Uma das atrações da Casa do IMS nesta Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP) vai chegar em dose dupla: o número 23 da serrote, a revista de ensaios do IMS, será lançada às 20h de quinta-feira, dia 30 de junho, em conjunto com uma nova edição da já tradicional revista especial gratuita para o evento, mais conhecida pelo apelido carinhoso de “serrotinha”.
Ficção e memória
Dois filmes brasileiros muito fortes estão entrando em cartaz: Big Jato, de Cláudio Assis, e Trago comigo, de Tata Amaral. O que eles têm em comum, a despeito de suas diferenças radicais, é o fato de lidarem com a memória como tema e como elemento de construção narrativa. Em Trago Comigo o assunto, grosso modo, é a ditadura militar que vigorou no Brasil entre 1964 e 1985. Mais especificamente, a brutalidade da repressão aos que se opunham a ela nos chamados “anos de chumbo” (final da década de 60, início da de 70). Dito assim, soa um tanto déjà-vu. Mas é aí que o filme dá mais uma volta no parafuso, ganhando em contundência política e relevância estética.
A química dos físicos
O IMS-RJ abrigará neste domingo, dia 19, o encontro de dois grandes físicos com muita química. Unidos tanto pela amizade como também pelas pesquisas no campo da física quântica, o francês Serge Haroche, Prêmio Nobel de Física em 2012, e o brasileiro Luiz Davidovich, professor titular do Instituto de Física da UFRJ e presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), vão conversar com o jornalista Bernardo Esteves, da revista piauí. O debate acontecerá às 17h no cinema do IMS, logo após a exibição do filme Copenhagen (2002), de Howard Davies, que faz um recorte sobre a parceria entre outros dois cientistas, o dinamarquês Niels Bohr e o alemão Werner Heisenberg.
Do ruído ao silêncio
A crise política deflagrou uma inflação de debates, discursos, aulas públicas, discussões, encontros, manifestações, mobilizando pensadores formados nas universidades brasileiras, agora alvo não apenas de uma ameaçadora política de desmonte econômico, mas sobretudo também novo alvo do “Escola sem partido”. Calar a viva capacidade de crítica significa um retrocesso obscurantista sob o qual corremos o risco de morrer. Em silêncio.
Paris-Japão
Na semana em que a exposição de Haruo Ohara está de mudança do Museu de Arte de Kochi para o Museu de Arte de Itami, no Japão, o acervo fotográfico do Instituto Moreira Salles amplia suas fronteiras de visitação pública com a abertura nesta terça-feira (14/6) na Maison Européenne de la Photographie, em Paris, da primeira grande retrospectiva da obra de Marcel Gautherot fora do Brasil. A experiência de trabalho conjunto com pesquisadores de fora do país é, para Sergio Burgi, uma tentativa de entender a produção fotográfica no Brasil num contexto globalizado.
As crianças invisíveis
Campo Grande, de Sandra Kogut, rompe com nossa indiferença passiva diante das crianças pobres ao trazer para diante dos nossos olhos dois desses pequenos seres, os irmãos Ygor (Ygor Manoel), de uns oito anos, e Rayane (Rayane do Amaral), de uns seis. Eles aparecem de surpresa no apartamento de Regina (Carla Ribas), uma mulher de classe média e meia-idade, que não sabe quem são e nem o que fazer com eles. Se Sandra Kogut já demonstrara, em Mutum (2007), uma grande competência para dirigir crianças, aqui esse talento se mostra prodigioso: raras vezes se viu na tela um desempenho tão crível e pungente como o de Ygor e Rayane.
Antes e depois de João
Talvez mais do que qualquer outro na música brasileira, João Gilberto é um intérprete-autor. Praticamente todas as canções que grava passam a soar como suas criações. Para saudar os 85 anos que ele completa nesta sexta, 10 de junho, a Batuta – web rádio do IMS – reuniu dez registros de várias épocas (1959 a 2004). E pôs, ao lado, gravações feitas anteriormente por outros artistas. Não se trata de maniqueísmo, pois alguns dos artistas foram influências fundamentais para João, como os conjuntos vocais e, sobretudo, Orlando Silva. Mas a comparação permite que se perceba como o baiano altera harmonia, canto, ritmo… Ou seja, “o som”, como ele diz.
Paginário de Ana C.
Menos virtual e mais interativo, impossível: o Paginário – ideia de mural que deu nome ao projeto de instalações coletivas com trechos de textos literários grifados por seus admiradores – estabeleceu parceria com o IMS para uma intervenção do gênero dedicada exclusivamente à obra de Ana Cristina Cesar em paredão da Casa do Instituto Moreira Salles, em Paraty, durante a FLIP 2016, que em sua 14ª edição homenageia a poeta.30
Festival Varilux no IMS
Começou na última quarta, dia 8 de junho, em 50 cidades brasileiras, a edição 2016 do Festival Varilux de Cinema Francês. Já consagrado como um dos principais eventos difusores da cultura francesa no Brasil, neste ano o festival terá o dobro da duração: serão duas semanas, até o dia 22 de junho. O Instituto Moreira Salles participará do festival a partir desta quinta-feira, dia 9 de junho, nos centros culturais do Rio de Janeiro e de Poços de Caldas. Confira a programação!
Oscilação da luz
Chantal Akerman se matou dezoito meses depois da morte da mãe. Sofria de crises de depressão. A simbiose com a mãe era uma questão permanente em seus filmes. O silêncio da mãe sobre a experiência nos campos acabou encontrando na imagem dos filmes da filha, como Não é um filme caseiro, uma forma de expressão possível, como se os filmes fossem uma forma substituta, alternativa, de dizer esse silêncio.
