Poucas vezes o cinema se desnudou tão plenamente quanto neste longa de Monte Hellman, que chega a DVD três anos após ter passado praticamente despercebido no circuito comercial. O diretor norte-americano faz um filme dentro de um filme e, a todo momento, puxa o tapete das certezas debaixo dos pés do espectador.
Richard Serra e a casa
Richard Serra explica em vídeo por que pediu que a casa modernista que abriga a sede do IMS no Rio de Janeiro tivesse sua aparência original restaurada para exibir suas obras. As paredes de vidro estão novamente à mostra.
Sob a condição feminina e sob a condição de fazedora de filmes
Ana Carolina comenta seus filmes que serão exibidos em mostra no IMS-RJ de 27 de maio a 11 de junho. Cineasta ressalta como é difícil estabelecer uma relação de entendimento entre criador e público. Para ela, o cinema brasileiro é como um besouro, que tecnicamente nem poderia voar, mas que voa assim mesmo.
Nos olhos de Degas
Vários filmes trataram de temas políticos no Festival de Cannes, mas nenhum como Jimmy’s hall (O salão de Jimmy), de Ken Loach, e Deux jours, une nuit (Dois dias, uma noite), dos irmãos Dardenne. A partir de um fato do passado ou de uma decisão tomada por trabalhadores de uma fábrica, eles enxergam e mostram a falta de horizonte dos dias atuais.
Lelé: condição-limite
O arquiteto João Filgueiras Lima, o Lelé, morreu no último dia 21 deixando uma obra sem paralelos no Brasil e no mundo. Chegou aos pré-moldados por conta de sua experiência na construção de Brasília, ocorrida sob pressões variadas. Buscando a produção em série num ambiente cultural resistente à racionalização da construção, ele empreendeu uma investigação constante, com um trabalho sendo a preparação do seguinte.
André Bazin: alma do cinema, cinema da alma
Obra-síntese do crítico francês André Bazin volta a catálogo com nove textos inéditos em português. Antologia da Revista de Cinema e reunião de ensaios do escritor e jornalista Chico Lopes completam trinca de ótimos lançamentos.
A noiva de Godard e o noivo de Baleia
Jean-Luc Godard apresenta em Cannes Adeus à linguagem, em que praticamente adapta para o cinema uma escultura de Marcel Duchamp. O cineasta usa o 3D não como truque tecnológico, mas para ver por dentro e através das coisas. No filme, um cachorro que pensa, como a de Vidas secas, passeia entre o amor de um homem e uma mulher.
A crise das jornalistas
As editoras-chefe de dois grandes jornais do mundo, The New York Times e Le Monde, foram demitidas carregando a pecha de serem autoritárias, como se copiassem um modelo masculino de comandar. Mas há quem aponte sexismo das empresas ao afastá-las. Para Carla Rodrigues, no novo espírito do capitalismo, existe mais espaço para as mulheres por elas serem aquelas que ganham menos, trabalham mais e tiveram que se adaptar a vínculos flexíveis para dar conta da dupla jornada empresa/maternidade.
O processo e o belo
“Richard Serra se apresenta como alguém interessado mais no fazer do que nos resultados. Ao longo de cinco décadas de produção, seus depoimentos enfatizam a busca por resultados imprevisíveis, capazes de apontar novos caminhos para a escultura e para o desenho”, escreve a coordenadora de artes visuais do IMS na apresentação do livro que será lançado no dia 29, juntamente com a abertura da exposição Richard Serra: desenhos na casa da Gávea, no IMS-RJ.
Três filmes entre a natureza e a natureza do cinema
A cena da morte da mãe da adolescente Kyoko em Futastsume no mado (em tradução literal, A segunda janela) é o momento mais bonito do Festival de Cannes até agora. Faz lembrar, mas supera, a sequência final do Sonhos de Akira Kurosawa. O belo longa da japonesa Naomi Kawase divide com o italiano As maravilhas a temática do romance de formação e com o turco Sonho de inverno a paixão pela natureza.
