Mergulho no raso

Sub­mer­são, novo filme de Wim Wen­ders, não é ruim, emb­o­ra desprovi­do da inqui­etação autoral e do grão de estran­heza que car­ac­ter­i­zavam seu mel­hor cin­e­ma. Já O ter­ceiro assas­si­na­to trans­porta o japonês Hirokazu Kore-eda a um novo pata­mar.

Mulheres, sem espanto ou desdém

Pro­je­tos e ações que incen­ti­vam a leitu­ra de lit­er­atu­ra pro­duzi­da por mul­heres têm sido onipresentes. Alguns pon­tos, no entan­to, podem ser ajus­ta­dos. Partin­do de uma leitu­ra de Siri Hustvedt, Cami­la von Hold­e­fer dis­cute o que ain­da pre­cisa ser feito.

Pesadelos contemporâneos

Não é toda sem­ana que entram em car­taz novos filmes de três grandes autores em ple­na for­ma, como está acon­te­cen­do bem ago­ra, com Roman Polan­s­ki (Basea­do em fatos reais), Hong Sang-soo (O dia depois) e Kiyoshi Kuro­sawa (Antes que tudo desa­pareça). Cada um com sua poéti­ca pes­soal e intrans­fer­ív­el, eles aju­dam a ilu­mi­nar o descon­cer­to do indi­ví­duo den­tro de um mun­do enlouque­ci­do e esface­la­do.

A responsabilidade das mulheres

Gênero e desigual­dades – lim­ites da democ­ra­cia no Brasil, de Flávia Biroli, cumpre um papel históri­co de reg­istro do que diver­sos movi­men­tos de mul­heres está fazen­do no Brasil con­tem­porâ­neo, com maior ou menor suces­so, com mais ou menos risco de vida. Pre­cisa ser lido como um tra­bal­ho atrav­es­sa­do pelo embate entre os movi­men­tos de mul­heres negras e a pau­ta de reivin­di­cações das fem­i­nistas bran­cas.

Baladas do lado sem luz

Em momen­tos de trau­ma políti­co e social, o cin­e­ma pode servir como válvu­la de escape, mas pode tam­bém apro­fun­dar o con­hec­i­men­to e a reflexão sobre o real, além de man­ter viva a sen­si­bil­i­dade que os tem­pos bru­tais ten­dem a emb­o­tar. Dois filmes brasileiros real­izam com brio essa nobre vocação: o road movie pro­letário Arábia, de Affon­so Uchôa e João Dumans, e o doc­u­men­tário Em nome da Améri­ca, de Fer­nan­do Weller.

A bandeira da Síria em seu perfil

O prob­le­ma não é postar o sen­ti­men­to solidário, mas trans­mi­tir essa com­paixão com supe­ri­or­i­dade, fis­calizar o luto dos out­ros, con­ced­er cliques como quem assi­na man­i­festos. Algu­mas causas são mais urgentes que out­ras, mas a irrelevân­cia dos resmun­gos é equiparáv­el.

A mulher no labirinto

Afi­nal, o que quer uma mul­her? A per­gun­ta, que tem descon­cer­ta­do tan­tos home­ns sabidos, de Sig­mund Freud a Cae­tano Veloso, às vezes recebe uma respos­ta enganosa­mente sim­ples: amor. Pois essa respos­ta leva a out­ra per­gun­ta, ain­da mais com­plexa: e o amor, o que é? Por esse labir­in­to de inter­ro­gações que ger­am out­ras inter­ro­gações trafe­ga o novo filme da france­sa Claire Denis, Deixe a luz do sol entrar.

Tupinilândia

Tupinilân­dia é um pouco sobre uma infân­cia que parece col­ori­da e diver­ti­da quan­do vista em ret­ro­spec­to, exce­to que o país era uma ditadu­ra, a vio­lên­cia urbana era tão ou mais forte que a atu­al, AIDS era uma palavra proibi­da e a econo­mia ia tão mal quan­to o casa­men­to dos meus pais.

Nosso mundo movediço

Entre os cineas­tas mais fortes e orig­i­nais da atu­al­i­dade está a argenti­na Lucre­cia Mar­tel, ain­da que sua obra se resuma por enquan­to a ape­nas qua­tro lon­gas-metra­gens. Mais do que pro­pri­a­mente um esti­lo, o que unifi­ca ess­es qua­tro filmes tão difer­entes entre si é antes um méto­do: um modo oblíquo e frag­men­ta­do de encar­ar os seres e as ações, como quem os col­he em pleno anda­men­to e ain­da bus­ca os nex­os que lhes deem sen­ti­do.

Tirolesa

Primeira vista traz tex­tos de ficção inédi­tos, escritos a par­tir de fotografias sele­cionadas no acer­vo do Insti­tu­to Mor­eira Salles. O autor escreve sem ter infor­mação nen­hu­ma sobre a imagem, con­tan­do ape­nas com o estí­mu­lo visu­al. Neste mês Sér­gio Rodrigues foi con­vi­da­do a escr­ev­er sobre uma foto de José Medeiros, tira­da no Rio de Janeiro por vol­ta de 1950.