, o diamante da biblioteca de Drummond
Entre os livros mais cobiçados da biblioteca de Carlos Drummond de Andrade, desde fevereiro sob a guarda do IMS, distingue-se um exemplar de Estrela da manhã, de Manuel Bandeira. O livrinho, que não passa das setenta páginas, foi publicado em 1936, quando o poeta de Pasárgada completava 50 anos.
