“Nossos primeiros encontros se deram em meados dos anos sessenta, no balcão do laboratório 16mm que existia na Rua Alice, em Laranjeiras. Fazíamos, então, nossos primeiros filmes para o festival de cinema amador promovido pelo Jornal do Brasil”. O cineasta e diretor de fotografia Lauro Escorel roteiriza em artigo os quase 50 anos de convívio profissional e afetivo com José Carlos Avellar.
A assim chamada realidade
Em Liquidação, um caso amoroso narrado por uma personagem parece ao protagonista “simples como um conto, e impossível como a vida”. Ler o Nobel de Literatura Imre Kertész (1929-2016) é resolver essa questão principal: afinal, escrever tem algum valor? E a vida? Para nossa surpresa, a resposta é positiva. Para Camus, “o erro de uma certa literatura é acreditar que a vida é trágica porque é miserável”, uma vez que “pode ser emocionante e magnífica, [e] esta é sua tragédia”. Em um certo sentido, a obra de Kertész reflete sua consciência disso.
IMS no prêmio Il Cinema Ritrovato
Dois títulos da Coleção IMS de DVDs – Iracema, uma transa amazônica e Imagens do inconsciente – estão entre os finalistas do Il Cinema Ritrovato DVD Awards, em Bolonha. Na premiação, paralela à trigésima edição do festival Il Cinema Ritrovato [O Cinema Redescoberto], dedicada a filmes restaurados e de arquivo, concorrem os melhores DVDs e Blu-Rays de filmes produzidos até 1986 lançados entre março de 2005 e março de 2006.
Amada morta, cinema vivo
O thriller do diretor baiano Aly Muritiba (que já foi cobrador de ônibus, bombeiro e carcereiro enquanto estudava história em São Paulo e depois cinema em Curitiba) é um dos grandes filmes brasileiros do ano e a prova viva, muito viva, de que é possível subverter os códigos e fórmulas dos gêneros estabelecidos e construir uma obra original.
Divergências à parte
Artigo de Hélio Fernandes em memória de Luciano Carneiro publicado logo após a morte do fotojornalista em 1959 não esconde as divergências que mantinham sobre “os caminhos e descaminhos do jornalismo”. O debate continua atual, embora sem a mesma elegância. No texto que escreveu para o Diário de Notícias, Hélio reconhece que não conseguiu impor a Luciano sua convicção de que “jornalismo é informação, mas é também e principalmente opinião”.
Defesa da literatura
Um processo kafkiano está em curso na França, depois de o escritor Édouard Louis ter sido intimado por “atentar contra a vida privada e a presunção de inocência” do homem que o agrediu e o estuprou, sob a mira de um revólver, há três anos. Em seu segundo romance, “História da Violência” (ed. Seuil), publicado em janeiro com ampla repercussão de público e de crítica, o escritor de 23 anos narra seu encontro casual, na noite de Natal de 2012, com um homem de origem argelina, de cerca de 30 anos, que se apresenta como “Reda”. Os dois vão ao apartamento do escritor, onde “Reda” o estrangula (por pouco não o mata) e o estupra, antes de desaparecer.
Mundo cão e a barbárie à espreita
No Brasil e no mundo, vivemos tempos ferozes. A animalidade do homem parece estar à flor da pele, prestes a romper, por um nada, a fina crosta de civilização que nos separa da barbárie. Deliberadamente ou não, esse “espírito do tempo” permeia o drama policial Mundo cão, do brasileiro Marcos Jorge, o mesmo diretor de Estômago e Corpos celestes.
Amor e política em tempos difíceis
Em tempos de whatsapp, Facebook e Twitter, o vazamento de áudios de conversas telefônicas mobilizam não apenas pelo seu conteúdo, mas pelo poder da voz em transmitir aquilo que vai além do texto. Na velocidade de mensagens curtas e fragmentadas, a comunicação é mera ilusão tanto na política quanto no amor.
Modernidades sem retoques
O período entre 1940 e 1964 foi fundamental para a formação da fotografia moderna no país. Quatro fotógrafos, de origens muito diferentes, representam esse momento cultural na exposição Modernidades fotográficas, em cartaz a partir de hoje, às 17h, no IMS-RJ. Um dos fotógrafos é o alemão Hans Gunter Flieg, que explica em vídeo por que evitava usar retoques nas suas clássicas imagens de peças industriais.
Sobre os caracóis do Avellar
Em fotos de Thomaz Farkas tiradas em meados dos anos 1960 no Festival de Cinema de Viña del Mar, no Chile, José Carlos Avellar aparece ainda sem os caracóis de cabelos brancos, uma das marcas registradas de sua figurinha carimbada no Mundo do cinema.
