Brasília, terra em transe

O festival de Brasília sempre foi o mais quente do cinema brasileiro, e nesta 49ª edição chega fervendo, tanto pela contundência da seleção de filmes como pelas conturbadas circunstâncias políticas que o cercam por todos os lados. Se Cinema novo, de Eryk Rocha, dá a ver um desejo contagiante de cinema como força de transformação humana e social, a exibição do documentário Mártires, de Vincent Carelli, mostrou alguns limites e paradoxos desse desejo.

Simbiose do som

O público tem até o dia 20 de novembro para conferir no Instituto Moreira Salles do Rio de Janeiro a simbiose entre arquitetura e sonoridade promovida pelo albanês Anri Sala na casa da Gávea. Para quem ainda não conhece o trabalho do artista, a exposição Anri Sala – O momento presente funciona como um eficiente cartão de visitas de uma obra múltipla, que mistura vídeo, instalação, fotografia e objetos. Nesta entrevista em vídeo, Sala volta a falar da importância dos espaços físicos e dos sons em seu trabalho.

Nós, os americanos

Comecei a ver The Americans por indicação de um amigo, e logo me apaixonei pela combinação entre drama psicológico, contexto histórico, suspense e espionagem. Tramas de espionagem sempre me seduziram e sou capaz de suportar inúmeras patriotadas norte-americanas em nome de um bom suspense. Os espiões em The Americans carregam dilemas com os quais também nos confrontamos. Como viver uma vida autêntica, quem eu sou, até que ponto a nacionalidade, a ideologia, o gênero ou mesmo a profissão me define e identifica?

A casa como grande navio

Realizado por Manoel de Oliveira em 1981 e mantido em segredo até sua morte, conforme vontade expressada pelo diretor, Visita ou memórias e confissões (1982) é uma obra-testamento precoce e um tanto peculiar. O filme estreia no cinema do IMS-RJ nesta quinta-feira, dia 22 de setembro.

Suspense ao sul

Por um feliz acaso, estão chegando aos cinemas praticamente ao mesmo tempo dois filmes de suspense de cineastas brasileiros da nova geração, Mate-me por favor O silêncio do céu. Por vias diferentes, eles arejam e revitalizam esse gênero tão pouco cultivado entre nós. A boa notícia é que ambos são ótimos.

 

Na lista negra

Hollywood vermelha (EUA, 1996. 114’), filme nascido a partir deste artigo, integra a mostra Hollywood e além: o cinema investigativo de Thom Andersen e será exibido na próxima terça, dia 20/9. Em cartaz no cinema do IMS-RJ de 15 a 21 de setembro, a mostra conta com 19 filmes entre longas e curtas-metragens que celebram a obra de Thom Andersen, um dos mais importantes cineastas americanos da atualidade, e de artistas vinculados a ele.

Sala: criação doméstica

Ao conceber a exposição Anri Sala: o momento presente para o Instituto Moreira Salles do Rio de Janeiro, o artista albanês diz ter pensado fundamentalmente no equilíbrio entre a primeira função da casa, residencial, e a atual, de caráter institucional. Em conversa com a curadora Heloisa Espada dia 10 de setembro, na abertura da mostra – que ficará em cartaz até dia 20 de novembro –, Sala disse que procurou apresentar suas obras no IMS encenando a casa “de um modo diferente, um pouco mais parecido com o que era antes. Algo mais próximo do doméstico e mais distante do institucional”.

Vaia ecumênica

A vaia a Temer na abertura dos Jogos Paraolímpicos ganhou assim um sentido maior, ético, a favor da democracia, para além de ideologias e partidos. Foi um protesto contra aproveitadores e impostores, diante do espetáculo incontestável de pessoas decididas a vencer por mérito próprio e a lutar contra os limites e preconceitos que as impedem de gozar dos mesmos direitos, da mesma visibilidade e do mesmo respeito garantido, em princípio, ao resto da sociedade.

Eadweard Muybridge

O filme Eadweard Muybridge, zoopraxógrafo, parte da mostra Hollywood e além: o cinema investigativo de Thom Andersen, será exibido neste domingo, dia 18/9, em sessão apresentada pelos curadores Aaron Cutler e Mariana Shellard. Em texto de 1966, o diretor Thom Andersen fala sobre o trabalho pioneiro de Muybridge.

Hollywood e além

O processo de criação de Thom Andersen, nascido em 1943, se comporta como uma perambulação na qual as ideias se acumulam e se transformam durante anos à medida em que tomam forma, sendo os mesmos tópicos revisados em sala de aula, em palestras, em artigos e em diferentes versões do mesmo filme. A mostra Hollywood e além: o cinema investigativo de Thom Andersen traz doze de seus catorze filmes, além de seis filmes de seus colaboradores, montando uma investigação sobre a memória cultural e a necessidade de sua preservação.