Se oriente, rapaz

Vem da Ásia uma das ondas mais fortes e interessantes do oceano de filmes que compõem a 41ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. No rastro do artista multimídia chinês Ai Weiwei, que está na cidade para apresentar seu documentário sobre refugiados nos quatro cantos do globo, tem filmes da Coreia, de Taiwan, do Japão… Confira as apostas de José Geraldo Couto na maratona cinéfila iniciada no dia 19.

Nós, pessoas em silêncio

Há uma geração inteira de jovens que prefere o envio de áudios sucessivos às longas conversas telefônicas que marcaram minha adolescência, incluindo o estranho debate sobre quem desligaria o telefone primeiro. Há uma geração inteira de jovens cuja troca de textos diários pode significar relações silenciosas, pautadas mais por emojis do que por palavras. (Carla Rodrigues)

O ouro do tempo

Segundo longa-metragem do diretor Fellipe Barbosa, Gabriel e a montanha, não apenas confirma seu talento como atesta um notável amadurecimento artístico e humano, no enfrentamento, desta vez, de um desafio mais complexo: reconstituir dramaticamente os últimos dias de vida de Gabriel Buchmann, jovem economista brasileiro morto ao escalar o monte Mulanje, no Malawi, no sudeste da África.

Alguns dias violentos

Alguns dias violentos é o título do livro que estou terminando de aprontar.  Ando preocupado com a ideia de escrever textos cada vez mais consequentes, sem fugir ao plano da experiência imediata. Penso que o fim do mundo é uma espécie de morada, que tem a sua domesticidade, que também pode abrir-se para uma cena íntima.

Futuro do pretérito

Blade Runner 2049, de Denis Villeneuve. Digo logo que gostei. Não se trata de saber se o filme é “bom” ou “ruim”, avaliações tão instáveis e subjetivas, mas de reconhecer o que ele oferece em termos de entretenimento, espanto e reflexão. E há muito dessas três coisas nele.

Aos literatos, a literatura

Kazuo Ishiguro traz ao arraial mundial das letras um período de bonança. Depois de ter emendado Svetlana Alexiévitch (jornalista!) com, heresia máxima, Bob Dylan (compositor!), a Academia Sueca restitui o Nobel de Literatura a quem de direito, um escritor “de verdade”. Ufa. Um escritor simpático, hábil, convencional e de bons modos. Está selada a Pax Literária.

Distopias duradouras

Deus, fascismo e os EUA dos anos 1980: Alexandre Rodrigues conta de onde surgiram as ideias para O conto da aia, romance de Margaret Atwood que serve de base para The Handmaid’s Tale, série de tv premiada com o Emmy.

Além da globochanchada

De quando em quando surge no cinema brasileiro uma comédia que escapa da vala comum das franquias mais previsíveis e vulgares da Globo Filmes (as chamadas “globochanchadas”) e esboça uma revitalização ou ao menos um arejamento do gênero. A aposta do momento é Divórcio.

A Rocinha nunca foi só a Rocinha

Nas muitas camadas que formam a Rocinha, uma chama a atenção: a centralidade atribuída, seja pelos governos, seja pela imprensa, a tudo de bom ou ruim que ali acontece. Do jeep tour que faz da favela um espaço exótico à grande concentração de recursos de ONGs, nada na Rocinha passa desapercebido.

Brasília e o cinema proletário

No ambiente inflamável e polarizado do 50º Festival de Brasília, acabaram ofuscados os filmes que não atendiam às exigências militantes. Cabe esperar que sejam as dores do parto de uma conquista de visibilidade e não o surgimento de uma patrulha duradoura. Por acerto do júri, os prêmios principais foram para obras que superam a falsa dicotomia entre contundência sócio-política e empenho estético.