O golpe dos sonhos

Todos os dias, alguém que tem os recursos necessários – não me refiro apenas a dinheiro, mas também escolaridade, passaporte, cidadania europeia etc – declara que vai embora do país. Pelo menos desde a década de 1980, esses surtos de migração pautam a classe alta desiludida. O afeto que marca a vida cotidiana brasileira – e de forma mais aguda, a fluminense – é a tristeza, o desânimo e, por que não dizer, o desamparo da falta de perspectivas, desejos e sonhos.

Atravessar a rua com o sinal fechado

Em Dois vivas ao anarquismo, ainda inédito em português, o sociólogo americano James C. Scott propõe a Lei de Scott da Calistenia Anarquista, que prega a importância de o indivíduo autônomo quebrar diariamente alguma lei que não faça sentido. Mas em sociedades como a brasileira, dominadas de cima a baixo pelo jeitinho, como isso funcionaria?

Aquária

A seção Primeira Vista publica mensalmente textos inéditos de ficção, escritos a partir de fotografias selecionadas no acervo do Instituto Moreira Salles. O autor escreve sem ter informação nenhuma sobre a imagem, contando apenas com o estímulo visual. Neste mês de agosto, Rosa Amanda Strausz foi convidada a escrever sobre uma foto de Hans Flieg.

A serra e o pampa

Entram em cartaz dois bons filmes brasileiros, ambos filmados no Rio Grande do Sul, mas contrastantes em tudo mais. Um deles, O filme da minha vida, de Selton Mello, tem potencial para atingir um grande público. O outro, Rifle, de Davi Pretto, é um projeto comercialmente mais modesto, mas não menos ambicioso na estética e no alcance sociopolítico.

Os filmes de agosto

Fique por dentro da programação completa para agosto da Sala José Carlos Avellar, o cinema do IMS Rio, com datas e horários das exibições e instruções para compra de ingressos. Um dos destaques é o premiado Rifle, de Davi Pretto, passado no extremo sul do Brasil.

Atividade organizada

Publicado no segundo semestre de 2015, Strange Tools é o livro mais irregular de Alva Noë. Se falha em apresentar um texto mais rigoroso, porém, a provocação que oferece é bem-vinda. Quando Noë pensa de forma um tanto tortuosa, ainda assim pensa melhor do que a maioria. Em poucas páginas, partindo da natureza humana, o filósofo norte-americano procura explicar a arte e os mecanismos pelos quais ela se transforma continuamente.

O espetáculo da guerra

Vamos falar de Dunkirk, o novo filme do controverso Christopher Nolan, que se debruça sobre um célebre evento da Segunda Guerra Mundial: a retirada por mar de soldados britânicos e franceses encurralados pelas forças alemãs na cidade de Dunquerque, no norte da França.

Quem é Josenildo?

Quem é Josenildo? se passa em São Paulo, em 2064, depois que o estado se separa do Brasil e se torna um país independente. É a história de um garoto de 13 anos que simplesmente desaparece, deixando pistas que levam a três linhas de investigação: pode ter se suicidado (seguida pelos colegas), pode ter fugido de casa (seguida pela polícia), e pode ter sido sequestrado (seguida pelos pais). Durante as investigações, vão surgindo personalidades bastante distintas para o Josenildo que cada um achava que conhecia.

Ainda está pouco

A escritora Conceição Evaristo estará diante de imensos dilemas em Paraty. A autora de Becos da memória encara o impasse enfrentado pelas lutas identitárias: ser reconhecida como uma grande escritora negra, e com isso ficar confinada à marcação de negritude, ou ser recebida como uma grande escritora, e com isso enfraquecer sua posição de mulher negra.

Cinema líquido

De canção em canção, o novo filme de Terrence Malick, é um objeto – melhor seria dizer: um organismo – difícil de apreender, pois tudo nele é fluido: a história, os personagens, o modo de filmá-los. São fragmentos, retalhos, sem ordem cronológica ou progressão dramática aparente, das vidas de quatro personagens centrais.