Núcleo de expansão, de Iberê Camargo

Quando Iberê Camargo (1914 – 1994) realiza Núcleo de expansão, em 1965, ele já alcançara a maturidade artística havia uma década. Nesta obra reconhecemos elementos, mais formais e pictóricos do que figurativos, presentes desde seu período no Grupo Guignard, no início dos anos 1940, ou dos Carretéis, que fecha sua produção da década de 1950.

Ficção, compadrio e as tias – Beatriz Resende e Alcir Pécora

Neste terceiro debate da seção “Desentendimento”, os críticos literários Beatriz Resende e Alcir Pécora refletem sobre a literatura brasileira contemporânea. A mediação ficou a cargo de Paulo Roberto Pires, editor da revista serrote. A cada mês, o leitor encontrará no blog um debate em vídeo em que os convidados apresentam opiniões divergentes sobre um tema proposto pela revista serrote.

Cachorrão brabo

Eu ainda nem tinha lido a história e já estava hipnotizado por aquele arranjo: o borrão carrancudo, os cinco anos da menina, o título curiosamente adulto contendo “Amor” e a instrução “você verá uma figura que nunca pensou em desenhar, depois invente uma história” que parecia suplantar qualquer outra definição do impulso ficcional.

Parasitas do afeto humano

Não lembro bem em que momento, mas nós compramos uma cadela. Minha única exigência foi que a batizassem de Nádia, em homenagem à companheira de Vladimir Ilich, o nosso Lênin. Era um labrador marrom, extremamente estúpido, com essa agressividade afetuosa dos cães bobões.

Objetos puros – conversa com José de Souza Martins

A obra do fotógrafo alemão Hans Gunter Flieg, que se estabeleceu no Brasil em 1939, destaca-se pelo vasto trabalho realizado para a indústria. Em sua produção sob encomenda, em que sobressai a estilização dos pátios das fábricas e do retrato de produtos, Flieg constrói “um imaginário da mercadoria” com seus procedimentos. É o que diz o sociólogo José de Souza Martins.

Thomaz Farkas (1924-2011)

A abertura da mostra Thomaz Farkas: uma antologia pessoal no IMS-SP, em janeiro deste ano, deu a dimensão da centralidade de Farkas não apenas para a fotografia, mas para a cultura brasileira. O fotógrafo húngaro naturalizado brasileiro, morto nesta sexta aos 86 anos, deixa um legado que não se resume a uma obra fotográfica pioneira.

A arte negra de Wilson Moreira e Nei Lopes – 30 anos

Em 1980, o álbum A arte negra de Wilson Moreira e Nei Lopes contava para o mundo o que muita gente boa já sabia: do encontro de um ex-agente penitenciário com um ex-advogado nascia uma das parcerias mais sofisticadas da música brasileira. Em outubro de 2010, ao recebê-los para recriar estes 14 sambas que são história, o IMS iniciou uma série de recitais dedicados a grandes discos.

Universo paralelo

Tenho saudade de tocar em banda. Pena que tu não chegou a ver a Blanched, da qual fui baixista e guitarrista por uns anos, tocar ao vivo. Pós-rock majoritariamente instrumental. A gente fazia uns poucos shows em Porto Alegre, São Leopoldo e Novo Hamburgo, mas tinha um grupo fiel de fãs que sempre aparecia e era uma barulheira infernal.

As faces de Fayga

Tema da exposição que vai de 26/3 a 15/5/11 no IMS-RJ, a artista polonesa Fayga Ostrower (1920-2001) fixou-se no Brasil na década de 1930. Além de gravadora, pintora, desenhista, ilustradora, foi também professora e teórica da arte. E é como pensadora do trabalho artístico que ela presta seu testemunho no vídeo abaixo, trecho produzido – mas não incluído na versão final – para o documentário Janela da alma (2001), de João Jardim e Walter Carvalho.

Eu me sinto em casa aí

As chagas da aviação brasileira são outras, claro, mas para mim o pior de ir ao sul é o risco de turbulência de ar claro, muito comum do Rio Grande pra baixo. É aquela turbulência que o piloto não consegue antecipar, e que promove uma perda rápida de altitude, o que por sua vez gera desconforto, pavor e morte (se a pessoa está sem cinto e bate a cabeça no teto).