Certa noite, depois de algumas horas de jogo, saí para pegar uma Coca Light na cozinha e a Fernanda Lima estava na sala. Era amiga da minha companheirinha na época (o diminutivo não pretende diminuir, a gente se chamava assim durante um período, eu era naturalmente o companheirinho, enfim, essas coisas não se explicam). Dei um Oi, sentei para praticar o chamado convívio social lhano e urbano, mas em minutos pedi licença e me tranquei no escritório de novo. Beyond Good and Evil não podia esperar. Talvez eu deva desculpas à Fernanda, foi meio falta de educação.
Fantasia sobre Minas Gerais
Provavelmente realizada entre 1950 e 1962, a pintura Fantasia sobre Minas Gerais faz parte de um conjunto de paisagens que marcam a maturidade do estilo de Alberto da Veiga Guignard (1896-1962).
Emergências quelônicas
O Ulysses é um livro sobre você. Sobre mim. É um livro que fala intimamente de nossos amigos e de nossas famílias. O dia do sr. Bloom é a vida de cada um de nós, e tudo acontece: pessoas morrem, se apaixonam, traem, fazem pequenas e grandes contravenções.
David Perlov: a paixão do cotidiano
Este texto foi publicado originalmente na Cahiers du Cinéma, número 605. Na sequência, uma entrevista concedida a Uri Klein, do jornal israelense Haaretz, por David Perlov, tema da mostra “David Perlov: epifanias do cotidiano”, em cartaz no cinema do IMS-RJ entre os dias 11 e 20 de março de 2011.
Lost in translation
Talvez essa cena tenha me influenciado na decisão de traduzir o Suttree do Cormac McCarthy no período que morei em Garopaba. Eu tinha lido o livro meses antes em São Paulo e ele tinha basicamente terraplanado a minha vida.
Abba! Adonai!
A tradução do Ulysses está andando bem. Ele e o Paulo Henriques já fecharam mais de dez capítulos. Agora vou ler, dar pitacos e devolver. Eles decidem o texto final, claro, todavia pretendo bater o pé em diversas questões impertinentes. Mas sério, estou ansioso pra cacete, e o livro sai só em janeiro, vai ser dureza. Você acompanhou o caminho todo que a tradução fez até a gente fechar, uma sequência de coincidências e sortes, e fiquei feliz da vida que tenha dado certo. O Galindo passou anos trabalhando nisso, entre todas as revisões, e há muito tempo que falamos dessa edição. Misto de alívio e pânico agora que começamos de fato.
Paisagem na janela
Leia texto de Ilana Feldman, curadora da mostra “David Perlov: epifanias do cotidiano”, que abre esta semana no IMS-RJ. “A primeira vez que tive contato com a obra de David Perlov foi em 2006, quando por acaso entrei às escuras em uma sala miúda do centro da cidade, em meio a outras quatrocentas sessões de cinema do Festival do Rio”.
Mad Max, Duro de Matar e outros filmaços
Não se fazem mais filmes de ação como antigamente, hein. Acho que a última coisa válida mesmo foi a trilogia do Senhor dos Anéis, e Matrix, claro, cujas enxurradas de clones formam, junto com os filmes de super-heróis de quadrinhos, os três braços do grande rio dos filmes de ação medíocres e sem alma da última década.
Pingue-pongue predial
O grande barato do ving tsun está na economia de movimentos. Tudo precisa ser realizado no menor espaço possível, ocupando as brechas entre você e o oponente de maneira rápida e eficaz. A expressão máxima disso é o Soco de Uma Polegada do Bruce Lee, um “golpe de marketing” para encher academia, mas que não deixa de ser impressionante.
Retrato em branco e preto – conversa com Sérgio Augusto
Neste registro de um encontro com o jornalista Sérgio Augusto, o acervo de fotografias do Instituto Moreira Salles serve de mote para uma conversa sobre o Rio de Janeiro entre as décadas de 40 e 50. Destaca-se o cenário do carnaval carioca do período, tema de mostra em cartaz no Instituto Moreira Salles. As fotos foram selecionadas dos acervos de José Medeiros, Carlos Moskovics e Otto Stupakoff.
No primeiro bloco, Sérgio Augusto trata da tradição dos bailes de Carnaval no Cassino da Urca na década de 1940 – quando dividia com o Copacabana Palace o posto de reduto da alta sociedade carioca – e de artistas que ali foram descobertos, como Carmen Miranda. Grande Otelo e Herivelto Martins fizeram dupla em shows na casa. Orson Welles também figura entre as celebridades que frequentaram o cassino.
Na segunda parte, é a vez de comentar sobre o Copacabana Palace – e os estrangeiros famosos que hospedava – e o vestuário feminino da época.
Nas duas sequências seguintes, o Jockey Club, o Teatro João Caetano, Copacabana e seus cinemas no fim da década de 40 e começo da de 50 ativam a memória afetiva de Sérgio Augusto. No quarto segmento, destaque para o frisson provocado pela presença da atriz Lana Turner no cassino-hotel Quitandinha, em Petrópolis-RJ.
Por fim, a história da peça Orfeu da Conceição é ilustrada pelas fotos de José Medeiros. Sérgio Augusto analisa a importância da obra, que teve libreto de Vinicius de Moraes, música de Tom Jobim e cenário de Oscar Niemeyer.
