Sete anos depois de ser realizado, o documentário Partideiros estreia esta semana no IMS-RJ, jogando nova luz sobre a nobre arte do improviso no samba. Um de seus protagonistas, Renatinho Partideiro, não conseguiu esperar. Morreu aos 50 anos, deixando fama de brigão e um talento que desconcertava quem o via cantar ou tentava desafiá-lo.
O tempo da rua
Street, vídeo de James Nares em exibição no Metropolitan até 27/5, mostra uma Nova York onde as pessoas parecem destacadas das ruas e gestos como comer, apontar ou acenar parecem exigir um grande esforço. E tudo, o tempo todo, está carregado de melancolia.
Movimento e paralisia no novíssimo cinema brasileiro
José Geraldo Couto comenta dois filmes nacionais que acabam de entrar em cartaz: O que se move, uma tragédia em três atos independentes e interligados pelo motivo recorrente da perda, e Cores, sobre um trio de jovens estagnados em um cotidiano sem perspectivas.
O índio do Corcovado
“Se até os fenícios subiram a Pedra da Gávea, por que os Sioux não poderiam ter vindo dar uma voltinha no Corcovado?” Ana Luisa Martins conta a divertida história por trás de “O índio do Corcovado”, música de 1931 composta por seu pai, Luís Martins, em parceria com Joubert de Carvalho, e gravada por Gastão Formenti.
Cinco notas sobre a franqueza
Ser verdadeiro com o outro implica em ser verdadeiro consigo mesmo: é tanto meio quanto fim, e o propósito é a transparência na comunicação. Já a autenticidade pressupõe que ser verdadeiro consigo mesmo prescinde do outro, que serve como plateia de um espetáculo particular.
O poeta e a revolução
Há duas versões sobre o afastamento de Vinicius de Moraes do Itamaraty: na primeira a ordem teria partido do presidente Costa e Silva, que o considerava “um vagabundo”, e na segunda o poeta aparece como vítima da Comissão de Investigação Sumária instituída na esteira do AI-5. Em busca da verdade histórica, Marcelo Bortoloti investiga as pistas deixadas em diversos documentos.
Lugar nenhum
Partindo dos universos da pintura e da fotografia, os artistas reunidos na exposição Lugar nenhum, em cartaz no IMS-RJ até 2/6, trabalham a partir do cotidiano sem buscar lirismo ou redenção. Para Heloisa Espada, eles questionam modos de representação e respondem à convivência com uma avalanche de imagens e informações, se afastando do que é midiático e espetacular.
O país das domésticas
Para José Geraldo Couto, Doméstica, de Gabriel Mascaro, não é um filme panfletário. Na intenção de documentar o cotidiano de empregadas domésticas pelo Brasil afora, evita uma manipulação das imagens e falas que poderia ridicularizar o discurso dos patrões. Não se trata propriamente de um documentário sobre as domésticas, mas sobre sua relação com quem as vê.
Amazônia, pátria das águas
Amazônia (1978) é um marco na história dos fotolivros brasileiros, decisivo na carreira de Claudia Andujar, que dedicou sua vida aos yanomami. A edição original, censurada pela ditadura, continha um texto do poeta amazonense Thiago de Mello, hoje dotado de aura quase mítica e aqui reproduzido em conjunto com um vídeo sobre o livro.
Gautherot e os dias de trabalho
O IMS apresenta neste 1º de maio uma seleção de fotos de trabalhadores feitas por Marcel Gautherot (1910-1996) em várias partes do país, entre as décadas de 1940 e 1960. São imagens marcantes de um dos segmentos da obra do fotógrafo francês que se radicou no Brasil aos 30 anos.
