Na estreia de Em processo, nova seção do Blog do IMS, Natércia Pontes apresenta um trecho de Os tais caquinhos, um romance de formação (ou quase). É a história de Abigail e Berta, duas irmãs recém-ingressas na adolescência, que vivem em um apartamento imundo de classe média com Lúcio, o pai acumulador. A narrativa se desenrola numa cidade litorânea do nordeste brasileiro, em meados dos anos 1990.
Shakespeare, cinema e leituras
Para lembrar os 400 anos sem (ou com) Shakespeare, e celebrar o ciclo Shakespeare e Cinema, que ocupará a Sala José Carlos Avellar no IMS do Rio de Janeiro entre os dias 1º e 11 de dezembro, o Instituto Moreira Salles convidou Maureen Bisilliat e Gustavo Gasparani para lerem e comentarem, em vídeo, trechos da obra do dramaturgo.
O jogo da imitação
À saída de uma sessão de Cazuza – O tempo não para (2004), o que mais se ouvia da boca dos espectadores era: “Incrível como o ator (Daniel de Oliveira) parece uma encarnação do Cazuza”. Com Elis, agora, acontece o mesmo. O filme do estreante Hugo Prata baseia toda a sua eficácia na impressionante semelhança física e gestual entre a atriz Andréia Horta e a cantora retratada.
O poeta-gentleman e os galhofeiros
No dia 7 de dezembro de 1919, o Assyrio, elegante restaurante do Theatro Municipal, foi palco de um dos mais bizarros eventos literários da história do Rio de Janeiro. Deslumbrado com os cumprimentos ao seu mais novo livro, Poesias, Carlos Alberto de Sá Magalhães, ou simplesmente Carlos Magalhães, ofereceu um banquete em sinal de reconhecimento aos homens de letras que haviam consagrado sua obra. Até então obscuro no meio intelectual, conhecido somente nos salões aristocráticos da cidade, seu nome ganhara, nas semanas anteriores, um súbito destaque da crítica literária local, sempre acompanhado de superlativos e expressões mirabolantes.
As sombras de Isabelle
Numa semana repleta de boas estreias, a mais importante certamente é Elle, o novo filme de Paul Verhoeven, que não tinha uma obra lançada por aqui desde A espiã, de dez anos atrás. Primeiro trabalho do diretor holandês rodado na França, Elle é baseado no romance Oh…, de Philippe Djian e gira em torno de uma enérgica empresária, Michèle Leblanc, dona de uma produtora de videogames. Melhor seria dizer: gira em torno de Isabelle Huppert, a fantástica atriz que a encarna.
Leonard Cohen em estado de graça
Antes de se tornar o celebrado cantor de voz grave e rascante, o canadense Leonard Cohen, morto esta semana aos 82 anos, foi um jovem escritor festejado pela crítica e ignorado pelo público. Sem dinheiro, aprendeu a tocar violão para tentar se sustentar e lançou seu primeiro disco, Songs of Leonard Cohen, em dezembro de 1967. Nesse momento de transição em sua carreira, Cohen foi retratado pelo fotógrafo Otto Stupakoff para a revista americana Harper’s Bazaar.
Ficção e reportagem
Mais do que retratar um “herói ou traidor” (segundo o apelativo subtítulo brasileiro), Snowden, novo filme de Oliver Stone, tem o mérito de expor alguns dos temas cruciais de nossa época: a ruptura das fronteiras entre o privado e o público propiciada pela internet, o uso da tecnologia da informação para o controle social e político, as tensões geopolíticas e as guerras remotas, a promiscuidade entre poder institucional e grandes corporações, a margem estreita para a atuação de uma mídia independente etc.
Tradução, poética do improvável
Talvez essa seja a primeira lição que a gente aprende quando começa a traduzir: que tradução é “quase a mesma coisa”, princípio que dá título a um livro de Umberto Eco sobre o tema. E qualquer livro que caia nas mãos de um tradutor iniciante será um desafio de redescoberta da linguagem e de suas possibilidades, seja um livro de autoajuda, um romance cor-de-rosa ou um texto de filosofia.
Trump, Obama e o futuro da humanidade
Para o jornalista Matthew Shirts, Donald Trump na presidência dos Estados Unidos inspira diversas preocupações, para não dizer pânico, mas duas se sobressaem: o envolvimento mais intenso do país em guerras e a ignorância demonstrada pelo presidente eleito sobre as mudanças climáticas.
Vida longa ao espírito revolucionário
O silêncio é, de certa forma, o protagonista de um filme de juventude de Anri Sala, Intervista (Finding the Words), realização de 1997 quando Sala ainda era estudante de cinema em Paris. Havia apenas cinco anos a pequena Albânia tinha deixado de ser um país comunista, e Sala encontra no fundo de uma caixa um rolo de filme de 1977. Nele, sua mãe, Valdet Sala, então uma das jovens lideranças políticas, participa de uma solenidade oficial do partido e concede uma entrevista. No entanto, embora as imagens estejam intactas, o áudio do filme se perdeu. É aí que entra o subtítulo do filme – procurando as palavras –, que lança Sala numa aventura de recuperação das falas da mãe.
