Carlão, cinema e vida

A despeito da ira sagrada contra os podres poderes e a mediocridade geral que nos cerca, Carlos Reichenbach foi até o fim um ser gregário, doce e generoso, fervilhante de sonhos e projetos, amigo do cinema e das pessoas. Era amado por todo mundo: cineastas, atores, técnicos, jornalistas, alunos, cinéfilos. Todos têm alguma lembrança bonita, alguma palavra positiva a dizer sobre ele.

Chico e os olhos do carrasco: de Paratodos a Parapoucos

É essa fé na canção e no Brasil que parece ter sido perdida. Depois do Paratodos, Chico definitivamente e cada vez mais se tornou “Parapoucos”. Junto com o aparente fim do ciclo histórico do mito-Brasil e com tudo o que isso implicava de investimento na noção de uma unidade nacional, o caminho de um refinamento cada vez maior no artesanato das canções simplesmente já quase não encontrava resposta junto ao público – já não lhe dizia tanto respeito, como se o canal de comunicação tivesse sido perdido.

História de uma geração corrompida

Entre lances de maestria estilística e humor inusitado, o diagnóstico de McEwan é que essa geração, uma elite cosmopolita, culta e sofisticada, fundada nos valores universais dos anos 60, se deixou corromper. Seja por pragmatismo ou oportunismo, o fato é que aceitou o jogo do poder. Os dois amigos são complacentes com suas próprias ações, justificadas por “valores superiores”, na medida oposta em que se tornam o juiz dos atos um do outro. É por essa rede de relativismos que Amsterdam continua um livro atual.

Ana 60 Cesar

O Instituto Moreira Salles prestou homenagem a Ana Cristina Cesar (1952-1983), que completaria 60 anos no dia 2 de junho de 2012. A poeta carioca se destacou na década de 1970 por seu estilo intimista, marcado pela coloquialidade e tem sido objeto de leituras que cada vez mais a singularizam. Foi realizado um bate-papo entre o poeta Armando Freitas Filho, que foi grande amigo de Ana Cristina, e a escritora e professora de teoria crítica da cultura da UFRJ, Heloisa Buarque de Hollanda, de quem a homenageada foi aluna. Disponibilizamos o vídeo do debate na íntegra.

A vida imperial

Em Fotografia e império, de Natalia Brizuela, a autora contempla, analisa e interpreta uma série de imagens produzidas no Brasil por fotógrafos (em sua maioria) europeus ao longo do século XIX ? desvelando a oscilante relação entre as representações da realidade, os mecanismos do desejo e a construção de geografias imaginárias. O Blog do IMS preparou uma seleção de algumas imagens analisadas na obra.

Entre o sonho e o real: cem anos de Strindberg

August Strindberg nasceu em Estocolmo, em 1849, e morreu na mesma cidade exatamente cem anos atrás. Foi um daqueles escritores inquietos e prolíficos, que escreveram livros sobre os mais variados assuntos, bem como uma extensa obra ficcional. Um daqueles autores que mergulharam profundamente na loucura, realizando, a partir disso, obras perturbadoras, nas quais não se identifica precisamente o que é método e o que é aleatoriedade.

Ivan viu o mundo

Sempre me intrigou que Ivan vivesse num Rio de Janeiro imaginário, devidamente azedado (ou reforçado, vai saber) quando esteve aqui pela última vez em “vinte oito anos, seis meses e sete dias” (nas suas contas) para escrever “Eu conheço esse cara”, crônica-diário  publicada no primeiro número da  piauí. A idade me fez entender melhor, no entanto, que a General Osório pode, sim, fazer esquina com a Charing Cross. E, também, entender melhor o Ivan Lessa.

No inferno com Polanski

Deus da carnificina, o novo filme de Roman Polanski, é uma comédia cruel sobre a fina camada de civilização que encobre a barbárie do homem moderno. A ação se concentra toda num apartamento de classe média alta no Brooklyn nova-iorquino, onde dois casais discutem a agressão violenta do filho de um dos casais ao filho do outro.A origem teatral do texto – a peça homônima da francesa Yasmina Reza – e seu caráter de lavagem de roupa suja entre quatro paredes levaram muitos críticos a mencionar a tradição dos claustrofóbicos psicodramas americanos de Eugene O’Neil, Tennessee Williams e Edward Albee.

Ray Bradbury (1920-2012)

Estranhamente otimista num universo literário predominantemente pessimista, Bradbury celebrava a literatura como a arte do encontro e o prazer da aceitação, quando o leitor descobre o livro que, como dizia, “é você mesmo”, que lhe dá uma sensação de pertencimento e não de isolamento.