Imaginemos uma figura formada metade pelo rosto de Ingmar Bergman e metade pelo rosto de Liv Ullmann. Essa é, talvez, a melhor representação de uma parceria iniciada com um filme em que a imagem central é um rosto de mulher criado pela montagem do rosto de suas duas intérpretes. Um primeiro plano feito com metade da face da enfermeira Alma (Bibi Andersson) e metade da face da atriz Elisabeth Vogler (Liv Ullmann) bate na tela num certo instante de Persona (1966).
Glorificar a margem
A convite do Blog do IMS, Walter Firmo, um dos principais fotojornalistas brasileiros, escolheu a sua foto favorita do livro Magnum – Contatos. Firmo escreve sobre uma foto que dá ênfase ao que está à margem: a cadeira presidencial retratada por Cornell Capa.
O assassino político
Quando um cineasta decide rodar um filme sobre um assassino de aluguel, ele está inscrevendo sua obra, inevitavelmente, num gênero de convenções muito estabelecidas. O homem da máfia, que estreou na sexta-feira passada em São Paulo, busca encontrar um lugar único no gênero de duas formas: pelo estilo e pela inserção de um fortíssimo subtexto político.
Pignatari: temperamental e múltiplo
Como poucos nomes no Brasil e no exterior, o escritor Décio Pignatari, que morreu na manhã de dois de dezembro, foi um multiartista: poeta (também em romances e contos), crítico literário, tradutor, publicitário, cronista de futebol e até mesmo ator, em Sábado, de Ugo Giorgetti. Falar de apenas uma de suas facetas seria negar exatamente o que ele quis ao longo da sua trajetória.
Holy motors e a ficção radical
O sentimento que Holy Motors provoca em quem ama o cinema é nada menos do que júbilo. Tenho amigos que, em uma semana, já viram o filme três vezes. Não é para menos. Numa arte que tem sido tão amesquinhada e banalizada, é revigorante ver uma aposta radical assim nos poderes libertários da invenção e da fantasia.
Cidade-bandeira
No texto que abre o catálogo da mostra As construções de Brasília, a curadora Heloisa Espada reflete sobre as diferentes visões acerca da cidade que é um emblema da identidade nacional.
O destino de Brasília
Neste texto retirado do livro Brasília, de Marcel Gautherot, Kenneth Frampton, arquiteto e historiador britânico, reflete sobre a monumental Brasília, discutindo o funcionamento da superquadra e dos eixos da cidade.
August Sander, a fotografia e o tipo
Em 1931, o fotógrafo alemão August Sander (1876-1964) proferiu em Colônia uma série de seis emissões radiofônicas intitulada “Essência e evolução da fotografia”. Thomas Schatz-Nett, estudioso da obra de Sander, escreveu um texto exclusivo para a ZUM comentando “A fotografia como linguagem universal”. O projeto mais importante de Sander foi Os homens do século 20. Os mais de 600 retratos que compõem o livro podem ser conferidos na Trigésima Bienal de São Paulo.
Obras de Niemeyer pelo olhar de Marcel Gautherot
O fotógrafo francês Marcel Gautherot registrou, durante sua carreira, construções icônicas de Oscar Niemeyer (1907 – 2012). Um dos principais retratistas de Brasília, Gautherot fotografou a cidade entre 1958 e meados da década de 60. As imagens estão compiladas nos livros Brasília e As construções de Brasília. Veja algumas das fotografias de obras de Niemeyer por Gautherot, não apenas em Brasília, mas também em Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.
Oscar Niemeyer: como se fosse fácil
Último representante da geração dos chamados “grandes mestres” da arquitetura moderna, Niemeyer é também o arquiteto que mais colocou problemas para a arquitetura moderna. E isso explica por que, no quadro da arquitetura mundial, sua obra se mantém igualmente única; tendo contribuído de maneira decisiva para forçar os limites da arquitetura moderna, introduziu ao mesmo tempo um grau de problema que até hoje desafia os críticos.
