Se essa correspondência não fosse pública, eu diria: “rebarbativo Gullar”, uma ova! E pronto. Resposta abrupta assim porque a amizade tão profunda e sentida, de mais de 30 anos, que temos um pelo outro sempre permitiu os “contrastes e confrontos”, explicitamente declarados e debatidos, sem que isso a afetasse. Mas como escrevemos a céu aberto, ao ar livre como dois BBs no paredão virtual e eletrônico, com gente lendo por cima dos nossos ombros, devo uma declaração a essa galera anônima que bafeja nas nossas nucas: desde os meus 16 anos “pratico” Ferreira Gullar.
Perecíveis e descartáveis
Talvez você não queira saber do que te digo: apesar do rebarbativo Gullar ser bem mais velho que você, no meu ranking pessoal você é o mais importante poeta brasileiro vivo. Mas, te dou razão: talvez julgar poesia seja muito mais difícil do que julgar prosa.
Poemúsica
No dia 30 de março de 2010, Augusto de Campos recebeu, no Instituto Moreira Salles do Rio de Janeiro, o músico e compositor Cid Campos – seu filho e parceiro de muitos anos -, e a cantora Adriana Calcanhotto – que vem interpretando o trabalho de ambos em discos e shows.
Elizeth Cardoso
Com um show especial, o IMS-RJ comemorou, em julho de 2010, os 90 anos de uma das mais importantes intérpretes brasileiras, Elizeth Cardoso (1920-1990).
Só existe sucessão monárquica para os poetas?
Estava pensando: por que será que o Prêmio São Paulo só é concedido ao melhor romance de novatos e veteranos, recém-lançados? Em valor monetário, relativamente falando, ele supera até o Prêmio Camões, pois este contempla o conjunto da obra de uma vida.
Analistas e pacientes: quatro perguntas para Armando Freitas Filho e Maria Rita Kehl
Em continuidade à seção “Correspondência”, o Blog do IMS apresenta dois novos missivistas: a psicanalista, escritora e ensaísta Maria Rita Kehl e o poeta e pesquisador Armando Freitas Filho. A partir de hoje, eles passam a trocar cartas semanais no blog: Armando escreve às segundas, Maria Rita às quartas. Eles falam ao Blog sobre a amizade que nutrem há mais de trinta anos.
Que época pra se viver, diz aí
Nos últimos dois anos, fui tentando recompor as peças daquele fim de semana, e anotei de cabeça algumas coisas que eu sei que aconteceram: conheci o Scott, tive uma longa conversa com ele, ficamos amigos imediatamente e, mais tarde, tivemos a mesma conversa, nos apresentamos de novo, ficamos amigos, lembramos que já nos conhecíamos; dancei com Joana, Renata, Ivana, Bebel (ela riu de meu samba rock), Juliana e Francisco; eu e você bebemos um balde de uísque; voltamos numa van, umas quinze pessoas em silêncio, ouvindo o funk “Vou cair na sacanagem/ nas casas de massagem”.
Teu protagonista não convence: refaça
É por isso que eu amo os editores, porque eles sabem disso, mesmo que não tenham a ambição de serem autores. Eles entendem o processo, suspeito que podem até mesmo sentir o processo e se colocar no lugar do autor em muitos casos, mas estão, grosso modo, livres da vaidade, do desespero, do narcisismo, da segurança, da insegurança, da convicção, da ansiedade, da teimosia, da cegueira, da euforia, da arrogância, da humildade, do medo, da pretensão, para não dizer da eventual megalomania, bloqueio criativo, terror, paranoia, delírio e por vezes loucura do autor.
Chega de carro sem airbag, velhinho
Na faculdade eu escrevi contos, não sei onde estava com a cabeça. São uns textos pretensiosos, forçados, ainda bem que só um foi publicado. Mas vou roubar nomes de personagens, duas cenas e uma oração, “No Ceará a terra treme todo dia”, que não sei como vou encaixar, posto que meu livro se passa a uma distância razoável de Fortaleza.
Estrangeiro – quatro perguntas para Bernardo Carvalho
A condição de viajante, para Bernardo Carvalho, equivale à afirmação de uma individualidade que não pode ser submetida a nenhuma corporação, associação ou confraria, seja ela nacional, étnica, profissional ou familiar. É estar fora do lugar sempre.
