Uns preferem viajar na fantasia; outros, mergulhar na mais crua realidade. O cinema permite alternar as duas coisas, ou, em alguns casos, entretecê-las numa só. É o que acontece, por exemplo, nos notáveis Reality, de Matteo Garrone, e A parte dos anjos, de Ken Loach, ambos em cartaz na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.
A dificuldade de falar de Shoah
“Eu não tive a intenção de fazer um documentário. Menos ainda a de acrescentar mais um depoimento a tudo que já foi dito, escrito ou filmado sobre Shoah. Simplesmente, ir até o fundo do abismo e levar o público comigo”, explica Lanzmann, acerca do documentário que será exibido e lançado pelo IMS no dia 28, com debate entre João Moreira Salles, Eduardo Coutinho e Eduardo Escorel.
Contra o sonso-coxismo
Chamo de sonso-coxismo certo conservadorismo de raiz fascista porém índole cordial e embalagem mauricinha muito comum aqui em São Paulo. Aquele povo fanático por ordem, segurança e vias expressas lisinhas pro seu SUV deslizar.
De Manoel a Miguel, o cinema d’além mar
Aos 103 anos, Manoel de Oliveira pode dizer que já fez de tudo no cinema, de documentários a épicos históricos, de ópera filmada a romances de folhetim. Seu filme mais recente, O Gebo e a sombra (2012), em cartaz na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, é o que se poderia chamar de cinema de câmara, no mesmo sentido em que se fala de música de câmara.
Bellocchio e a dor do outro
Começou a maratona da 36ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. E começou bem com o filme A bela que dorme, de Marco Bellocchio, que gira em torno do controvertido caso da jovem italiana Eluana Englaro, que passou 17 anos em coma antes de ter desligados os aparelhos que a alimentavam e hidratavam.
Os fios da Bienal – por Sérgio Bruno Martins
A 30ª Bienal, de curadoria de Luis Pérez-Oramas, não se contenta em ser a “próxima parada” e busca recobrar – sem nostalgia pelo modelo modernista – um sentido de pausa ou intervalo capaz de problematizar a paisagem da arte contemporânea.
Rastros dos trópicos
Não se pode negligenciar um aspecto geral e inegável do fenômeno tropicalista, de certa forma reavivado pelo lançamento do documentário Tropicália, dirigido por Marcelo Machado, e por Tropicália lixo lógico, novo álbum de Tom Zé. Está certo dizer que, com a força de um sobressalto, serviu de epílogo para um país que ficou para trás, mas que de certa forma continuou nos habitando.
A diferença entre seriedade e sisudez
Tem início neste post uma conversa entre a escritora e professora Vilma Arêas, convidada a lecionar Literatura Brasileira em Berkeley, e o escritor e jornalista Ronaldo Bressane, que trocarão correspondência no Blog.
Na estrada
José Carlos Avellar comenta A última estrada da praia, longa-metragem de Fabiano de Souza que adapta o romance O louco de Cati, de Dyonélio Machado, e é um dos destaques da programação do mês de outubro no IMS-RJ.
Rindo de quê?
Posso estar enganado, mas acho que esses risos provocados por filmes como Até que a sorte nos separe são o produto de uma sensibilidade moral e estética (de)formada por anos e anos de “videocassetadas” e episódios de Jackass.
