Alemanha adentro, mundo afora

Em pedaços e West­ern (foto), dois filmes alemães, refletem de mod­os difer­entes e até con­trastantes sobre a com­plexa relação da Ale­man­ha com o mun­do con­tem­porâ­neo. Não são painéis soci­ológi­cos ou políti­cos, mas histórias con­cen­tradas na tra­jetória de uns poucos per­son­agens comuns, ou quase.

Teoria geral do abandono literário

Como escritor, é difí­cil definir quan­do um devaneio se tor­na um pro­je­to. Quan­do uma ideia que ocorre no chu­veiro de fato vira algo a ser escrito. E quan­do escrito, ou pro­je­ta­do, é difí­cil esta­b­ele­cer quan­do se define que é viáv­el. E existe um momen­to em que o escritor, ao devan­ear, por mais que queira escr­ev­er, decide que não, não é viáv­el. Este momen­to me inter­es­sou. Saí à procu­ra da teo­ria do fracasso/sonho/inacabado literário per­feito.

A sina do menino infeliz

Torqua­to Neto – Todas as horas do fim chega aos cin­e­mas com a história do artista mul­ti­mí­dia avant la let­tre (poeta, com­pos­i­tor, cro­nista, ator, cineas­ta) mor­to por suicí­dio em 1972 aos 28 anos. Não foi uma vida comum, não foi uma arte peque­na. Vários lances da inten­sa e aci­den­ta­da tra­jetória do piauiense pas­sam em algum momen­to pela som­bra ameaçado­ra da morte.

Sobre Victor Heringer

O poe­ta, pro­sa­dor e ensaís­ta Vic­tor Herin­ger nos dei­xou em 7 de mar­ço de 2018. Como peque­na home­na­gem, o Blog do IMS con­vi­dou ami­gos, cole­gas e admi­ra­do­res a con­ce­de­rem depoi­men­tos cur­tos, aqui publi­ca­dos na com­pa­nhia de alguns de seus tra­ba­lhos.

A guerra no Rio que tem rosto de mulher

Con­trar­ian­do o que escreveu a rus­sa Svet­lana Alek­siévitch, auto­ra de A guer­ra não tem ros­to de mul­her, há no Rio de Janeiro uma guer­ra muito especí­fi­ca que tem o ros­to das mul­heres que recor­reram ao serviço de saúde em situ­ação de abor­ta­men­to e acabaram pre­sas. Se por um lado tive­mos um gov­er­nador capaz de afir­mar que as mul­heres pobres eram “fábri­ca de mar­gin­ais”, por out­ro temos essas mes­mas mul­heres pobres, já con­strangi­das pela situ­ação precária em que vivem, sendo denun­ci­adas e pre­sas quan­do recor­rem, em situ­ação de extrema vul­ner­a­bil­i­dade físi­ca e emo­cional, à rede públi­ca de saúde.

A crista da onda negra

Pan­tera negra é o primeiro (e pos­sivel­mente o últi­mo) filme de super-herói a ser comen­ta­do nes­ta col­u­na. A razão da dis­cutív­el hon­ra é sim­ples: o filme de Ryan Coogler é des­de já um mar­co na história de Hol­ly­wood e do cin­e­ma de entreten­i­men­to. Sobra tam­bém um espaço pequeno para falar de um artista imen­so, Luchi­no Vis­con­ti.

Somos todos críticos

Por mais desagradáv­el que seja, o feed­back é inevitáv­el: do filé impro­visa­do à pia­da de bote­co, tudo recebe um pare­cer. Mas muito pior que uma críti­ca neg­a­ti­va é a sua fal­ta. Nen­hu­ma ofen­sa é tão cor­ro­si­va quan­to a indifer­ença e o esquec­i­men­to.

Terra estrangeira

Os indi­ca­dos à cat­e­go­ria “Filme em lín­gua estrangeira” do Oscar per­manecem mais tem­po em car­taz do que o nor­mal em nos­so cir­cuito voraz. Pode ser inter­es­sante obser­var em con­jun­to os dois rep­re­sen­tantes do leste europeu: o rus­so Sem amor, de Andrey Zvyag­int­sev, e o hún­garo Cor­po e alma, de Ildikó Enye­di. Ambos são dra­mas urbanos con­tem­porâ­neos, cen­tra­dos em afe­tos esquiv­os, abor­ta­dos ou insu­fi­cientes entre per­son­agens de classe média, sem grandes carên­cias mate­ri­ais.

Amor,

Todo mês a seção Primeira vista traz tex­tos de ficção inédi­tos, escritos a par­tir de fotografias sele­cionadas no acer­vo do Insti­tu­to Mor­eira Salles. O autor escreve sem ter infor­mação nen­hu­ma sobre a imagem, con­tan­do ape­nas com o estí­mu­lo visu­al. Neste mês de fevereiro, Antônio Xerx­e­nesky foi con­vi­da­do a escr­ev­er sobre uma foto de Hen­ri Bal­lot tira­da em Nova York em 1961, uma das ima­gens expostas em O caso Flávio.

O estatuto dos favelados cariocas

O Rio de Janeiro é o cenário per­feito para a con­strução de um dis­cur­so de ordem, aqui enten­di­do como ape­lo de inter­venção e pro­teção por um Esta­do forte exata­mente onde hoje o gov­er­no é mais fra­co, para a con­fig­u­ração de um esta­do de exceção que gan­ha apoio nas camadas médias como for­ma de pro­teção “con­tra tudo isso que está aí”.