Documentário da Folha de S.Paulo sobre as manifestações de junho de 2013 faz apanhado cronológico dos eventos que varreram o país naquele mês. O filme de João Wainer, pontuado por análises de intelectuais como T. J. Clark, Boris Fausto e Contardo Calligaris, estreia propositalmente em outro junho e perto da Copa.
A pedrada de Sissako e o grunhido de Leigh
Aberto com um caricato Grace de Mônaco, o Festival de Cannes teve dois destaques em seus dias iniciais, aponta o crítico José Carlos Avellar, coordenador de cinema do IMS: Timbuktu, de Abderrahmane Sissako, e Mr. Turner, de Mike Leigh. O primeiro mostra o extremismo religioso e a violência no Mali, enquanto o segundo reflete os conflitos de um artista com o seu tempo.
Religiões afro-brasileiras, uma questão filosófica
Em decisão contra a retirada da internet de vídeos ofensivos ao candomblé e à umbanda, um juiz federal escreveu que os cultos afro-brasileiros não são religiões, pois não têm um só deus nem se baseiam num só livro. O escritor Nei Lopes contesta apresentando os fundamentos que embasam a religiosidade desses cultos.
Praia do futuro e suas coordenadas
Em Praia do futuro, o diretor Karim Aïnouz trabalha relações de afeto e incomunicabilidade na vida de um salva-vidas brasileiro que vai até Berlim procurar o namorado alemão. Rotular o longa de filme gay empobrece seu alcance. A relação fundamental da trama é entre o protagonista e seu irmão caçula.
Wang Bing: a história pequena
Considerado um dos principais nomes do documentário contemporâneo, o cineasta Wang Bing busca conexão com o passado em uma China que parece desprezar a história. Seus filmes se utilizam de recortes individuais e de pequenos grupos de trabalhadores para fazer reflexões sobre os rumos da sociedade chinesa. Começa em 16 de maio a mostra dedicada ao cineasta, no IMS-RJ.
Pequena história das canções brasileiras
Em 44 capítulos, João Máximo conta no programa “Como e por que nascem as canções” da Rádio Batuta, as histórias por trás de algumas das melhores músicas do país, feitas por Noel Rosa, Wilson Batista, Dorival Caymmi e outros. O jornalista conclui a série e parte para realizar dois documentários.
Entre vales, da tragédia à reciclagem
Longa de Philippe Barcisnki gera desconcerto ao tratar da fragilidade humana e dos reveses do destino. No filme, o ator Ângelo Antonio vive um personagem que passa de membro confortável da classe média a catador de lixo. O fim da história, no entanto, aposta em uma fórmula de redenção que fica aquém do que o enredo e a encenação mereceriam.
A militância pela barbárie – quatro perguntas para Eugênio Bucci
O linchamento da dona de casa Fabiane Maria de Jesus no Guarujá reflete o abandono sistemático com que o Estado brasileiro trata boa parte da população brasileira, diz Eugênio Bucci, jornalista e professor da USP. “Ao acordar em junho de 2013, o Brasil descobriu-se muito mais injusto do que se imaginava. É como se essa injustiça levasse os que mais sofrem a desistir de uma vez por todas da civilização. É como se a única saída fosse a militância pela barbárie.”
Uma odisseia torta – quatro perguntas para Gustavo Piqueira
Designer premiado e autor de quinze livros, Gustavo Piqueira diz que adaptações que limpam os clássicos de suas dificuldades, buscando assim atingir o público jovem, acabam oferecendo uma experiência vazia. “O que importa não é ter contato com muitas obras, mas sim o tipo de contato que o leitor estabelece”, afirma.
Getúlio, Longwave e as armadilhas do filme histórico
Dirigida por João Jardim, biografia cinematográfica de Getúlio Vargas é eficiente, mas peca pela superficialidade ao não se concentrar em nenhum dos aspectos do final da vida do ex-presidente. Já Longwave, coprodução franco-suíço-portuguesa, encontra um modo oblíquo e autoirônico de abordar um fato histórico, a Revolução dos Cravos. Longe de qualquer intenção didática, é uma celebração da vida e de suas infinitas possibilidades.
