“Satisfeito com o livro, resolvi que o verdadeiro teste da eficácia de Cantiga só poderia ser realizado por leitores infantis”. Com ajuda dos filhos, Daniel Pellizzari comenta o livro infantil Cantiga, do francês Blexbolex.
O Alemão que perdeu a mão
“Ao contrário da mitologia maniqueísta propagada incessantemente pela mídia, Alemão não vê a violência nos morros como uma guerra santa entre policiais bons e traficantes malvados”, escreve José Geraldo Couto sobre o filme de José Eduardo Belmonte, “mas como uma luta suja, fratricida e sem sentido, em que os dois lados se misturam, se alimentam reciprocamente e não saem do lugar”.
Algo extraordinário
José Carlos Avellar escreve sobre dois filmes inéditos de Eduardo Coutinho, incluídos no DVD de Cabra marcado para morrer: Sobreviventes de Galileia e A família de Elizabeth Teixeira. Ambos são baseados no retorno do diretor a locações originais do filme, onde reencontra moradores que participaram das filmagens.
O prazer do contista
Heitor Ferraz escreve sobre o livro Uns contos, de Ettore Bottini, recentemente falecido. “Um narrador consciente de seu ofício, equilibrado e econômico ao extremo, e que, de certa forma, segue a risca a teoria da “bolha de sabão”, tal a organicidade entre narrador e coisa narrada”.
Araújo Porto-Alegre: singular & plural
Leticia Squeff e Julia Kovensky, curadoras da exposição Araújo Porto-Alegre: singular & plural, falam sobre esse artista múltiplo que se destacou no cenário brasileiro do século XIX com ideias fundamentais para a sedimentação de uma cultura nacional.
A liberdade de Luigi Ghirri
Francesca Fabiani e Laura Gasparini, curadoras da exposição Luigi Ghirri. Pensar por imagens. Ícones, Paisagens, Arquitetura, em cartaz no IMS-RJ até 13 de abril, partem da biografia do fotógrafo italiano para delinear as influências que moldaram seu trabalho.
Ninfomaníaca contra a normatização do desejo
“A protagonista Joe é uma aberração porque não se enquadra nas normas”, diz José Geraldo Couto sobre o “segundo volume” de Ninfomaníaca, a tragicomédia feroz e ambiciosa de Lars von Trier. “Ao não saber onde colocar o desejo, ela o dissemina por toda parte, como uma criança às voltas com sua sexualidade polimorfa”.
Os olhos irreais de Rouch
“Nesses muitos aparentes desvios o filme jamais se afasta da questão anunciada no prólogo: as relações raciais entre brancos e negros. Na África, jovens europeus e africanos deveriam andar juntos?”, escreve José Carlos Avellar sobre Cocorico! Monsieur Poulet!, de Jean Rouch. “A referência ao Apartheid na África do Sul do final da década de 1950 vai ao centro da questão: um problema dos sul-africanos? Ou de todos? Que diziam os ingleses? Que diziam os franceses? Que faziam os franceses então na Argélia? Que deveriam dizer e fazer eles, ali, na Costa do Marfim?”
Quarto de despejo: “flor incrível e pura”
“Semianalfabeta, queria ser escritora, e queria ser escritora publicada em inglês. Conseguiu”, escreve Elvia Bezerra sobre Carolina de Jesus. “Não só em inglês, mas em francês, alemão, holandês, italiano, tcheco, húngaro, polonês, russo e até japonês, entre outras línguas com as quais jamais deve ter sonhado.”
Quarto de despejo: a peça
A atriz Ruth de Souza se encontrou com Carolina de Jesus na Favela do Canindé para conversarem sobre a primeira montagem da adaptação teatral de Quarto de despejo. Dirigida por Amir Haddad e escrita por Edy Lima, a peça trouxe Ruth de Souza no papel de Carolina e não agradou muito ao crítico Decio de Almeida Prado.
