“Somos ensaios mamíferos rumo a não se sabe o quê, movidos por surtos eróticos comunitários e rapinantes e uma vontade insaciável de recriar a natureza”, diz Fausto Fawcett em sua última carta a Cristina Lasaitis. “Estamos chafurdando em proliferações, promiscuidades, poluições, purificações, pornografias, uma espécie de cinema exploitation de tudo, caixa de pandora sendo aberta em cada esquina”.
A verdade inelutável das azeitonas
Elvia Bezerra mergulha nos arquivos do IMS e volta com um texto de Paulo Mendes Campos em que o cronista, influenciado pelo zen-budismo, reflete sobre o ritmo nervoso do cotidiano moderno diante de um prato de azeitonas. Em seguida, Fernando Krieger é convocado para iluminar a origem de “Vira e mexe”, canção que mudou a vida de Luiz Gonzaga.
Esboço da artista enquanto musa da Geração Y
Daniel Pellizzari traça um perfil de Sasha Grey, atriz, fotógrafa e escritora que surgiu como estrela pornô e veio ao Brasil para lançar seu primeiro livro, o romance erótico Juliette Society.
Bling ring, radiografia do vazio
Para José Geraldo Couto, a narrativa descontínua e só aparentemente aleatória de Bling ring – A gangue de Hollwyood radiografa uma sociedade em que tudo é imagem e a imagem é tudo. Em seu novo estudo sobre o narcisismo, a diretora Sofia Coppola pisca o olho ironicamente para o próprio cinema americano.
#ironia
Pedro Telles da Silveira explora o uso da hashtag como marcador de ironia, junto a um pequeno histórico das tentativas de lidar graficamente com as ambiguidades da linguagem. Para o autor, se vivemos num mundo onde a ironia é um modo de vida, talvez seja preciso resgatar todo o risco – inclusive de mal-entendidos – que a ironia incita, e não mais apenas domesticá-la.
Cinquenta anos de Vidas
José Carlos Avellar recapitula a recepção crítica a Vidas secas, filme de Nelson Pereira dos Santos baseado no romance de Graciliano Ramos, cuja primeira exibição completa 50 anos amanhã, 22 de agosto.
Daniel Blaufuks, trabalho de memória
Mark Durden escreve sobre o trabalho do cineasta e fotógrafo português Daniel Blaufuks, que “fala de limites, do quanto pode ser dito sobre a experiência através de pormenores e vestígios, que resíduos de uma vida poderão perdurar”. Algumas dessas obras serão exibidas na mostra Trabalho de memória, em cartaz de 21 a 24/8 no IMS-RJ com a presença do artista.
Aos vencedores, as batatas transgênicas
“O processo de mumificação da informação viabilizado pela internet possibilita que a existência virtual de cada indivíduo medíocre e ordinário permaneça fossilizada e… vire história – e que essa história possa ser acessada do ponto de vista de cada um”, diz Cristina Lasaitis em sua nova carta a Fausto Fawcett. “É o sinal de que todos vamos passar, mas deixaremos nossa arte rupestre cyberpunk gravada, em tintas muito frágeis, nesta pitoresca caverna invisível”.
Dia mundial da fotografia
Neste Dia Mundial da Fotografia, Sergio Burgi, coordenador de fotografia do Instituto Moreira Salles, apresenta uma seleção de retratos em daguerreótipo datados do século XIX e pertencentes à coleção Waldyr da Fountoura Cordovil Pires. Processo anterior aos métodos baseados na produção de negativos, a daguerreotipia produzia imagens de alta qualidade e proporcionou uma revolução.
Camille Claudel e a educação pela pedra
“Camille apanha um punhado de barro e começa a esboçar com os dedos uma escultura, mas logo abandona e destrói raivosamente o trabalho”, conta José Geraldo Couto ao escrever sobre o austero Camille Claudel, 1915, de Bruno Dumont, “como se lembrasse de repente que naquele país (a loucura, o encarceramento) é proibido sonhar”.
