Preocupações e outros poemas

Preocupações e outros poe­mas é o títu­lo pro­vi­só­rio de um livro em que deci­di reu­nir poe­mas iné­di­tos e não tão iné­di­tos sobre medos banais. Tenho abra­ça­do o “con­fes­si­o­nal”, a pri­mei­ra pes­soa e as cons­tru­ções que ten­ta­ria evi­tar. Gosto de ler poe­sia que qua­se che­ga ao ridí­cu­lo e acho que ain­da não con­se­gui fazer isso como pode­ria.

O trabalho e as noites

Entre um extre­mo e outro, Corpo elé­tri­co, o lon­ga-metra­gem de estreia de Marcelo Caetano, pode ser vis­to como um estu­do poé­ti­co do cor­po, de suas cons­tri­ções e sua pul­são de liber­da­de, num con­tex­to mui­to espe­cí­fi­co: o de jovens tra­ba­lha­do­res na cida­de de São Paulo. Em Malasartes e o due­lo com a mor­te, de Paulo Morelli, a ten­ta­ti­va é reto­mar, numa nar­ra­ti­va atra­en­te às novas gera­ções, um per­so­na­gem clás­si­co da tra­di­ção popu­lar luso-bra­si­lei­ra, o píca­ro cai­pi­ra Malasartes.

O golpe dos sonhos

Todos os dias, alguém que tem os recur­sos neces­sá­ri­os – não me refi­ro ape­nas a dinhei­ro, mas tam­bém esco­la­ri­da­de, pas­sa­por­te, cida­da­nia euro­peia etc – decla­ra que vai embo­ra do país. Pelo menos des­de a déca­da de 1980, esses sur­tos de migra­ção pau­tam a clas­se alta desi­lu­di­da. O afe­to que mar­ca a vida coti­di­a­na bra­si­lei­ra – e de for­ma mais agu­da, a flu­mi­nen­se – é a tris­te­za, o desâ­ni­mo e, por que não dizer, o desam­pa­ro da fal­ta de pers­pec­ti­vas, dese­jos e sonhos.

Atravessar a rua com o sinal fechado

Em Dois vivas ao anar­quis­mo, ain­da iné­di­to em por­tu­guês, o soció­lo­go ame­ri­ca­no James C. Scott pro­põe a Lei de Scott da Calistenia Anarquista, que pre­ga a impor­tân­cia de o indi­ví­duo autô­no­mo que­brar dia­ri­a­men­te algu­ma lei que não faça sen­ti­do. Mas em soci­e­da­des como a bra­si­lei­ra, domi­na­das de cima a bai­xo pelo jei­ti­nho, como isso fun­ci­o­na­ria?

Aquária

A seção Primeira Vista publi­ca men­sal­men­te tex­tos iné­di­tos de fic­ção, escri­tos a par­tir de foto­gra­fi­as sele­ci­o­na­das no acer­vo do Instituto Moreira Salles. O autor escre­ve sem ter infor­ma­ção nenhu­ma sobre a ima­gem, con­tan­do ape­nas com o estí­mu­lo visu­al. Neste mês de agos­to, Rosa Amanda Strausz foi con­vi­da­da a escre­ver sobre uma foto de Hans Flieg.

A serra e o pampa

Entram em car­taz dois bons fil­mes bra­si­lei­ros, ambos fil­ma­dos no Rio Grande do Sul, mas con­tras­tan­tes em tudo mais. Um deles, O fil­me da minha vida, de Selton Mello, tem poten­ci­al para atin­gir um gran­de públi­co. O outro, Rifle, de Davi Pretto, é um pro­je­to comer­ci­al­men­te mais modes­to, mas não menos ambi­ci­o­so na esté­ti­ca e no alcan­ce soci­o­po­lí­ti­co.

Os filmes de agosto

Fique por den­tro da pro­gra­ma­ção com­ple­ta para agos­to da Sala José Carlos Avellar, o cine­ma do IMS Rio, com datas e horá­ri­os das exi­bi­ções e ins­tru­ções para com­pra de ingres­sos. Um dos des­ta­ques é o pre­mi­a­do Rifle, de Davi Pretto, pas­sa­do no extre­mo sul do Brasil.

Atividade organizada

Publicado no segun­do semes­tre de 2015, Strange Tools é o livro mais irre­gu­lar de Alva Noë. Se falha em apre­sen­tar um tex­to mais rigo­ro­so, porém, a pro­vo­ca­ção que ofe­re­ce é bem-vin­da. Quando Noë pen­sa de for­ma um tan­to tor­tu­o­sa, ain­da assim pen­sa melhor do que a mai­o­ria. Em pou­cas pági­nas, par­tin­do da natu­re­za huma­na, o filó­so­fo nor­te-ame­ri­ca­no pro­cu­ra expli­car a arte e os meca­nis­mos pelos quais ela se trans­for­ma con­ti­nu­a­men­te.

O espetáculo da guerra

Vamos falar de Dunkirk, o novo fil­me do con­tro­ver­so Christopher Nolan, que se debru­ça sobre um céle­bre even­to da Segunda Guerra Mundial: a reti­ra­da por mar de sol­da­dos bri­tâ­ni­cos e fran­ce­ses encur­ra­la­dos pelas for­ças ale­mãs na cida­de de Dunquerque, no nor­te da França.

Quem é Josenildo?

Quem é Josenildo? se pas­sa em São Paulo, em 2064, depois que o esta­do se sepa­ra do Brasil e se tor­na um país inde­pen­den­te. É a his­tó­ria de um garo­to de 13 anos que sim­ples­men­te desa­pa­re­ce, dei­xan­do pis­tas que levam a três linhas de inves­ti­ga­ção: pode ter se sui­ci­da­do (segui­da pelos cole­gas), pode ter fugi­do de casa (segui­da pela polí­cia), e pode ter sido seques­tra­do (segui­da pelos pais). Durante as inves­ti­ga­ções, vão sur­gin­do per­so­na­li­da­des bas­tan­te dis­tin­tas para o Josenildo que cada um acha­va que conhe­cia.