O monstro escolhe o vinho

O animal cordial tem sido classificado como slasher movie, ou seja, um filme de violência explícita, sangue em profusão, corpos esquartejados. A qualificação é correta, grosso modo, mas não dá conta da força e do alcance do surpreendente longa-metragem de estreia de Gabriela Amaral Almeida.

Renascimento italiano

O cinema italiano já foi o melhor do mundo. Nas décadas de 1960 e 70, a Itália produzia filmes de primeira linha nos mais variados gêneros. Depois disso, devido a inúmeros fatores, veio um prolongado declínio, mas nos últimos anos notam-se alguns sinais de recuperação, e o cinema italiano volta a ser, no mínimo, relevante. E um panorama do estado atual desse ainda modesto renascimento é a mostra “8 ½ Festa do Cinema Italiano”, com onze longas-metragens recentes.

O trabalho do tempo

Em dois belos momentos para o cinema nacional, a ficção Alguma coisa assim, de Mariana Bastos e Esmir Filho, e o documentário Vinte anos, de Alice de Andrade, costuram com engenhosidade as voltas que o tempo dá.

O poder da desobediência

Pode-se concordar ou não com alguns comentários e conclusões de Hannah Gadsby no stand-up Nanette. No entanto, o formato escolhido pela comediante é tanto o ponto de partida quanto a concretização de uma busca mais ampla por liberdade.

Bárbaros por todo lado

Posta em relevo na Copa do Mundo, em especial na campeã França, a questão dos imigrantes – legais ou clandestinos, recentes ou antigos – está no centro e nas bordas de três novos filmes: Uma casa à beira-mar, de Robert Guédiguian, O orgulho, de Yvan Attal, e Primavera em Casablanca, de Nabil Ayouch.

Era Hilda Hilst feminista?

A homenageada da Flip 2018 talvez tenha sido feminista antes de o feminismo se estabelecer como militância política, antes mesmo de o termo vir a designar essa ampla gama de reivindicações de direitos das mulheres sobre seus corpos, seus sexos, suas vidas.

O mar de Bergman

Há cem anos nascia na Suécia um dos grandes artistas do século XX, o cineasta, diretor de teatro e escritor Ingmar Bergman. Deixou uma obra imensa, e é impossível dimensionar sua influência. Para celebrar a data, nada melhor que ver seus filmes.

Vamos chamá-la de Maria

Li uma matéria impressionante sobre uma mulher do Centro-Oeste do Brasil, vítima de tráfico sexual para Portugal, e sob o impacto dessa história passei um carnaval e uma semana santa no computador, imaginando o entrelaçamento de duas narrativas: as experiências erótico-amorosas de uma mulher de classe média e as noites assustadoras da escravidão sexual dessa personagem que chamo de Maria e que poderia ser qualquer mulher.

As mulheres abrem caminho

Sobretudo nos últimos anos, uma forte reação feminina tem diminuído o predomínio esmagador de realizadores homens, e um sinal animador disso é o FIM – Festival Internacional de Mulheres no Cinema. Cachorros, uma das estreias mais interessantes da semana, também é dirigida por uma mulher, a chilena Marcela Said.